Financiamento de veículos avança 1% no primeiro trimestre

São Paulo – Após alcançarem o maior volume para o primeiro bimestre em dez anos as vendas financiadas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas no primeiro trimestre somaram 1 milhão 678 unidades novas e usadas, avanço de 1,1% na comparação com os primeiros três meses de 2024, o que equivale a 19 mil unidades a mais.

Os dados foram divulgados pela B3, que opera o SNG, Sistema Nacional de Gravames. Na avaliação do superintendente de produtos financeiros da companhia, Daniel Takatohi, o resultado do primeiro trimestre mostra que o setor continua aquecido, dando continuidade ao movimento visto no segundo semestre de 2024.

As vendas financiadas de março, que totalizaram 551 mil unidades, porém, apresentaram queda de 3,6% com relação ao mesmo período do ano passado. Em comparação a fevereiro o recuo foi de 2,3%.

“Vale ressaltar que a queda, em março, na comparação com o mês anterior é justificada pela sazonalidade do carnaval, uma vez que a média de veículos financiados em março por dia útil é maior do que em fevereiro”, disse Takatohi, referindo-se à média de 29 mil veículos contra 28,2 mil.

A maior retração em março foi vista no comércio de automóveis e comerciais leves, de 4,4% frente ao terceiro mês de 2024, e de 3,8% com relação a fevereiro. As vendas a prazo de caminhões e ônibus ficaram 6,7% aquém na comparação anual e 1,1% abaixo na mensal.

O único segmento a apresentar crescimento foi o de motos, com alta de 4,8% frente a março do ano passado e de 1,1% frente a fevereiro.

Renault Academy inaugura centro de treinamento em Jundiaí

São Paulo – A Renault inaugurou seu novo centro de treinamento em Jundiaí, SP, em área de 1,8 mil m² e com o dobro de capacidade para treinar simultaneamente profissionais que trabalharão nas concessionárias da marca.

A primeira atividade do espaço foi um programa especial de formação de instrutores técnicos de escolas Senai parceiras. Eles são encarregados de aplicar a formação de mecânicos da rede de revenda de forma regionalizada.

Responsável por formar mais de 6 mil funcionários de 274 revendas Renault o centro passa a oferecer agora também treinamentos específicos para tecnologias avançadas de segurança, ADAS, e de conectividade, além dos conteúdos regulares para a formação de mecânicos, eletromecânico, especialista e-tech e cotech, o técnico líder da concessionária.

O centro de treinamento possui quatro salas, uma de ferramentas dedicada, um auditório para eventos, oficina com sete áreas para treinamento, espaço dedicado para formações e-tech, área de recepção, coworking e um estúdio para gravação de conteúdo.

Primeira quinzena de abril supera os 100 mil licenciamentos

São Paulo – A primeira quinzena de abril superou, pela primeira vez no ano, a marca de 100 mil emplacamentos em onze dias úteis. Segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData foram licenciados 106,6 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus até a terça-feira, 15, volume 3,8% superior ao da primeira metade de abril passado.

Com relação a março e suas 91,2 mil unidades o avanço foi de 16,8%, com a ressalva de que, no mês passado, a primeira quinzena foi influenciada pelo carnaval.

A média diária saltou para 9,7 mil unidades/dia, a maior do ano para uma primeira metade do mês – 8,3 mil em março, 8,1 mil em fevereiro e 7,4 mil em janeiro.

As vendas de leves, no período, somaram 99,9 mil unidades, de acordo com a Bright, com quase 10% do volume de veículos eletrificados. As vendas diretas representaram 45,9% das transações, abaixo dos 49,2% registrados em março e superior aos 43,8% da primeira quinzena de abril de 2024.

O Volkswagen Polo foi o veículo mais vendido da quinzena, com 5,6 mil licenciamentos, seguido pelo Hyundai HB20, 5 mil. A picape Fiat Strada, que liderou o primeiro trimestre, ficou em terceiro com 4,9 mil.

RX confirma o Salão do Automóvel 2025

São Paulo – Agora é oficial: a RX anunciou para 22 a 30 de novembro a realização da trigésima-primeira edição Salão do Automóvel de São Paulo, após um intervalo de tempo de sete anos. O evento retorna ao Distrito Anhembi, seu palco tradicional por mais de trinta anos, mas reformado e modernizado para atender às exigências de um evento de tal magnitude.

Estão confirmadas Citroën, Fiat, Honda, Hyundai, Jeep, Mitsubishi, Peugeot, Ram, Renault, Toyota, Lexus, BYD, Denza, Kia, Leapmotor e Lecar, de acordo com a organização.

Serão cinco pavilhões, um total de 67 mil m² de área de exposição. Os estandes das montadoras serão padronizados em tamanho, sem um maior do que o outro e evitando pirotecnia de outras edições, segundo a diretora de portfólio da RX, Mayra Nardy: “A Anfavea colaborou na criação de um padrão que fornece isonomia, facilita a organização e melhora a experiência dos visitantes”.

Test drives serão oferecidos aos visitantes, atendendo à forte demanda do público, em uma pista indoor, de acordo com a organização. Temas como mobilidade, sustentabilidade e eletrificação serão debatidos.

Venda de importados da Abeifa cresce 34% no primeiro trimestre

São Paulo – As vendas de veículos importados ao mercado interno das doze associadas à Abeifa somaram 27,4 mil unidades de janeiro a março, alta de 33,9% na comparação com iguais meses de 2024. Os dados foram divulgados pelo presidente da entidade, Marcelo Godoy, na terça-feira, 15.

Segundo o executivo o resultado foi bastante positivo e a expectativa é de que os números melhorem no terceiro e quarto trimestres, que costumam ser mais aquecidos: “O consumidor brasileiro costuma comprar mais carros ao longo do segundo semestre do ano”.

Do total vendido pelas associadas a BYD representou 78,2% do volume, com 21,7 mil unidades. Em segundo lugar ficou a Volvo com 2,1 mil vendas, seguida pela Porsche com 1,4 mil.

Com aquela projeção o presidente espera que suas associadas cheguem a 120 mil unidades comercializadas até dezembro, volume que representará uma expansão de 15% na comparação com 2024.

Considerando apenas março foram vendidos 10 mil veículos importados, incremento de 20,8% sobre idêntico período do ano passado e alta de 12,6% com relação a fevereiro.

Ao longo do ano a Abeifa seguirá trabalhando em dois pleitos que considera importantes: um deles é manter as regras do retorno escalonado do imposto de importação para veículos eletrificados como já havia sido definido pelo governo. Segundo Godoy este cenário está mais controlado atualmente e deverá seguir o que foi decidido anteriormente.

O segundo ponto é a reforma tributária na qual que a Abeifa trabalha para deixar de fora do imposto o veículo elétrico, ou quem sabe com taxa mais baixa. Mas Godoy não sabe se ela será zerada ou não.

Abeifa decide participar do Salão do Automóvel 2025

São Paulo — A Abeifa decidiu participar do Salão do Automóvel 2025, que voltará a ser organizado após sete anos. O evento retorna também ao Anhembi, espaço usado para sua realização durante muitos anos. Segundo o presidente Marcelo Godoy a entidade reviu seu posicionamento inicial, que era de se ausentar do evento:

“Esta negociação já está quase fechada e participaremos. A decisão mudou porque as conversas mudaram, conseguimos o tratamento e os valores iguais aos das montadoras instaladas no País”.

O estande da Abeifa será usado para promover o tema da eletrificação junto ao público geral do Salão do Automóvel, que também poderá visitar os estandes das importadoras Kia e BYD. Outras associadas da Abeifa também estão negociando a participação com exceção da Volvo, que não participará.

Lula assina decreto que estabelece a regulamentação do Mover

Resende, RJ – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfim assinou, na terça-feira, 15, o decreto que regulamenta o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, e encerrou a espera de mais de um ano da indústria. Ele traz os parâmetros técnicos e ambientais para eficiência energética, reciclabilidade e segurança na indústria automotiva até 2031.

Segundo material divulgado pelo MDIC à imprensa a grande novidade são as metas de reciclabilidade, que entrarão em vigor em 1 de janeiro de 2027. Os veículos de passageiros fabricados a partir desta data deverão conter 80% de material reutilizável ou reciclável, índice que sobe para 85% para projetos iniciados no mesmo ano. Os 85% passam a vigorar para todos os veículos produzidos a partir de 2030.

No caso de comerciais leves as exigências a partir de 2027 serão de 85% de materiais reutilizáveis ou recicláveis para todos os veículos produzidos e de 95% para novos projetos. Os 95% passam a ser obrigatórios para todos os produzidos a partir de 1 de janeiro de 2030.

Estes compromissos podem ser parcialmente compensados com a aquisição de sucatas veiculares provenientes de leilões, uma medida que visa a fortalecer a cadeia da economia circular.

Eficiência energética e segurança

No caso das metas de eficiência energética e redução de emissões de CO2, para leves e pesados, o objetivo é reduzir em 12% o consumo médio até 1º de outubro de 2027, partindo dos veículos comercializados em 2022, no ciclo do tanque à roda. Existe uma primeira etapa um ano antes, com índices menores.

Já no ciclo do poço à roda, que considera as emissões da extração, produção, distribuição de fonte energética e uso dos veículos, a meta é reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2030, comparando com 2011. A primeira meta deverá ser cumprida até outubro de 2027.

O decreto estabelece também metas de desempenho estrutural e adoção de tecnologias assistivas à direção, como sistemas de frenagem automática de emergência, controle de estabilidade, alerta de mudança de faixa e monitoramento de fadiga. Os requisitos começam a ser gradativamente elevados a partir de 2027.

O Mover exige também que todos os modelos comercializados no País adotem as etiquetas de rotulagem de veicular para eficiência energética, segurança e origem de componentes.

Indústria pedia as regras

Os parâmetros do Mover foram divulgados à indústria quinze meses depois da publicação da medida provisória que o criou e mais de 1 ano após as primeiras regulamentações.

No Congresso AutoData Megatendências 2025 Márcio de Lima Leite, ex-presidente da Anfavea, que transmitiu o cargo para Igor Calvet na noite da terça-feira, 15, relatou que a demora na publicação das regulamentações já começava a gerar adiamento de aplicação dos investimentos, que somam mais de R$ 130 bilhões segundo os cálculos da entidade.

Para tornar o processo mais ágil o governo optou por deixar as regras do IPI Verde, sistema no qual será definida a tributação dos veículos, para depois. Ele pode nem vir a ser publicado, uma vez que a partir de 2026 entra em vigor a reforma tributária e o IPI será extinto, embora seja possível que esta tabela estabeleça alguns parâmetros do Imposto Seletivo, que incidirá sobre veículos.

DAF inaugura centro de treinamento no Senai em Jacareí

São Paulo – A DAF Caminhões investiu R$ 2 milhões para inaugurar a segunda unidade de treinamento de profissionais de sua rede concessionária, o DAF Academy, no Senai de Jacareí, SP. A primeira está em Ponta Grossa, PR, cidade que abriga sua fábrica.  

A escolha do local, 200 m², foi planejada por sua proximidade com o Aeroporto de Guarulhos, SP, a uma distância de 40 minutos. De acordo com a montadora a localização estratégica otimiza o atendimento às necessidades das novas lojas DAF em países da América Latina, proporcionando logística mais ágil e eficiente. 

A primeira turma do DAF Academy de Jacareí já acumula 80 horas de treinamento sobre os motores Paccar PX-7 e Paccar MX-13. Os participantes trabalham em revendas de Fortaleza, CE, Recife, PE, Sinop, MT, Boituva, SP, Colinas, RS, Marabá, PA, Itajaí, SC, Cascavel, PR, e Governador Valadares, MG.

A unidade do DAF Academy de Ponta Grossa conta com centro de treinamento de mais de 600 m², quatro salas de aula e seis instrutores. O espaço recebeu investimento superior a R$ 5 milhões em infraestrutura, caminhões, componentes e equipamentos.

Nissan minimiza guerra tarifária e fala em focar em sua operação

Resende, RJ – As idas e vindas das tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos são só mais um dos diversos desafios enfrentados pela indústria automotiva nos últimos anos, relembrou Guy Rodriguez, presidente da Nissan América Latina. Em conversa com jornalistas na terça-feira, 15, antes da cerimônia de início da produção da nova geração do Kicks, ele tentou desconversar sobre o assunto e disse que o foco da companhia está em seus negócios próprios.

“Nos últimos anos enfrentamos a pandemia, a crise logística e a escassez de semicondutores. Sempre haverá um desafio novo para enfrentarmos, por isso digo a nossos colaboradores que precisamos trabalhar em nosso negócio, no nosso dia a dia e em desenvolver novos produtos.”

Não há, segundo Rodriguez, planos de mexer na estrutura produtiva da região por ora. A Nissan anunciou recentemente que encerrará a produção da Frontier na Argentina e a concentrará no México, onde tem sua maior operação industrial na região – abastecendo, inclusive, os Estados Unidos, o que afeta diretamente a companhia na questão das tarifas. Mas nem tanto assim:

“A Nissan no México é a que mais fabrica para o mercado local. A maior parte da nossa produção tem como destino este mercado. Muitas empresas lá instaladas produzem muito para a exportação, o que não é o nosso caso. Somos líderes de vendas há dezessete anos, com mais de 17% de participação”.

O presidente para a América Latina destacou também que a região produz 25% do volume global e 15% das vendas: “E 92% das vendas na América Latina é de carro produzido em alguma fábrica da região”.

Nada muda também em Resende, onde a produção do novo Kicks foi iniciada e um novo SUV, exclusivo para a região, será incorporado em breve. Segundo Gonzalo Ibarzábal, presidente da Nissan do Brasil, o modelo será exportado para vinte países da região, incluindo o México.

Seu plano no longo prazo – ele não estipulou data – é alcançar 7% de participação no mercado brasileiro. De janeiro a março as vendas somaram 3,7%: 

“Hoje produzimos somente o Kicks. Aumentaremos nosso portfólio. Somente com a entrada do novo Kicks na linha temos potencial em ampliar em 15% a produção de Resende”.

Nissan inicia a produção da nova geração do Kicks em Resende

Resende, RJ – A Nissan deu início à produção da nova geração do Kicks em sua fábrica brasileira na terça-feira, 15, em cerimônia que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, dentre outras autoridades. Fruto de investimento de R$ 2,8 bilhões, ciclo anunciado antes do Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, o SUV estreia também um motor turbo, que começa a ser produzido na mesma unidade na Região Sul-fluminense.

A nova geração do Kicks é a mesma produzida no México e já exportada para os Estados Unidos. Montado sobre a plataforma CMF-B da Aliança Renault Nissan, mas um pouco diferente da usada pela Renault em São José dos Pinhais, PR, o SUV ganhou reforços estruturais relevantes e é maior do que a geração anterior, agora batizada de Kicks Play – e que segue em linha em Resende.

Os pormenores a respeito da versão brasileira, bem como preço e projeto comercial, foram ainda mantidos em segredo pela Nissan. Gonzalo Ibarzábal, presidente da empresa no Brasil, confirmou que ele será exportado para a Argentina e o Paraguai, como a geração anterior.

O presidente para a América Latina, Guy Rodriguez, direcionou seu discurso para as alterações feitas na fábrica, que gerará quatrocentos novos empregos com o início da produção do SUV. Na área de estamparia, por exemplo, foi instalada uma nova prensa de 600 toneladas, para fazer as peças menores da nova geração do Kicks.

Outros 98 robôs foram importados do Japão, que se somam aos 71 que já estavam instalados. Ainda foram agregados 29 AGVs, aqueles carrinhos automáticos que percorrem a linha de montagem, somando agora 202 unidades. A automatização no body shop saltou de 55% para 84%. 

Fotos: Ricardo Stuckert / Presidência

No total, de acordo com a Nissan, mais de 1,2 mil equipamentos novos foram instalados em Resende, onde são produzidos de 380 a 400 carros por dia. O novo motor turbo também entrou em linha, na unidade produtora de motores do complexo – e suas especificações também foram mantidas em segredo.

Quatro novos fornecedores internos, que produzem peças e sistemas ao lado das linhas da Nissan, foram instalados: Ficosa, Jtekt, Usiminas e Valeo se juntaram a Sanoh e Marelli. Juntos com a montadora empregam em torno de 3 mil pessoas.