Segundo a entidade, que representa as associações de marcas presentes no mercado brasileiro, ao contrário do que aconteceu com automóveis e comerciais leves, que em dois meses consumiram todos os R$ 800 milhões em créditos tributários colocados à disposição para bancar os descontos, o efeito do programa de R$ 1 bilhão para veículos pesados foi bastante reduzido: só R$ 320 milhões, ou 32%, foram solicitados pelas montadoras e nem tudo foi efetivamente utilizado, segundo dados do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atualizados até 28 de setembro.
Dirigentes da Fenabrave avaliam que a complexidade do programa desenhado para veículos pesados, que previa a concessão dos descontos sob a condição de entregar para sucateamento outro veículo antigo de mesmo porte com mais de vinte anos de uso, acabou por limitar a efetividade da ação do governo.
Caminhões em queda maior do que a esperada
No início deste ano a Fenabrave previa a estabilidade do mercado de caminhões em 2023, com 124 mil vendas. Agora a projeção baixou para 96 mil unidades e queda expressiva de 23,2% sobre 2022.
De acordo com dados do Renavam consolidados pela entidade e divulgados na terça-feira, 3, em setembro foram emplacados 8,4 mil caminhões, o que representou recuo de 5,8% sobre agosto e retração de 23,8% na comparação com o mesmo mês de 2022. No acumulado de nove meses a soma é de 75,9 mil caminhões emplacados, volume 17,5% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo o presidente da entidade, José Maurício Andreta Jr., “o segmento veio de dois anos muito positivos, mas o crédito restrito e o ajuste de preços dos novos modelos afetou o desempenho do mercado”.
O dirigente observou que os descontos oferecidos no programa do governo, aliado à complexidade de se entregar outro veículos em troca para sucateamento, não foram suficientes para superar os aumentos de preços dos caminhões, de 15% a 30%, devido à adoção de motorização Euro 6 para atender à fase 8 da legislação brasileira de emissões para veículos pesados, o Proconve P8, em vigor desde o início de 2023.
Dos R$ 700 milhões em créditos tributários disponíveis para bancar os descontos a caminhões apenas R$ 130 milhões, ou 18,6%, foram solicitados pelos fabricantes. Segundo a Fenabrave após o vencimento da MP que criou o programa não há qualquer indicativo de que o programa seja estendido ou de que os R$ 570 milhões que restaram para patrocinar descontos sejam dedicados a qualquer outro programa, como o Renovar, criado no fim de 2022 com objetivos parecidos de renovar a frota nacional de caminhões.
Vendas de ônibus surpreendem
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Se as vendas de caminhões decepcionam mais do que o esperado este ano as de ônibus surpreendem, o que levou a Fenabrave a revisar para cima suas expectativas: a entidade projeta 26 mil unidades, em crescimento de 18,2% sobre 2022. No início de 2023 a projeção era de 23 mil unidades e leve avanço de 4,5%.
Apesar de os frotistas de ônibus e vans terem utilizado proporcionalmente bem mais os descontos da MP – R$ 190 milhões, ou 63,3% dos recursos disponíveis de R$ 300 milhões – não foi exatamente por causa do programa que a Fenabrave atualizou para cima sua projeção de vendas do segmento.
Para a entidade fez mais efeito a recuperação das vendas nos segmentos rodoviário e de fretamento e a eficiência na adoção de uma nova fase do Programa Caminho da Escola, que no próximo dia 9 de outubro deverá licitar mais 16,3 mil ônibus – e a maioria deles nem deverá ser emplacada este ano, devendo influenciar positivamente também o desempenho de 2024.
No acumulado de janeiro a setembro a Fenabrave contabilizou o emplacamento de quase 19 mil ônibus, em alta de 23,7% sobre o mesmo período de 2022. No mês passado o resultado não foi tão bom, com cerca de 1,9 mil licenciamentos e queda de 4% na comparação com agosto, bem como retração de 26,3% com relação a setembro do ano anterior.
Para o presidente da Fenabrave houve apenas um pequeno intervalo na recuperação das vendas do segmento: “Os emplacamentos de ônibus passam por um momento de consolidação da recuperação iniciada ainda em 2022. Este, que foi um dos segmentos mais impactados pela pandemia, vem se recuperando e com mais força ainda neste ano, quando foi beneficiado pelo Programa Caminho da Escola, cuja adoção foi efetiva para o setor”.