São Paulo – Após encerrar 2023 com crescimento na casa dos 5% o mercado brasileiro de pneus deverá passar por um ano de estabilidade, com um possível pequeno crescimento, disse Vicente Marino, presidente da Bridgestone para a América do Sul. Segundo ele o mercado de automóveis e comerciais leves seguirá em alta em 2024, com ritmo semelhante ao deste ano, e as vendas para caminhões também crescerão, mas sem recuperar as perdas de 2023:
“Em caminhões o volume de 2022 retorna apenas em 2025”, disse o executivo a jornalistas na terça-feira, 5. Segundo Marino a retração foi maior do que esperava: as projeções internas da Bridgestone consideravam apenas a chegada do Euro 6 como fator negativo, mas a elas se juntaram questões como taxa de juros e dificuldade de acesso ao crédito.
Para sofrer menos com as instabilidades do mercado interno e expandir suas fábricas instaladas no País a Bridgestone busca ampliar suas exportações, que hoje representam cerca de 20% do total produzido. Esse porcentual é o mínimo considerado saudável para uma operação local, de acordo com Marino, que busca chegar aos 30% no médio prazo.
A companhia mantém sinal de alerta ligado com as importações: segundo o presidente 50% das vendas mensais são de pneus vindo de fora do Brasil, principalmente da Ásia: “Existem produtos que têm preço final igual ao que nós gastamos com matéria-prima para produzir localmente e eles não estão pagando os impostos como deveriam. Desta forma fica difícil competir localmente e garantir futuros investimentos, o que coloca em risco o futuro da indústria local de pneus”.
No ano passado os pneus importados representaram 30% das vendas. Em 2023 estão em 50% e, se nada mudar, este porcentual seguirá aumentando, disse o presidente da Bridgestone. A luta em 2024 será por regras equivalentes, com importadores e produtores locais pagando os mesmos impostos pois, segundo Marino, o problema não é pagar os impostos mas, sim, as vantagens dos importados.
Mesmo com todas as dificuldades a Bridgestone segue acreditando no Brasil e quer se manter na liderança do setor de pneus: “Se os produtos serão locais ou importados isto dependerá das regras para o futuro”.
A Bridgestone mantém quatro fábricas no Brasil, duas de recapagem e duas de pneus novos. Futuros investimentos já estão sendo negociados com a matriz, mas dependem muito de mudanças no cenário de importação de pneus no País.
A fábrica de Camaçari, BA, da Bridgestone, está operando em três turnos, mas com jornada reduzida, sem produzir aos domingos. Na de Santo André, SP, foi adotado um layoff para 1,6 mil funcionários, com grupos de quinhentas pessoas aproximadamente afastado cerca de seis meses, para equilibrar a produção.