Locação perde força como vetor de negócios para montadoras

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Foto Jornalista Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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12/05/2020

São Paulo – As projeções das montadoras para o mercado brasileiro no segundo semestre incluem uma esperada retração nas compras das locadoras de veículos, importante canal de escoamento da produção nacional de veículos.

 

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, de março a abril 160 mil veículos foram devolvidos às locadoras por motoristas de aplicativos como reflexo da baixa circulação em cidades que adotaram o isolamento social, o que indica uma redução no apetite de compras destas empresas.

 

Caso se confirme, como já projetam analistas do setor automotivo, este seria o primeiro episódio de retração de um mercado que movimentou R$ 10 bilhões com a venda de veículos seminovos – a desmobilização de frota – no ano passado, considerando as três maiores empresas do segmento, Localiza, Unidas e Movida. O valor é maior considerando a receita das locadoras pequenas e médias que também operam essa modalidade de negócio.

 

Segundo dados da Fenabrave, 2019 terminou com as vendas diretas de automóveis e comerciais leves representando 44,5% do total operado nas concessionárias até dezembro, dado que considera, afora a venda para pessoas jurídicas, aquelas realizadas para taxistas e para PcD. Em fevereiro, quando o mercado ainda não sentia os efeitos da pandemia, a fatia era de 46%.

 

A Abla, a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, cujo quadro associativo é formado de forma majoritária por essa parcela de empresas, projeta para os próximos meses menos aquisições de veículos e aumento da idade da frota de suas associadas antes da desmobilização. Nos cálculos da entidade a média subirá de 14,9 meses para até 20 meses, o que deverá provocar reflexos na periodicidade de compra de novos veículos via venda direta nas montadoras.

 

A entidade considera até mais tempo, até trinta dias, quando avalia os dados referentes às entregas de veículos pelos motoristas de aplicativos – em suas contas as devoluções já superaram 80% dos contratos de locação firmados. A associação, no entanto, credita parte do cenário ao fato de as montadoras terem paralisado a produção, o que, em tese, teria restringido as vendas de novos veículos às locadoras.

 

Quem também, neste contexto, projeta meses de retração é a Uber, um dos vértices do negócio lucrativo que envolve locadoras e montadoras. Na quinta-feira, 7, a companhia anunciou perda de US$ 2,9 bilhões no primeiro trimestre por causa de investimentos no Exterior ligados ao transporte de passageiros afetados pela pandemia de coronavírus.

 

De acordo com o CEO, Dara Khosrowshahi, "enquanto nosso negócio de corridas foi duramente atingido pela pandemia em andamento, tomamos medidas rápidas para preservar a força de nosso balanço, para focar recursos adicionais no Uber Eats e nos preparar para qualquer cenário de recuperação". Nos Estados Unidos, casa matriz da companhia, deixaram a base de cadastro 3,7 mil motoristas.

 

A pandemia, que gerou queda nas corridas de passageiros, e produziu aumento da demanda por entregas via Uber Eats, promoveu, segundo a própria Uber, uma espécie de equilíbrio no desempenho comercial no primeiro trimestre, levando a empresa a registrar alta de 14% em sua receita global, somando US$ 3,5 bilhões. Na América Latina a receita cresceu, no período, 10%, chegando a US$ 497 milhões.

 

 

Foto: senivpetro/Freepik.