Vendas domésticas sustentam crescimento da Marcopolo

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Foto Jornalista Roberto Hunoff

Por Roberto Hunoff

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27/02/2020

Caxias do Sul, RS –  A Marcopolo S.A. fechou 2019 com crescimento de 2,8% com relação ao ano anterior, apurando receita líquida recorde de R$ 4,3 bilhões. No mercado interno, a alta foi de 17,6%, para R$ 2,3 bilhões, representando 52,2% da receita líquida.

 

Já as exportações recuaram 25,4%, para pouco mais de R$ 1 bilhão. As operações localizadas no Exterior também geraram receita líquida de pouco mais de R$ 1 bilhão, elevação de 13,6%. O lucro líquido da fabricante de carrocerias de ônibus avançou 11,1%, chegando aos R$ 212 milhões.

 

Os valores tiveram origem na venda de 15 mil 747 ônibus, recuo de 1,3% sobre o ano anterior. Do total, 10 mil 532 foram absorvidos internamente, incremento de 2,9%, enquanto outros 2 mil 881, recuo de 24,1%, tiveram o mercado externo como destino. As operações localizadas no exterior, nas quais a Marcopolo tem 100% do controle, somaram 2 mil 452, incremento de 18,3%.

 

A fábrica do México entregou 1 mil 404 unidades, em alta de 37,6%. A da África do Sul avançou 14%, com 329 ônibus. A fábrica China apresentou recuo de 30%, para 156 unidades, e a da Austrália, 5,4%, com 542 ônibus. A diretoria ressalta, no entanto, que a operação australiana, mesmo com recuo, reverteu a condição de prejuízo do ano anterior.

 

Na Argentina, as vendas da Metalsur ficaram limitadas a 50 unidades, consolidadas a partir do terceiro trimestre do ano.

 

Segundo José Antonio Valiati, CFO e diretor de relações com investidores da Marcopolo, apesar do desempenho crescente da fabricante, 2019 foi marcado pela inconstância da demanda. Destaca que internamente o processo de recuperação de volumes foi arrefecido pela menor demanda de ônibus rodoviários, de maior valor agregado, e com entregas menores ao programa federal Caminho da Escola. No Exterior, a demanda foi afetada por crises nos principais mercados sul-americanos e menores volumes vendidos para o continente africano.

 

A Marcopolo manteve, em 2019, a liderança de mercado brasileiro, com participação de 49,8%. A diretoria atribui o desempenho à estratégia adotada nos últimos dois anos de reforçar o relacionamento e a atuação junto aos clientes, criar soluções inovadoras e oferecer amplo mix de produtos, com forte rede de vendas e atendimento de serviços e pós-venda.

 

No segmento de rodoviários, a participação foi de 67,9% e, nos micros, de 58,1%. Na linha de urbanos alcançou 39,6%, acima dos seus índices históricos. A Volare elevou em 7% a produção de miniônibus, somando 2 mil 305 veículos.

 

A companhia ainda registra mais 6 mil 22 unidades, mas que não são consolidadas no relatório. Elas se referem às coligadas nas quais a empresa não mantêm controle. Na Superpolo, na Colômbia, onde a participação é de 50%, foram registradas 868 ônibus, incremento de 37,8%, na Índia, com controle de 49%, 5 mil 194 unidades, recuo de 17%.

 

Expectativa é otimista para 2020. As perspectivas da diretoria para 2020 são de crescimento, com a continuidade da elevação de demanda no mercado interno, recuperação das exportações e resultados melhores em praticamente todas as operações internacionais. O entendimento é que, no Brasil, a taxa básica de juros em seu menor nível histórico e a confirmação do esperado crescimento econômico devem permitir o prosseguimento dos programas de renovação de frota em todos os segmentos.

 

No relatório divulgado na quinta-feira, 27, a diretoria informa que fará investimentos na planta de São Mateus, ES, visando à verticalização de componentes e aumento expressivo da produção já no primeiro semestre. O objetivo é reverter os resultados negativos da unidade ao longo de 2020.

 

Em abril será encerrada a produção de peças na planta Planalto, em Caxias do Sul, com a transferência da sua produção remanescente para o Centro de Fabricações, localizado em Ana Rech, na mesma cidade.

 

A empresa acredita na continuidade do processo de recuperação dos volumes domésticos iniciado em 2018. A expectativa é que o crescimento se consolide a partir do segundo trimestre, respeitando a sazonalidade de volumes mais fracos no primeiro período do ano.

 

Segmentos de urbanos e micros devem ser, na visão da fabricante, os que apresentarão maior crescimento, em função das eleições de outubro e da confirmação de adesões dos munícipios ao programa federal Caminho da Escola. Em licitação realizada em setembro de 2019, a Marcopolo habilitou-se a fornecer até 4,8 mil unidades em 2020, sendo 2 mil micros, 1,6 mil urbanos e 1,2 mil modelos Volare.

 

Também há confiança na recuperação das exportações, com a retomada dos negócios no continente africano, Argentina e Chile. De acordo com a empresa, o mercado argentino vem se destacando no início de 2020, tanto nas exportações a partir do Brasil como com maiores volumes produzidos localmente, na controlada Metalsur. As perspectivas também são otimistas para as demais operações internacionais, na África do Sul, México e Austrália. A preocupação é com operação chinesa da MAC, que ainda avalia o impacto do recente surto do coronavírus em seus negócios.

 

Nas coligadas, o destaque deverá novamente ser a operação colombiana Superpolo. A companhia também espera melhores resultados da NFI Group. Em 2019, a participação societária de 10,5% que a Marcopolo possui na fabricante canadense contribuiu com resultado de R$ 27,8 milhões, 62,4% inferior aos R$ 74 milhões de 2018. O otimismo deve-se às boas perspectivas para economia estadunidense e normalização do processo de integração e verticalização de componentes.

 

Foto: Divulgação.