São Paulo – Um em cada três brasileiros deixarão de comprar carro, novo ou usado, nos próximos seis a dezoito meses por causa do alto custo de propriedade e manutenção do veículo. De 1,2 mil pessoas ouvidas em pesquisa da Ipsos em dezembro, a Ipsos Driver’s, 33,4% responderam que IPVA, licenciamento, seguro e custos de manutenção afastam os compradores das concessionárias.
Em segundo lugar ficaram as elevadas taxas de juros para financiamento, com 32,5% das respostas. Segundo Marcelo Pereira, diretor da Ipsos, as compras financiadas representavam a maior parte das vendas do veículo, cenário que mudou no ano passado e não indica melhora no poder aquisitivo dos brasileiros:
“Quem comprava o veículo financiado não consegue comprar à vista, na maioria das vezes, e este público está adiando a compra”.
O preço dos combustíveis ficou com o mesmo porcentual dos financiamentos, mas de acordo com o diretor a quantidade de respostas poderia ser maior porque os consumidores foram entrevistados em dezembro, quando ainda havia um subsídio no preço e, após os reajustes, esse item poderia ter peso ainda maior, como já teve em outras pesquisas.
No caso dos pontos que motivam a compra de um veículo a relação custo/benefício foi o ponto mais citado pelos entrevistados, com 39,3% das respostas. Nesse caso o consumidor avalia o preço que vai pagar e compara com o que ele vai receber em troca. Quando acha que a conta fecha, encontrando conforto, independência e flexibilidade por um preço que considera justo, ele efetua a compra, de acordo com Pereira.
Após a decisão de compra apareceu o segundo ponto mais importante, a economia de combustível, se o modelo escolhido tem o consumo esperado, correspondendo a 36,9% das respostas. Em terceiro lugar ficou o custo de manutenção, revisão e reparos do veículo, com 36,1%, mas é a soma desses itens que o consumidor compara com seus benefícios para definir a aquisição.
A maior parte dos entrevistados na edição 2023 da pesquisa são da classe C, cerca de 682 pessoas, 443 consumidores da classe B e os demais da classe A. A proporção homens-mulheres foi de 50%. Elétricos e Híbridos – Este segmento também começou a ser explorado na Ipsos Driver’s a partir desta edição e, dos 1,2 mil entrevistados, 87% já ouviram falar desse tipo de tecnologia. Mas, quando perguntados sobre algum tipo de contato ou conhecimento sobre os veículos eletrificados, 74% responderam que nunca andaram ou conheceram de perto. A falta de contato pode estar relacionada ao alto preço desses veículos, que ainda são restritos a uma pequena parcela da população.