Indústria de máquinas tem desafios, mas segue otimista com 2020

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Foto Jornalista  Caio Bednarski

Por Caio Bednarski

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18/05/2020

São Paulo – O futuro do setor de máquinas agrícolas e de construção foi debatido no primeiro Workshop AutoData realizado totalmente online, na segunda-feira, 18. Como cada segmento tem uma realidade diferente, as perspectivas apontam para caminhos distintos, mas um ponto é igual para ambos: a forte demanda do agronegócio será responsável pela retomada. 

 

Thiago Wrubleski, diretor de planejamento comercial da CNH Industrial, acredita que o agronegócio deverá ter uma recuperação em V após a pandemia, considerando o cenário favorável para os produtores. Alfredo Jobke, diretor de marketing da AGCO América do Sul, listou alguns pontos positivos:

 

"Projeção recorde na produção de grãos, aumento de 2% na área plantada na comparação com 2019 e preços bons para exportação, com a alta do dólar são alguns fatores. Com esse cenário a expectativa é a de que o PIB do agronegócio cresça 8%, enquanto esperamos que o PIB nacional recue até 5%".

 

Mas nem tudo são flores para o agronegócio. Segundo Giovana Araújo, que responde pelo setor de agribusiness da KPMG, alguns setores sofrerão durante e após a pandemia, enquanto outros terão demanda aquecida: "Existem segmentos que terão volumes até maiores após a pandemia, como o de grãos, mas por outro lado, alguns sofrerão mais para se recuperar, como o de cana de açúcar, pela baixa procura por etanol e da indústria têxtil". 

 

Para acompanhar essa demanda prevista para os próximos meses, o setor precisa encarar desafios como a instabilidade na cadeia de fornecimento – no mês passado algumas empresas tiveram dificuldades para receber algumas peças e componentes. Questão que, segundo os executivos, já foi normalizada:

 

"Não acredito em gargalo na cadeia de fornecimento. Tivemos alguns problemas durante a pandemia, mas os embarques já foram retomados. O grande desafio agora é a indústria local, que precisará acompanhar a retomada e ainda corre o risco de possíveis lockdowns", disse o diretor da CNH Industrial. 

 

Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea que responde agronegócio, desenhou um cenário positivo para o setor nos próximos meses, mas levantou uma questão antiga: a previsibilidade e o crédito para que os agricultores possam investir e aumentar a rentabilidade:

 

"Precisamos que o próximo Plano Safra tenha recursos disponíveis para o ano todo. Este ano, por exemplo, não temos crédito para os grandes produtores, porque as taxas não são atrativas. No caso dos pequenos ainda existe algum recurso, mas eles não conseguem acessar pela falta de apetite dos bancos em emprestar". 

 

No segmento de máquinas de construção o cenário mostrado por Eduardo Redes, chefe de infraestrutura da KPMG para Brasil e Latam, não é animador: baixo nível de investimento nos últimos anos por causa da recessão e sem perspectiva de retomada a curto prazo, considerando o cenário atual do País e a situação econômica, ambos impactados pela pandemia da covid-19.

 

Mesmo diante desse cenário, Thomas Spana, gerente de vendas da John Deere no Brasil, sinalizou para fornecedores e clientes que outras áreas também demandam máquinas de construção, como o próprio agronegócio, a mineração e o setor de locação de equipamentos: "Os negócios fechados nesses segmentos puxarão o setor, que não deverá ter um ano tão ruim, encerrando 2020 com volume próximo com o de 2019, depois de dois anos de forte crescimento".

 

Paula Araújo, vice-presidente da New Holland Construction para América do Sul, também apostou em outros segmentos para impulsionar seus negócios, descartando no curto prazo um volume nas vendas acima do registrado nos últimos meses. E revelou que entidades do setor enviaram um documento ao governo federal com uma série de medidas que visam estimular o setor e até ajudar na retomada dos investimentos em infraestrutura. 

 

Foto: Reprodução.