Exportações equilibram as contas da Zen

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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19/05/2020

São Paulo – O dólar valorizado frente ao real tem criado dificuldades para empresas que dependem de importações ou possuem compromissos em moeda estrangeira. Mas o quadro pode ajudar empresas com forte perfil exportador, como é o caso da fabricante de autopeças Zen, que mantém produção em Brusque, SC. O cenário colabora para equilibrar as contas ou, pelo menos, proteger sua operação em tempo de economia retraída.

 

“Estabelecemos três cenários possíveis para o ano. O mais provável é aquele em que terminamos com uma queda de até 25% no faturamento”, disse na terça-feira, 19, seu diretor comercial, David Catasiner. O discurso de queda, recorrente na indústria automotiva quando considerado os reflexos da covid-19 nos negócios, difere, no entanto, no que diz respeito aos ânimos da empresa em torno do possível resultado: “Esta queda poderia ser maior não fossem as exportações”.

 

Acontece que no caso da Zen, segundo o executivo, o dólar alto – cotado a R$ 5,74 na terça-feira – criou um ambiente propício para que a perda de volume exportado fosse compensada por um faturamento não tão baixo quando convertido em reais, embora a empresa, ainda, dependa pouco da importação de insumos. Durante o tempo em que enfrentou forte pressão no Brasil, com montadoras e lojas fora de operação, a Zen conseguiu manter os embarques de seus produtos para grandes mercados, como China e Estados Unidos.

 

“No caso da China o país conseguiu retomar a produção industrial e atender à sua demanda interna. Lá nós temos produção local que recebe partes feitas em Brusque. Nos Estados Unidos a queda foi pouca, beirando a zero, nos clientes que atendemos ali exclusivamente com produtos fabricados no País que atendem tanto ao mercado OEM quanto o de reposição."

 

Este último, especificamente, hoje é visto pela companhia como uma espécie de balaio de oportunidades – há a crença de que nos próximos meses, sem saber quais e quantos, o mercado de veículos seminovos e usados proporcionará ganhos mais interessantes do que os veículos novos por causa de perspectiva de consumo: “Enxergamos que o consumidor ficará mais tempo com o seu veículo. O contexto é favorável ao mercado de reposição, que é considerado mais resiliente no momento”.

 

Por ora, entretanto, o mercado dá sinais de que ambos os segmentos, novos e usados, enfrentam dificuldades em termos de financiamento. Segundo dados da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, o volume de veículos novos financiados caiu 61,4% na comparação com o registrado em abril do ano passado. Já a queda nos usados, na mesma base de comparação, foi de 53,6%.

 

De qualquer forma há otimismo na fábrica instalada no Vale do Itajaí, que completa 60 anos neste maio. O câmbio valorizado, novamente ele, é visto como agente que abrirá espaço para as autopeças nacionais no mercado de originais em futuro não tão distante: “O dólar chegou a quase 6 reais e acho que, mesmo após a pandemia, ficará acima dos 5. Isso é bom para a indústria nacional porque a torna competitiva frente às estrangeiras”.

 

Se há dois anos a Zen se via em meio a um cenário muito promissor com relação às exportações, inclusive com expectativa de crescimento de 20%, hoje o assunto é considerado crítico porque, afora os mercados grandes, os demais onde a empresa buscava expansão fecharam suas portas. São os casos de Argentina, Chile, Colômbia e Peru, que compunham importante parcela no seu mix de exportações.

 

Havia também entusiasmo em torno da possibilidade de explorar o mercado OEM com oferta de componentes para sistema start-stop, a polia de roda livre. De acordo com David Catasiner alguns projetos foram suspensos, outros seguem em negociação com empresas sistemistas. A Zen, hoje, trabalha com jornada reduzida em 70% da linha de peças para o mercado de reposição. A linha de peças para OEM está paralisada. Seu quadro é composto por oitocentos funcionários.

 

Foto: Divulgação.