São Paulo – Estado com maior participação nas vendas de veículos no Brasil, São Paulo vem perdendo terreno em 2021. Desde janeiro o ICMS que incide nos veículos vendidos nas concessionárias paulistas, tanto novos como usados, foi reajustado. Um novo aumento ocorreu em abril e a conta, segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, foi repassada ao consumidor.
O reflexo pode ser visto nas tabelas de vendas por estado: enquanto no Brasil, de janeiro a julho, as vendas de veículos subiram 27% sobre igual período do ano passado, para 1 milhão 250 mil unidades, em São Paulo o aumento foi de apenas 13%, para 273,1 mil unidades.
“Nós avisamos que haveria impacto nas vendas”, afirmou Moraes, que diz manter conversas com o governo paulista para tentar reverter a decisão. No caso dos 0 KM o imposto, que era de 12%, subiu para 13,3% em janeiro e para 14,5% em abril. “O tema está na mesa. Após três meses levamos ao governo o efeito deste aumento. Não é hora de elevar a carga tributária”.
Os grandes prejudicados são os concessionários paulistas. Dados que a Anfavea divulgou indicam que muitas das vendas podem estar sendo fechadas em estados vizinhos. No Rio de Janeiro, por exemplo, os emplacamentos de janeiro a julho cresceram 66%. No Paraná a alta foi de 20%. E em Minas Gerais, 39% – e o Estado pode, nos próximos meses, superar São Paulo como maior mercado do Brasil: até julho foram 258,7 mil unidades vendidas.
É um indicativo de que o consumidor está migrando para outros estados em busca de preços mais acessíveis, sobretudo em municípios limítrofes. Moraes garantiu, porém, que a Anfavea não jogou a toalha:
“Não paramos de questionar. Pedimos que revertessem a partir de 1º de julho, para que no segundo semestre fosse possível um cenário mais favorável. Seguimos questionando, não paramos antes, durante e nem depois das medidas serem anunciadas”.
Foto: snowking/Freepik.