São Paulo – Em maio foram produzidas 103,8 mil motocicletas pelas empresas associadas à Abraciclo, entidade que representa as fabricantes nacionais instaladas no PIM, Polo Industrial de Manaus. Esse volume poderia ser maior, de acordo com o presidente Marcos Fermanian, que admitiu que o principal entrave do setor são as restrições impostas pela pandemia:
"Temos como produzir mais e não temos problemas de paradas por falta de componentes. O que acontece é que precisamos de mais gente nas fábricas para elevar a produção, o que não é possível por causa do distanciamento necessário para manter a saúde dos colaboradores."
O volume produzido em maio foi 15,1% menor do que o registrado no mês anterior. Com relação a maio de 2020 houve crescimento de 600,9%, por causa dos reflexos da pandemia, que derrubaram a produção naquele mês.
No acumulado até maio foram produzidas 463,4 mil unidades, alta de 47,5% ante 2020, volume e índice que poderiam ser maiores caso os impactos da segunda onda da covid-19 em Manaus, AM, não tivessem sido tão severos em janeiro e fevereiro.
Com esse resultado a Abraciclo manteve sua projeção de produzir 1 milhão 60 mil unidades no ano, mas já espera um volume menor em julho por causa das férias coletivas que acontecem todo ano no período, segundo Fermanian.
Sobre o descompasso da oferta com a demanda ele disse que no começo do ano era em torno de 150 mil unidades e, atualmente, está em torno de 100 mil: "Esperamos diminuir esse volume a partir de setembro, com a produção retomando o ritmo depois das férias de julho. Mas tudo isso depende do controle da pandemia, porque uma terceira onda de contaminação pode acontecer".
Enquanto a produção recuou em maio os emplacamentos cresceram 16,6% sobre abril, com 110,4 mil entregas, comprovando a demanda reprimida do mercado: "As motos médias e grandes estão em situação mais equilibrada. Já as pequenas, de grande volume, ainda sofrem com a falta de produto".
O resultado de maio foi o melhor para o período desde 2014.
De janeiro a maio foram comercializadas 410,5 mil unidades, crescimento de 34,9% ante iguais meses do ano passado, resultado impulsionado pelos mesmos fatores da produção. Aqui a Abraciclo também manteve sua projeção de vender 980 mil motocicletas.
As exportações chegaram a 21,8 mil unidades até maio, sendo que 4,4 mil delas foram embarcadas no mês passado, alta de 191,9% ante os cinco primeiros meses de 2020. Fermanian afirmou que esse crescimento foi impulsionado por encomendas maiores da Colômbia e dos Estados Unidos, compensando parte do recuo nas vendas para Argentina que, historicamente, é o principal parceiro comercial do Brasil.
A indústria nacional de motocicletas empregava, até fevereiro, dado mais atualizado da Abraciclo, 12 mil 964 colaboradores, contingente 1% maior do que em 2020: "Acredito que esse número já aumentou porque existe uma tendência de contratações, mas ainda não temos os dados atualizados".
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