Xangai, China – Com ociosidade de cerca de 40%, considerando as quase 50 milhões de unidades de capacidade instalada, a indústria automotiva chinesa inicia fase de expansão das suas operações automotivas. Primeiramente exportando carros e, depois, levando algumas poucas marcas a produzir em outras regiões. Chery, BYD e GWM são as mais conhecidas porque já possuem operações ou a intenção de produzir no Brasil. Outras marcas estão de olho não apenas no mercado brasileiro.

O Geely é um grupo com diversas marcas e atuações bem diversificadas. Suas grifes mais importantes ainda têm o foco no mercado chinês, oferecendo carros com tecnologia de ponta ou ainda veículos compactos mais baratos. Ela opera em todos os segmentos do maior mercado do mundo. Além disto fomenta a expansão para o Brasil em duas frentes: exportando carros premium e de alto luxo por meio das marcas Zeekr e Link & Co e em parceria inicialmente para importação de produtos com a Renault, uma tendência já conhecida no Brasil com a CAOA e a Chery e mais recentemente nos moldes do acordo da Stellantis com a Leapmotor.
Luis Fernando Pedrucci, CEO da Renault América Latina, estava agitado no estande da Geely. No intervalo de reuniões a reportagem conversou com o executivo, que reforçou: “Em julho iniciamos a venda SUV elétrico EX5”.

Segundo ele os ajustes da operação, que aporta o conhecimento e a experiência da Renault no atendimento ao cliente brasileiro, está na fase final. Serão nomeados 23 concessionários que já trabalham com a marca Renault em regiões estratégicas, notadamente grandes centros. Até o fim do ano a rede pode crescer para 105 pontos e não está descartada uma operação de produção no Brasil, o que levaria a Geely adquirir uma participação na Renault local: “Vamos com cautela. Primeiro o EX5, depois pensamos num segundo produto e assim vamos construindo o futuro juntos”.
A CAOA confirmou aos colegas jornalistas Jorge Moraes e Daniel Neves, do UOL, a produção de uma nova picape no Brasil. Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, presidente do grupo CAOA, disse que nos próximos meses sua fábrica em Anápolis, GO, passará a produzir a picape Chery Himla com motorização diesel híbrida plug-in.

Já o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Antonio Baldy, disse ao UOL que produzirá no Brasil uma picape inédita. Confirma a informação publicada na Agência AutoData, sobre o pedido ao governo de redução do ex-tarifário, em que consta esse novo produto nos documentos revelados. No entanto, assim como está na apresentação feita ao MDIC, a BYD não diz quando essa produção terá início.
Além disto a BYD terá uma nova marca no Brasil, a Denza, chinesa que começa a vender seus carros elétricos no fim do ano. Uma rede de concessionários independente já está sendo formada.
O presidente da General Motors para a América do Sul, Santiago Chamorro, esteve em Xangai e fez um vídeo para mostrar o próximo lançamento no Brasil, a Captiva EUV, um dos destaques do estande da Wuling.

Dentre as fabricantes tradicionais alguns produtos apresentados em Xangai podem chegar ao Brasil. A Maxus mostrou o provável visual da nova picape Amarok, que a Volkswagen pretende fabricar na Argentina em 2027.

E a Nissan mostrou no salão chinês o visual do que pode vir a ser a nova geração da picape Frontier, que passará a ser fabricada no México em 2026 e exportada para o Brasil. No entanto ainda não há confirmação do início da produção dessa nova geração no Ocidente.

A Jac informou que a picape Hunter terá uma versão híbrida plug-in a gasolina nos próximos meses.

E a Horse, fornecedora de soluções de propulsão para a indústria, tem um estande no pavilhão dos automóveis apresentando diversas opções para a indústria chinesa, inclusive um motor 1.0 litro flex com extensão de autonomia elétrica feito no Brasil, em parceria com a WEG.

Segundo os promotores no estande este motor tem sido oferecido para fabricantes chineses e há a possibilidade de ser utilizado localmente, fornecido pela fábrica da Horse dentro do complexo da Renault no Paraná.


