Santo André, SP — A pujança do agronegócio e da mineração brasileiros, aliada à maior demanda trazida pelo e-commerce, que passou a ocupar posição de destaque na economia com a pandemia de Covid, segue aquecendo a demanda por caminhões. Tanto que de janeiro a julho foram produzidos 89,5 mil, alta de 115% ante igual período em 2020. Trata-se do melhor acumulado do ano desde 2013.
Conforme dados divulgados pela Anfavea nesta sexta-feira, 6, no mês passado saíram das linhas de produção 14,8 mil veículos, volume 117% superior ao registrado um ano atrás. Na comparação mensal houve estabilidade, com variação positiva de 1,1%. Foi o melhor desempenho desde fevereiro de 2014 e, considerando os meses de julho, foi o mais expressivo desde 2013.
O vice-presidente da entidade, Marco Saltini, pondera apenas que, apesar dos resultados expressivos diante da forte demanda por caminhões, impulsionada pela retomada da economia, há que se pesar que um ano atrás, quando a pandemia eclodiu no País, as fábricas ficaram várias semanas paradas, o isolamento social era mais intenso e, por isso, a base de comparação é menor.
Com relação ao licenciamento dos 0 KM a média diária está melhor do que em 2019: neste ano, 544 caminhões foram emplacados por dia, enquanto que em 2020 eram 415 e, no ano anterior, 389. O executivo, no entanto, descarta que o movimento já sofra impacto da antecipação de compra devido à mudança de motorização para Euro 6, que entrará em vigor entre o fim de 2022 e início de 2023. “Estamos em um ritmo normal de crescimento diante da conjuntura econômica. E recuperando período muito ruim para o setor em 2016 e 2017, quando o volume chegava a 50 mil unidades por ano.”
De janeiro a julho, as vendas somaram 70,7 mil unidades, volume 49,2% superior ao registrado em igual período em 2020 – e, se compararmos ao montante comercializado em 2018, por exemplo, o crescimento é de 83,1%. É o melhor acumulado do ano desde 2014 – título que já havia sido obtido no primeiro semestre e que foi mantido em julho.
No mês passado foram comercializados 12 mil caminhões, 5,3% mais que em junho e 25,5% mais que no mesmo mês em 2020. Foi o melhor resultado desde dezembro de 2014 e, considerando os meses de julho, também o mais expressivo desde 2014. “Todos os segmentos tiveram aumento nos emplacamentos, exceto o de pesados, que retraiu 4,3%. Mas ele ainda possui a maior participação nas vendas de caminhões, respondendo por 48% do total. Se considerarmos pesados e semi-pesados, chega a 73%.”
Saltini avalia que, apesar da demanda, o cenário seria “menos difícil” caso não houvesse percalços com insumos, principalmente os semicondutores, pois, mesmo sendo afetado em menor escala do que os automóveis, o segmento também foi atingido. Sem projetar um número, ele afirma que o ritmo de produção estaria em um patamar um pouco acima e, consequentemente, o mercado também. “Muito tem se falado sobre a espera por caminhões. Embora normalmente o setor opere com compra programada, acredito que o volume de vendas poderia ser maior, chegando a 13 mil unidades por mês.”
Exportações – Foram embarcados a outros países 12 mil 615 caminhões neste ano, volume 109,7% superior ao período de janeiro a julho de 2020, sendo 1 mil 884 somente no mês passado – alta de 54,8% ante julho do ano passado e de 6,6% frente a junho.
“Tivemos o melhor julho desde 2018, e a Argentina continua sendo o nosso melhor mercado. O que ocorre no Brasil é a retomada da economia e, por isso, conseguimos performance adequada. Nosso produto é muito bem aceito. Mas poderia ser melhor se tivéssemos condições de competitividade um pouco melhor no País, principalmente quando comparamos com os asiáticos.”
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