Santo André, SP — O segmento de ônibus é o que mais sofre com a pandemia do novo coronavírus e a necessidade de isolamento social. Por se tratar de veículo coletivo, a demanda caiu drasticamente e, no mês passado, saíram das linhas de produção 1 mil 533 unidades, queda de 5,5% na comparação mensal e de 4,2% na anual. De acordo com a Anfavea, que realizou divulgação de dados nesta sexta-feira, dia 6, foi o pior julho desde 1999.
No acumulado do ano foi registrado crescimento de 12,1% ante igual período em 2020, com a fabricação de 11 mil 857 exemplares, menor volume desde 2019. O resultado foi ajudado pelo programa do governo federal Caminho da Escola, que teve início em 2019 e agora se aproxima do fim, por isso o reflexo é menor. De acordo com o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini, foi feita nova licitação, mas só no segundo semestre haverá impacto, embora ele ainda não consiga estimar qual, dado que a nova operação ainda não começou. “Em julho cerca de 25% dos emplacamentos foram para o Caminho da Escola, mas agora restam poucas unidades.”
Com isso, os licenciamentos de 0 KM atingiram 1 mil 270 unidades, queda de 11,2% ante junho e de 16,6% frente a julho de 2020. Foi o pior resultado mensal desde abril e o menos expressivo para os meses de julho desde 2017. A média diária de emplacamentos foi de 58 por dia no mês passado – em 2020 foram 66 e, em 2019, 79.
No acumulado do ano, foram vendidos 8 mil 808 ônibus, 21,7% mais do que em 2020, quando a rigidez do isolamento social era maior. Tanto que o segmento de urbanos foi o mais participativo, com 31% do total. “Independentemente do programa federal, o setor é o que mais sofre. O mercado está bem fragilizado.”
Mesmo antes da pandemia, Saltini lembra que a situação não era muito confortável, pois há a questão da tarifa, que impacta na inflação. “Neste cenário, os custos aos transportadores pesam, é uma conta difícil de fechar.”
Exportações – Em julho foram exportados 331 ônibus, volume 41% inferior ao obtido no mesmo mês do ano passado. Em relação a junho, a queda é de 2,9%, mesmo porcentual de retração no acumulado do ano em comparação 2020, com 2 mil 220 exemplares.
Foto: Freepik.