Produção cresceu abaixo do esperado, sobre base afetada pela crise dos chips
São Paulo – A demanda por veículos 0 KM começa a dar sinais de desaceleração neste início do ano, segundo avaliou Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, em entrevista coletiva de divulgação dos resultados de janeiro, na terça-feira, 7. Com 142,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus emplacados no primeiro mês do ano o crescimento foi de 12,9% sobre as 126,5 mil unidades de igual período de 2022, índice considerado baixo pela entidade.
Comparado com dezembro as vendas caíram 34,1%.
“Esperávamos um crescimento bem maior. O problema foi mais demanda do que oferta: no ano passado, por causa da crise dos componentes que prejudicou o ritmo da produção, o resultado em janeiro foi baixo. Agora não é só problema de produção, pois a demanda começa a dar sinais de desaceleração.”
O presidente da Anfavea enfatizou, ainda, que a atual política do Banco Central de manter a taxa Selic em níveis elevados, como maneira de conter a inflação, atinge diretamente o desempenho do mercado brasileiro de veículos, altamente dependente de financiamentos: “Os juros [para aquisição de veículos] estão na casa dos 30% ao ano. Com a taxa de juros atual o mercado não cresce”.
Lima Leite, porém, ressaltou que historicamente o mês de janeiro representa em torno de 7% das vendas de veículos de todo o ano. Não está, portanto, fora das projeções da Anfavea para o mercado em 2022, de 2 milhões 40 mil unidades.
Enquanto isto o estoque se recompõe. As fábricas e as revendas encerraram janeiro com 180,8 mil veículos nos pátios, equivalente a 38 dias de vendas. O executivo lembrou que, antes da pandemia, o estoque girava na casa das 300 mil unidades e “não está nada fora do normal, portanto”.