No geral, marca projeta vender 600 mil veículos na América do Sul este ano e descarta canibalização com Titano
Atibaia, SP – Desde 1978, quando a Fiat apostou no lançamento de picape derivada de automóvel, no Brasil, com o 147 Picape, entendeu a importância do segmento. Passando pela líder de vendas Strada, apresentada vinte anos mais tarde, e pela Toro, em 2016, que segundo a empresa redefiniu o segmento e agora recebe facelift para a linha 2026, que chega às concessionárias esta semana.
Segundo Frederico Battaglia, vice-presidente da marca Fiat América do Sul, as seis versões da Toro, sendo quatro com motor turbo 270 flex 1.3 e duas com 2.2 turbodiesel, são suficientes para encarar a concorrência, uma vez que, em suas palavras, têm “oferta completa e competitiva”.
“A Toro sempre teve participação de mercado constante na indústria. Ela é muito sólida em seu desempenho comercial, inclusive depois da chegada de primos dentro da própria empresa. Não temos medo da concorrência.”
Fiat Toro 2026. Foto: Divulgação.
Sobre a possibilidade de canibalização, considerando que o consumidor da topo de linha da Toro possa migrar para a Titano, uma categoria acima, Battaglia disse que a montadora entende que, além dos preços, as propostas de valor são diferentes.
“Quem anda com Toro e Titano na cidade tem experiências muito diferentes. Os perfis de consumidores que procuram por estes carros são relativamente pouco sobrepostos. Tem clientes de Toro que vieram de D picape assim como B picape. Mas acho que nossa oferta é muito assertiva. E, de qualquer forma, o importante é ficar em dúvida com relação a dois Fiat.”
Em julho foram emplacadas 3 mil 985 unidades da Toro, de acordo com dados da Fenabrave, o que a coloca como a quarta mais vendida dos comerciais leves, em ranking liderado pela Strada, com 12 mil 895 unidades. Lançada no ano passado a Titano aparece em décimo-quinto lugar, com 415 veículos. No acumulado dos sete meses do ano a Toro mantém a posição, com 27 mil 317 unidades, e a Titano sobe à décima-terceira, com 4 mil 401.
Para efeito de comparação o preço da topo de linha da Toro, a Ranch Diesel, é R$ 228,4 mil, e o da Titano de entrada, a Endurance, R$ 234 mil.
Fiat Titano 2026. Foto: Divulgação.
Por enquanto, de acordo com Battaglia, não é considerada a possibilidade de ampliação da produção em Goiana, PE, unidade que atualmente opera em três turnos para produzir os SUVs Jeep Renegade, Compass e Commander, e as picapes Fiat Toro e Ram Rampage.
A unidade receberá R$ 13 bilhões – do total de R$ 30 bilhões que a companhia aportará em todas as suas operações no País até 2030 – e fabricará novo híbrido a partir de 2026.
Frederico Battaglia, vice-presidente da marca Fiat América do Sul. Foto: Soraia Abreu Pedrozo
Mercado externo
O executivo estimou que em torno de 90% do volume produzido da Toro é comercializado no próprio país, e o restante é exportado. A ideia, por ora, é manter este patamar, ampliando aos poucos a presença em outros países, principalmente os da América do Sul.
“A Argentina, onde são produzidos Cronos e Titano, é o nosso segundo mercado na região. Além disto o Paraguai tem mercado parecido com o brasileiro e, no Uruguai, a marca é líder.”
A Fiat estima a venda de mais de 600 mil carros na América do Sul este ano, sendo 1,3 milhão em todo o mundo.