Se deve ao fato de que no Brasil a fatia dedicada a caminhões, cujo mercado deverá encolher 37%, responde por mais da metade da produção
São Paulo – A crise enfrentada pelo segmento de veículos comerciais pesados devido à transição para o Euro 6 e o inerente aumento de preços, aliado à elevação dos juros e à maior restrição ao crédito, não deixou ilesos os fabricantes de componentes. Incluída aí a Iochpe-Maxion, que produz rodas e componentes estruturais e que deverá acompanhar o desempenho previsto este ano para o setor: no caso dos caminhões, segundo a Anfavea, encolha de 37%. 55% da produção na América do Sul, leia-se Brasil e Argentina, é dedicada a estes veículos — globalmente o porcentual é 43% –, a participação da região na receita total do grupo, até setembro, diminuiu de 30% para 26,5%.
Com o encolhimento do mercado de veículos comerciais no Brasil o mix de fornecimento foi alterado. Por exemplo: a Daimler, cliente global no Brasil representado pela Mercedes-Benz, que em 2022 respondia por 15,2% das compras, este ano passou para 13,9%, e e o Grupo Traton, que inclui Scania e VW Caminhões e Ônibus, recuou de 11,4% para 9,2%.
Ao mesmo tempo, para efeito de comparação, a fatia de comercialização de marcas como Volkswagen, Audi e Skoda avançou de 8,4% para 10%, a da Ford foi de 9% para 9,3% e a da Stellantis de 8,2% para 8,3%.
De janeiro a setembro a receita consolidada da companhia somou R$ 11,7 bilhões, contra R$ 17 bilhões no ano passado todo, avanço de 18,4% desde 2010, quando faturou R$ 2,2 bilhões. A companhia não divulgou comparativo dos nove meses de 2022.
Para 2024, no entanto, baseado na perspectiva de retomada dos veículos comerciais, cuja produção deverá saltar 30%, dos 123 mil esperados para este ano para 160 mil no ano que vem, a representatividade da região deverá recuperar os 30%, estimou o presidente da Iochpe-Maxion, Marcos de Oliveira, durante conversa com jornalistas na quarta-feira, 13. Ele assinalou que fatores como a continuidade da queda dos juros, o aumento do PIB e o bom desempenho do setor agrícola reforçam a perspectiva positiva.
Tanto que este ano foi concluído investimento de R$ 100 milhões na fábrica de Cruzeiro, SP, para a ampliar a capacidade produtiva em 20%, o que adiciona 400 mil rodas/ano para caminhões e 110 mil rodas/ano para máquinas agrícolas.
“O investimento foi realizado olhando para o futuro. Acreditamos que o mercado brasileiro crescerá em 2024. Este ano a indústria estimava recuo de 15% a 20% para caminhões e a queda foi muito maior. Mas há indícios de retomada e estamos preparados para atender a demanda que virá com ela.”
Este ano a companhia avançou na produção para máquinas agrícolas a fim de reforçar seu portfólio dentro do segmento de veículos comerciais. A ideia, segundo Oliveira, é manter este plano no ano que vem.
A Iochpe-Maxion opera em dois turnos de produção no Brasil, com uso de 80% da capacidade instalada: “Somos capazes de atender à demanda projetada para 2024 e 2025, assim como aos lançamentos do mercado de leves”.
Segundo Marcos de Oliveira a Iochpe-Maxion está preparada para a retomada do mercado de caminhões após ampliar a capacidade de produção em Cruzeiro, SP. Crédito: Divulgação.
Na Argentina, que integra a divisão da América do Sul, boa parte da produção atende ao mercado brasileiro, seja por meio das rodas para picapes seja pelos componentes estruturais para caminhões embarcados para cá.
Com as mudanças anunciadas pelo novo governo argentino, como o reajuste do câmbio oficial, que se alinhará à inflação, e o aumento do imposto que incide nas exportações, o executivo disse que ainda está fazendo as contas do impacto no curto e médio prazos:
“Apesar da desvalorização da moeda e da inflação galopante em 2022 e 2023 viemos nos adaptando a esta realidade e as coisas estavam caminhando bem. Agora vamos avaliar o reflexo dessa medida”.
Em 2023 mais de um terço do faturamento proveio da Europa
Com modelo de negócios de produzir onde vende a Iochpe-Maxion fabrica em torno de 50 milhões de rodas automotivas por ano em suas 33 unidades, em catorze países.
A Europa apresentou maior contribuição ao faturamento da multinacional brasileira no acumulado dos nove meses de 2023, com 35%, seguida da América do Norte, com 29%, América do Sul, com 26,5%, e Ásia e outros com 9,5%.
Do total da receita da Iochpe-Maxion a maioria, ou 31%, provêm da venda de rodas de alumínio para veículos leves. Do restante 23% são rodas de aço para veículos leves, 22% de rodas de aço para veículos comerciais, 21% de componentes estruturais para veículos comerciais e 3% de componentes estruturais para veículos leves.
“Nosso ciclo de investimentos não é igual todo ano. Agora o foco está na fábrica da Turquia, que produzirá rodas de alumínio forjado para veículos comerciais a partir de 2025, para atender ao mercado europeu.”
A fábrica de componentes estruturais em Castaños, México, está sendo expandida para atender à maior procura da América do Norte e, na China, o ramp-up da planta de rodas de alumínio com a Dongfeng, cuja construção foi iniciada em 2021, está em andamento, com exposição a veículos elétricos. A unidade terá capacidade de produzir 2 milhões de rodas por ano.