Auto Shanghai 2025 apresenta futuros lançamentos para o mercado brasileiro

Xangai, China – Com ociosidade de cerca de 40%, considerando as quase 50 milhões de unidades de capacidade instalada, a indústria automotiva chinesa inicia fase de expansão das suas operações automotivas. Primeiramente exportando carros e, depois, levando algumas poucas marcas a produzir em outras regiões. Chery, BYD e GWM são as mais conhecidas porque já possuem operações ou a intenção de produzir no Brasil. Outras marcas estão de olho não apenas no mercado brasileiro.

Fonte: Just-auto.com

O Geely é um grupo com diversas marcas e atuações bem diversificadas. Suas grifes mais importantes ainda têm o foco no mercado chinês, oferecendo carros com tecnologia de ponta ou ainda veículos compactos mais baratos. Ela opera em todos os segmentos do maior mercado do mundo. Além disto fomenta a expansão para o Brasil em duas frentes: exportando carros premium e de alto luxo por meio das marcas Zeekr e Link & Co e em parceria inicialmente para importação de produtos com a Renault, uma tendência já conhecida no Brasil com a CAOA e a Chery e mais recentemente nos moldes do acordo da Stellantis com a Leapmotor.

Luis Fernando Pedrucci, CEO da Renault América Latina, estava agitado no estande da Geely. No intervalo de reuniões a reportagem conversou com o executivo, que reforçou: “Em julho iniciamos a venda SUV elétrico EX5”.

Geely EX 5. Foto: Leandro Alves.

Segundo ele os ajustes da operação, que aporta o conhecimento e a experiência da Renault no atendimento ao cliente brasileiro, está na fase final. Serão nomeados 23 concessionários que já trabalham com a marca Renault em regiões estratégicas, notadamente grandes centros. Até o fim do ano a rede pode crescer para 105 pontos e não está descartada uma operação de produção no Brasil, o que levaria a Geely adquirir uma participação na Renault local: “Vamos com cautela. Primeiro o EX5, depois pensamos num segundo produto e assim vamos construindo o futuro juntos”.

A CAOA confirmou aos colegas jornalistas Jorge Moraes e Daniel Neves, do UOL, a produção de uma nova picape no Brasil. Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, presidente do grupo CAOA, disse que nos próximos meses sua fábrica em Anápolis, GO, passará a produzir a picape Chery Himla com motorização diesel híbrida plug-in.

Chery Himla. Foto: Daniel Neves.

Já o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Antonio Baldy, disse ao UOL que produzirá no Brasil uma picape inédita. Confirma a informação publicada na Agência AutoData, sobre o pedido ao governo de redução do ex-tarifário, em que consta esse novo produto nos documentos revelados. No entanto, assim como está na apresentação feita ao MDIC, a BYD não diz quando essa produção terá início.

Além disto a BYD terá uma nova marca no Brasil, a Denza, chinesa que começa a vender seus carros elétricos no fim do ano. Uma rede de concessionários independente já está sendo formada.  

O presidente da General Motors para a América do Sul, Santiago Chamorro, esteve em Xangai e fez um vídeo para mostrar o próximo lançamento no Brasil, a Captiva EUV, um dos destaques do estande da Wuling.

Captiva EUV. Foto: Leandro Alves.

Dentre as fabricantes tradicionais alguns produtos apresentados em Xangai podem chegar ao Brasil. A Maxus mostrou o provável visual da nova picape Amarok, que a Volkswagen pretende fabricar na Argentina em 2027.

Nova Amarok? A Maxus. Foto: Leandro Alves.

E a Nissan mostrou no salão chinês o visual do que pode vir a ser a nova geração da picape Frontier, que passará a ser fabricada no México em 2026 e exportada para o Brasil. No entanto ainda não há confirmação do início da produção dessa nova geração no Ocidente.

Nova Nissan Frontier. Foto: Leandro Alves.

A Jac informou que a picape Hunter terá uma versão híbrida plug-in a gasolina nos próximos meses.

Jac Hunter. Foto: Divulgação.

E a Horse, fornecedora de soluções de propulsão para a indústria, tem um estande no pavilhão dos automóveis apresentando diversas opções para a indústria chinesa, inclusive um motor 1.0 litro flex com extensão de autonomia elétrica feito no Brasil, em parceria com a WEG.

Motor 1.0 Horse. Foto: Leandro Alves.

Segundo os promotores no estande este motor tem sido oferecido para fabricantes chineses e há a possibilidade de ser utilizado localmente, fornecido pela fábrica da Horse dentro do complexo da Renault no Paraná.

China mostra o futuro para o mercado chinês e boas novidades para o Brasil

Xangai, China – O Auto Shanghai 2025 não é um evento global, mas uma exposição com foco no maior mercado de veículos do mundo, a própria China. Mesmo assim as diversas marcas pouco conhecidas, e as que os brasileiros já conhecem um pouco, estão cada vez mais internacionalizando suas operações. E o Brasil, considerado relevante por muitas fabricantes chinesas, receberá alguns novos produtos a partir do segundo semestre.

A grandiosidade do National Convention Center, com oito pavilhões organizados como se fossem pétalas de uma flor de lótus, e seus mais de 360 mil m², exibe não apenas automóveis, picapes e até caminhões das marcas chinesas e de algumas grifes internacionais que não deixam de participar do maior mercado do mundo, responsável pela venda de pouco mais de 23 milhões de unidades quase todos os anos. Os sistemistas chineses demonstraram que estão prontos para o jogo automotivo global e que suas tecnologias, escala de produção e agora a qualidade os tornarão imbatíveis. É apenas uma questão de tempo.

Nos dois dias exclusivos para a imprensa nacional e internacional foram 193 apresentações, com diversos lançamentos de produtos e tecnologias. No entanto, como se trata de uma exposição com foco quase que total no mercado interno, todas foram conduzidas em mandarim e os materiais para a imprensa também estavam disponíveis somente na língua local.

Ficou claro em Xangai que a estratégia das marcas que pretendem internacionalizar suas operações está ancorada em dois pilares: grandes volumes e custo competitivo. Não faz sentido para eles produzirem em qualquer outro lugar com impostos e custos de mão de obra e componentes maiores do que encontram em seu país.     

Sobre a possibilidade da Leapmotor produzir no Brasil algum dia, por exemplo, seu fundador, Zhu Jiangming, não descartou totalmente a hipótese, mas explicou que “65% das partes de um carro são produzidos internamente, o que colabora para a nossa operação ser lucrativa: controlamos os custos e este é um dos segredos da Leapmotor”.

Leapmotor B10

A novata chinesa, em parceria com a Stellantis, confirmou e já mostrou o B10, seu segundo SUV importado para o Brasil, quando inicia sua operação comercial no País.

Numa conversa descontraída com Jack Wei, fundador da Great Wall Motor, também ficou clara a necessidade de escala para dar passos mais contundentes num processo de internacionalização: “Vemos potencial de no futuro produzir no Brasil veículos das nossas marcas para exportar para toda a América Latina. No entanto os custos de produção são muito altos e os volumes estão longe de suportar essa estratégia”.

Dessa forma o início da produção em Iracemápolis, SP, que deve ser inaugurada em junho, julho, será de kits CKD do SUV Haval – a geração anterior, que já está no Brasil, pois aqui lançaram uma nova só para o mercado chinês –, com pouco conteúdo nacional. A picape Poer também foi confirmada para ser produzida no Brasil ainda este ano, assim que as operações fabris ganhem ritmo mais acelerado.

Poer. Foto: Leandro Alves.

Além disso a GWM importará no segundo semestre o Wey 07, SUV de luxo, um dos destaques em seu estande.

Wey 07. Foto: Leandro Alves.

A lucratividade é outro ponto-chave para aqueles que pretendem expandir suas operações além da China. Wei e Jiangming reforçaram a imposição de gerarem valor nos projetos de internacionalização e, sem citar outras marcas locais, disseram que aqueles que já se aventuraram estão tendo que lidar com perdas por carro produzido.

Na sexta-feira, 25, e sábado, 26, o Auto Shanghai 2025 estará aberto apenas para os profissionais do setor automotivo credenciados. O público geral terá de 27 a 2 de maio para conhecer o futuro para o mercado chinês neste que já é o maior salão do automóvel do planeta.

CNH expande centro de distribuição no Mato Grosso

São Paulo – A CNH anunciou a expansão do seu centro de distribuição de peças em Cuiabá, MT, que deverá estar pronto para operar no segundo semestre de 2025. A ampliação é para melhorar o atendimento dos clientes do agronegócio no Centro-oeste, região com forte produção agrícola, reduzindo em 50% o tempo de entrega das peças, segundo a companhia.

O novo centro de distribuição terá depósito de 8 mil m², três vezes maior do que a operação atual. Com maior capacidade de armazenamento a CNH pretende ampliar seu inventário disponível na região. Quando o novo centro entrar em operação a empresa espera melhorar também o atendimento dos clientes de Rondônia.

Chevrolet S10 ganha série especial para celebrar os 100 anos da GM no Brasil

São Paulo – A linha 2026 da S10 chegou ao mercado com inclusão da série especial 100 anos. Esta é a primeira de três séries comemorativas que serão lançadas ao longo de 2025, sendo Onix e Tracker os próximos modelos com a configuração especial adicionada ao portfólio.

A S10 100 anos teve o seu visual todo customizado pela equipe de engenharia nacional da General Motors, que mexeu na suspensão e nos amortecedores para tornar a picape 30 mm mais alta com relação ao solo, o que permite encarar trajetos fora-de-estrada mais pesados, segundo a montadora.

No total 22 itens foram personalizados na nova versão da S10, incluindo o novo revestimento dos bancos, pontos de iluminação de led no para-choque frontal, tons escurecidos de acabamento para retrovisores, rodas e maçanetas e um skid plate foi instalado na parte frontal.

A S10 100 anos será produzida em lotes limitados na fábrica de São José dos Campos, SP, e será vendida por R$ 325,7 mil.

Andrea Serra assume nova diretoria tributária e de comércio exterior da Anfavea

São Paulo – A Anfavea anunciou a criação de uma diretoria dedicada a tributos e ao comércio exterior. Andrea Serra é a escolhida para o cargo. A executiva é formada em direito pela PUC Campinas, com pós-graduação em administração contábil e finanças pela FAAP. 

Serra soma mais de 25 anos de experiência como advogada tributarista, com passagens por diversos segmentos. Seu último posto foi na General Motors, onde trabalhou por quinze anos em diversos cargos, lidando com temas tributários, aduaneiros e projetos de negócio.

BYD lança Dolphin Mini Cargo para entregas urbanas

São Paulo – A BYD lançou o Dolphin Mini Cargo de olho no crescimento da demanda por veículos elétricos usados na distribuição urbana. O modelo elétrico adaptado foi apresentado durante a Intermodal South America, realizada de 22 a 24 de abril em São Paulo, no Distrito Anhembi.

Externamente o modelo é igual a versão de passageiro, mas por dentro a BYD retirou o banco traseiro para aumentar o espaço de transporte de cargas leves, unindo a parte de trás ao porta-malas do veículo. Sua autonomia é de 280 quilômetros com uma carga e a capacidade de carga é de 289 quilos. 

Nas imagens divulgadas do BYD Dolphin Mini Cargo é possível ver uma unidade já com as cores e logotipo dos correios, deixando claro qual o seu público alvo: empresas que realizam entregas dentro das cidades.

Bosch planeja ampliar em 60% número de oficinas na América do Sul

São Paulo – A divisão de aftermarket da Bosch planeja ampliar em 60% o número de oficinas credenciadas com sua marca na América do Sul. A maior fabricante de componentes e sistemas automotivos do mundo já tem 2 mil centros de manutenção franqueados na região, 1,4 mil deles no Brasil, que empregam cerca de 14 mil reparadores e fazem 3 milhões de atendimentos por ano.

O plano foi anunciado na Automec – de 22 a 26 de abril no São Paulo Expo – por Robert Hilbert, presidente da divisão Mobility Aftermarket da Bosch na América Latina: “Temos potencial para ampliar nossa rede. Em um País continental como o Brasil algumas marcas não têm a nossa capilaridade e os clientes preferem fazer a manutenção mais perto de onde moram. Neste caso somos reconhecidos como a melhor alternativa fora das concessionárias”.

A ambição, informa Hilbert, não é só ampliar a rede de oficinas mas também aumentar a sua qualificação: “Precisamos acompanhar as evoluções tecnológicas, qualificando os centros de reparação para lidar com eletrificação e sistemas de conectividade e direção autônoma”.

Nesse sentido foi lançado este ano programa que qualifica oficinas para atender a carros elétricos e híbridos. A intenção é, até o fim deste ano, credenciar perto de cinquenta dos 1 mil Bosch Car Service no País, que atendem veículos leves.

Também está em curso plano para estender a digitalização para 80% da rede de oficinas credenciadas no Brasil, com instalação de plataformas que permitem a gestão completa de atendimento, desde o agendamento de serviços à encomenda de peças para manutenção. Em 2024 a empresa já somou 2,5 mil agendamentos pelo Meu Bosch Car Service e a estimativa é que este número dobrará em 2025.

Atualmente 60% dos componentes comercializados no aftermarket brasileiro pela Bosch são nacionais e outros 40% importados. A Bosch não divulga qual é a participação do mercado de reposição em seu faturamento.

Dana busca dobrar receita e participação no aftermarket até 2030

São Paulo – A partir da reintrodução da Dana no mercado de reposição em 2017, após o período de 2004 a 2016, em que o aftermarket ficou a cargo da Affinia, a empresa traçou plano estratégico para tornar-se mais competitiva no País. A primeira fase, de 2017 a 2020, foi de reestruturação de portfólio de produtos, a segunda, até o ano passado, foi marcada pelo crescimento de 2,2 vezes do faturamento, ao qual, para a terceira etapa, a meta é dobrar novamente até 2030.

Embora não tenha citado valores de receita, foi o que afirmou o diretor de aftermarket da Dana para a América do Sul, Marcelo Rosa, durante entrevista coletiva à imprensa na décima-sexta edição da Automec, feira dedicada ao mercado de reposição, realizada até sábado, 26, no São Paulo Expo.

“Agora queremos dar mais atenção ao varejo com programa especializado em eixo cardan para as oficinas. O próximo passo é estender a oferta deste conhecimento ao eixo diferencial e a retíficas. Com isto, mais uma vez, planejamos dobrar de tamanho nos próximos cinco anos.”

Para tanto o executivo contou que a divisão focará nos principais produtos da linha leve, além dos pesados, que representa mais de 90% do faturamento, e de motores. A ideia também é prover maior capilaridade à rede de distribuidores.

“Quando entramos novamente neste mercado e nos reestruturamos nossa participação foi a 5% e, no ano passado, conseguimos levá-la a 10%. O plano é aumentar esta fatia a 20% até 2030.”

Rosa referia-se a produtos como juntas homocinéticas para suspensão, eixos cardans e eixos diferenciais.

Foton mira 150 mil vendas por ano até 2030 na América Latina e Caribe

São Paulo – A chinesa Foton divulgou meta de vender 150 mil de seus caminhões por ano na América Latina e Caribe até 2030 e, no médio prazo, tornar-se líder de mercado em diversos países da região. O plano foi divulgado junto com o início da produção no Brasil, em Caxias do Sul, RS, onde a montadora instalou uma nova linha produtiva na fábrica da Agrale.

Para atingir suas projeções a Foton pretende instalar fábricas no Brasil, na Argentina e no México, que terão produção integrada. A fabricante tem a intenção de produzir veículos a combustão, híbridos e elétricos projetados especificamente para a região, iniciando com operações de CKD, veículos importados desmontados, e depois avançando para produção completa.

Com relação ao abastecimento de componentes a Foton contará com três centros de distribuição na China dedicados, que enviarão as peças para dois centros regionais no Chile e no Panamá, que serão responsáveis por exportar os itens para outros 32 centros de distribuição nacionais que instalará.

O plano até 2030 é avançar com a localização de componentes na região, afirmou o vice-presidente de operações globais, Fu Jun: “Também aumentaremos, cada vez mais, nossa rede de fornecedores locais. A meta é que, até 2030, itens produzidos na América Latina e Caribe componham pelo menos 80% dos nossos veículos feitos na região”.

América Latina e Caribe são tratados como uma região estratégica para a Foton pois tem apresentado crescimento econômico sustentável e participação importante no PIB global. De 2021 a 2024 as vendas da Foton cresceram 45% na região, para 32 mil unidades.

Toyota mostrará protótipo da Hilux a biometano na Agrishow

São Paulo – A Toyota mostrará ao público pela primeira vez a picape Hilux movida a biometano. O protótipo deverá ser a principal atração no seu estande durante a Agrishow, maior feira do agronegócio que será realizada de 28 de abril a 2 de maio, em Ribeirão Preto, SP. 

O projeto foi mostrado apenas uma vez para autoridades e especialistas durante evento realizado em Foz do Iguaçu, PR, e faz parte de plano de pesquisa e desenvolvimento na busca da descarbonização com uso de biocombustíveis.

O biometano é considerado um biocombustível de grande potencial para substituir o diesel em veículos pesados e comerciais leves, uma vez que é derivado do biogás, que pode ser extraído de diversas matérias orgânicas, como lixo orgânico e efluentes, bem como bagaço e vinhoto de cana-de-açúcar produzidas no processamento de etanol e açúcar. O biometano também pode ser gerado por biodigestores em áreas rurais, principalmente na criação de porcos.

Durante a Agrishow a Toyota também apresentará seus veículos com a tecnologia híbrida flex desenvolvida no Brasil.