FCA estima mercado em queda de 40% em 2020

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Foto Jornalista Marcos Rozen

Por Marcos Rozen

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31/03/2020

São Paulo – O mercado brasileiro de veículos poderá fechar o ano em queda de 40%. A projeção é de Antonio Filosa, presidente da FCA para a América Latina, que na terça-feira, 31, concedeu entrevista coletiva de imprensa virtual – ele de casa, na região de Belo Horizonte, MG, e também os jornalistas atuando em esquema de home office: “O mercado vinha dentro de nossa projeção anual de crescimento de 8% até a primeira quinzena de março, mas na segunda quinzena as vendas caíram 90%. Certamente teremos um segundo trimestre muito difícil e severo”.

 

O executivo acredita que, no momento, fazer qualquer projeção concreta é difícil, mas entende que redução de 40%, neste momento, é a que lhe parece estatisticamente mais aceitável: “Os mais otimistas falam em baixa de 35% e os mais pessimistas em 50% a 60%, mas isso me parece, neste momento, pessimista demais”.

 

Filosa revelou que o plano de investimentos da FCA no País, R$ 16 bilhões, está mantido, mas foi alongado do período 2018 a 2024 para 2018 a 2025:

 

“Alguns projetos sofrerão atrasos de três, seis ou até mesmo doze meses. O programa de lançamentos, como o da nova Strada e dos novos SUVs Jeep e Fiat está mantido, mas o cronograma será estendido. A construção da nova unidade de motores, por exemplo, está parada há um mês dadas as condições necessárias para a segurança dos trabalhadores”. As obras ali estão 60% concluídas.

 

De acordo com Filosa o plano da FCA prevê retorno às atividades na terça-feira, 21 de abril – o feriado de Tiradentes seria transferido para a segunda-feira, 20 – mas isso só ocorrerá se “todas as condições de saúde internas e externas estiverem presentes”. A decisão final será tomada por volta dos dias 10 a 15 de abril, revelou.

 

Ao mesmo tempo a FCA espera a publicação de medida provisória do Governo Federal que trata dos pormenores para as relações de trabalho diante da crise do novo coronavírus para buscar qual a melhor saída caso seja necessário alongar o prazo de parada: “Vamos primeiro estudar o texto”.

 

O presidente da FCA acredita que em breve serão anunciadas medidas envolvendo as empresas que ele chamou de “grandes empregadoras”. Para ele o governo agiu corretamente ao buscar primeiro ações para os trabalhadores mais vulneráveis, como os informais, e que “o próximo passo deverá ser algo envolvendo os grandes empregadores como é o setor automotivo”.

 

Ainda de acordo com o executivo há preocupações envolvendo o fluxo de caixa desde as montadoras até os pequenos fornecedores e a rede: “Todo mundo está com este problema, é generalizado e passará de crítico a crônico se o cenário atual se mantiver para além de abril. Mas tenho confiança de que, com todo mundo contribuindo em busca de soluções para esta crise, que é algo que ninguém esperava, ela possa ser administrável, ainda que muito dura”.

 

Pelos cálculos de Filosa a China levou 28 dias do registro do primeiro caso até a paralisação das atividades do setor automotivo, prazo que foi idêntico no Brasil e mais alongado na Itália e mais ainda nos Estados Unidos: “O País está sendo reativo e isso pode ajudar a sairmos da crise de uma forma melhor do que está acontecendo em outras economias mundiais”.

 

Foto: Divulgação.