Taubaté, SP – A partir de janeiro, com a produção em série do Polo Track em Taubaté, SP, a Volkswagen terá todas as suas fábricas da América do Sul aptas a produzir veículos sobre a plataforma MQB, mais flexível por sua modularidade. Com o fim da produção do Gol e do Voyage, e com exceção da picape Saveiro, montada na Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, todos seus modelos na região serão montados sobre esta plataforma.
Sem informar valores, mas dizendo que fazem parte do plano de R$ 7 bilhões de investimentos até 2026, a Volkswagen promoveu uma série de mudanças na fábrica da região do Vale do Paraíba a fim de moderniza-la para a produção do novo modelo. Novos equipamentos, mais robôs e até sistema de solda mais moderno foram incorporados às linhas da unidade, inaugurada em 1976 e que teve como primeiro modelo ali produzido o Passat, dois anos depois.
A reportagem da Agência AutoData visitou as áreas de estamparia, armação de carroceria e montagem final. A fábrica já monta, ainda em fase de testes, o Polo Track, que ganhou um espaço novo dentro do body shop, onde foram concentradas as novidades.
Ali estão os oitenta robôs novos, que ampliaram para 240 o total presente na área. Segundo o gerente da unidade, Vilque Rojas, um desafio foi combinar dois robôs de tecnologias distintas, parte fornecido pela Kuka, parte pela Fanuk, para trabalharem junto na automação das carrocerias. A área também ganhou uma solda a laser trifocal, única da VW no País, que permite soldar peças de diferentes tipos de material, como chapas estampadas a quente e a frio ou galvanizadas.
A área passou a ter câmaras que fazem, em tempo real, checagem dos pontos de solda. Isso permite, de acordo com Rojas, que possíveis erros sejam detectados e corrigidos na hora, evitando retrabalho e mais custos.
Na montagem a principal mudança foi na ampliação e na adaptação da área do Fahrwerk, popularmente conhecido como casamento, onde chassi, powertrain e carroceria são integrados. Há uma particularidade: Taubaté é caso único no mundo Grupo VW em que esta união é feita com a linha em movimento: “Foi uma solução da engenharia local. Quando levamos isso para a Alemanha eles acharam que seria inviável mas conseguimos fazer”.
Na estamparia nada mudou, ainda que os moldes do Polo Track sejam novos – e milhões de reais tenham sido gastos neles. Mas impressiona a linha de prensa, composta por quatro unidades, que fazem quinze golpes por minuto e produzem 103 peças diferentes.
Rojas disse que de dezembro a janeiro, no período de festas, as linhas pararão por duas semanas para que os últimos ajustes possam ser feitos: “É um desafio muito grande: a fábrica dormirá produzindo Gol e Voyage e acordará com Polo Track nas linhas. Nossa meta é que em oito semanas a produção alcance seu volume total, de 714 unidades por dia”.