São Paulo – A indústria fechou julho com um dos piores níveis de estoque desde que a Anfavea começou a medir o índice: 85,1 mil veículos ocupavam os pátios das montadoras e concessionárias, contra 93 mil unidades ao fim de junho. O volume consegue abastecer por quinze dias a demanda atual do mercado, que já está reduzida por causa da falta de oferta de veículos.
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, disse durante a divulgação do balanço na sexta-feira, 6, que não espera grandes mudanças nos próximos meses: "Por causa desse desafio da falta de semicondutores e outros componentes vamos trabalhar com um estoque bem justo nos próximos meses. Acredito que haverá uma normalização somente a partir do segundo semestre de 2022, quando a cadeia global de produção estará mais estabilizada".
O executivo ressaltou, mais uma vez, o grande trabalho das equipes de logística das montadoras para conseguirem manter as linhas de produção operando, driblando os gargalos com diversos componentes.
A média diária do mês passado foi a menor do ano: 8 mil unidades. Em julho as vendas somaram 175,5 mil veículos, queda de 3,8% na comparação com o mês anterior e alta de 0,6% com relação a julho de 2020.

No acumulado do ano os emplacamentos somaram 1 milhão 250 mil unidades, alta de 27,1% ante os sete primeiros meses de 2020. Porém Moraes ressaltou que esse incremento ocorreu sobre uma base baixa, impactada pela pandemia da covid-19, que resultado no fechamento das revendas e paralisação das fábricas no segundo trimestre do ano passado.
Nesse período o segmento que mais cresceu foi o de comerciais leves, com vendas 54,6% maiores do que em 2020, seguido pelos caminhões, alta de 49,2%, enquanto os ônibus cresceram 21,7% e o automóveis apresentaram o menor porcentual de expansão, 20,2%, mostrando mais uma vez as dificuldades com semicondutores e outros componentes.
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