São Paulo — Dados da Anfavea divulgados na quarta-feira, 8, indicam que as exportações da indústria automotiva brasileira registraram recuperação em março. Ainda acumula, no entanto, forte retração no primeiro trimestre de 2026, refletindo um cenário externo mais desafiador para o setor.
Os embarques de veículos somaram 40,4 mil unidades em março, crescimento de 21,1% sobre fevereiro, que obteve 33,4 mil, e leve alta de 1,1% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando foram exportadas 40 mil unidades. Apesar da reação o resultado não foi suficiente para compensar o desempenho fraco do início do ano: no acumulado de janeiro a março as exportações totalizam 99,7 mil unidades, queda de 18,5% frente às 122,4 mil registradas no mesmo período do ano passado.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, justificou: “Março surpreendeu positivamente, com embarques melhores do que em fevereiro, mas ainda estamos abaixo do ano passado. No acumulado seguimos cerca de 18,5% abaixo do que fizemos em 2025”.
O desempenho por segmento mostra comportamentos distintos. Nos automóveis, principal volume exportado, houve avanço relevante na margem: foram 30,4 mil unidades em março, alta de 27,6% sobre fevereiro que obteve 23,8 mil e crescimento de 3% com relação a março de 2025. Ainda assim, no trimestre, o segmento acumula 74 mil unidades embarcadas, retração de 18,2% frente às 90,5 mil do ano passado.
Nos comerciais leves o movimento foi mais irregular. As exportações caíram 9,5% na passagem de fevereiro para março, de 8,1 mil para 7,3 mil unidades, embora tenham registrado leve alta de 1,2% na comparação anual. No acumulado do trimestre o segmento soma 20 mil unidades, queda de 18,3% sobre as 24,5 mil exportadas no mesmo período de 2025.
Já o segmento de pesados apresentou maior volatilidade. As exportações de caminhões mais do que dobraram na comparação mensal, passando de 1,2 mil unidades em fevereiro para 2,4 mil em março, alta de 108,8%. Ainda assim o volume ficou abaixo do registrado um ano antes com 2,6 mil unidades, e o acumulado do trimestre aponta queda de 20,7%, com 4,7 mil unidades embarcadas frente a 5,9 mil em 2025.
No caso dos ônibus o desempenho segue mais pressionado. Foram exportadas 299 unidades em março, queda de 12,6% com relação a fevereiro e recuo expressivo de 53,4% na comparação com março do ano passado. No acumulado do trimestre os embarques somam 950 unidades, retração de 33,5% frente às 1,4 mil unidades de 2024.
Segundo a Anfavea o cenário é marcado por dinâmicas heterogêneas dos mercados de destino. A Argentina apresentou leve crescimento, mas com perda de participação do Brasil, enquanto o México segue impactado por mudanças na organização produtiva regional. Por outro lado a Colômbia desponta como principal vetor de recuperação, com crescimento superior a 20% no trimestre e avanço de cerca de 50% apenas em março.