Após ano crítico Argentina projeta retomada da indústria em 2025

São Paulo – Após um 2024 de instabilidade a indústria automotiva argentina deverá registrar uma forte recuperação no ano que vem. A previsão foi feita por Martin Zuppi, presidente da Adefa, Associação de Fabricantes Automotivos da Argentina, em painel do Congresso AutoData Perspectivas 2025, promovido pela AutoData Editora, em São Paulo.

Segundo o executivo a indústria local deverá produzir 550 mil veículos em 2025, um aumento de 8% com relação ao projetado para este ano. A entidade prevê ainda a exportação de 345 mil unidades e um consumo de 470 mil automóveis para o próximo ano, um crescimento de 15% em ambos os segmentos em comparação ao ano anterior.

Fotos: Bruna Nishihata.

Zuppi atribuiu a recuperação do setor automotivo à política econômica adotada pelo governo do presidente Javier Milei. Segundo ele as medidas adotadas permitiram a volta dos financiamentos a juros menores, mesmo com mais da metade da população do país vivendo abaixo da linha de pobreza.

“A Argentina está saindo de uma situação econômica complexa. Muitos esperavam que as dificuldades atravessariam 2024 e 2025”, afirmou o executivo. “No entanto as medidas adotadas pelo governo vem recuperando o poder de compra da população de forma mais rápida do que o estimado. Isso pode beneficiar o nosso setor, que também está negociando investimentos que podem ser aportados nos próximos anos, até 2030.”

Renault prepara fábrica para receber seu inédito SUV médio

São Paulo – Enquanto a Renault colhe os louros com as diversas premiações do Kardian,  incluindo a de Melhor Automóvel e Picape do Prêmio AutoData, lançado este ano, o presidente Ricardo Gondo e sua equipe se preparam para os planos de 2026, que incluem mais um lançamento. Ele participou do Congresso AutoData Perspectivas 2025.

A Renault passará a competir em um segmento em que hoje não participa no Brasil, o de SUVs médios. Com o novo modelo, que usará a mesma plataforma do Kardian e é esperado para o primeiro semestre, a fabricante pretende avançar no mercado interno e também no seu potencial de exportação –o novo SUV será vendido em toda a América Latina.

Exportações, aliás, que ganham fôlego com aumento de remessas de veículos para a Argentina, México e Colômbia.

Foto: Bruna Nishihata.

Gondo exaltou as atualizações promovidas na planta de São José dos Pinhais, PR, e antecipou que o novo SUV, que já teve seus primeiros protótipos montados, receberá tecnologias inéditas para o mercado brasileiro, incluindo 26 assistentes ao motorista, do sistema Adas, o dobro do Kardian: “O que surpreendeu no Kardian faremos ainda melhor no segmento C”.

Crescimento também nas vendas diretas

No balanço de 2024 o presidente da Renault estimou que o mercado fechará com 2 milhões 450 mil veículos leves vendidos, ou um pouco mais, devido ao incremento de vendas para frotistas e a locadoras em novembro e dezembro. Ele observou que o ano tem sido positivo não apenas nas vendas diretas mas também no varejo.

Para 2025 a expectativa é que o mercado cresça de 5% a 10%, com no mínimo 2,6 milhões de veículos de passeio e comerciais, sempre na dependência de fatores macroeconômicos como taxa de juros e inflação.

Gondo demonstrou apoio à retomada imediata da alíquota de carros eletrificados importados a 35%, principalmente pelo descompasso do crescimento de vendas internas versus produção, 12% e 7%, enquanto as importações cresceram 37%.

“Temos que criar emprego e desenvolver tecnologia no Brasil. Todos os fabricantes que investem em novas tecnologias deveriam ter cota de importação de imposto. Queremos igualdade de condições. Outros países elevaram as alíquotas e o Brasil está de portas abertas. No curto prazo temos de trabalhar com políticas que permitam à indústria estabelecida, e que já investiu, fazer a transição.”

Brasil terá crédito mais caro em 2025, prevê Itaú

São Paulo – O Brasil deverá ter crédito mais caro em 2025, apesar dos esforços do governo para o corte de gastos públicos e a apresentação do pacote fiscal. Com isto diversos mercados, dentre eles o automotivo, podem podem conhecer consequências. A previsão foi feita por Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú, em painel do Congresso AutoData Perspectivas 2025, promovido pela AutoData Editora, em São Paulo.

Segundo Gonçalves a taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano, deverá atingir de 13,5% a 14% em 2025.

“O corte de gastos promovido pelo governo federal é importante, mas insuficiente, uma vez que não diminuirá a dívida com relação ao PIB”, afirmou o executivo. “Além disto as medidas parafiscais [receitas primárias sem esforço fiscal, políticas públicas por fora do orçamento, capitalização e aportes do BNDES e crédito subsidiado por ex-BNDES] tendem a ultrapassar os R$ 100 bilhões. O governo precisa de um esforço ainda maior nesses cortes.”

Fotos: Bruna Nishihata.

Gonçalves afirmou, ainda, que a inflação tende a ficar acima da meta, na casa dos 5%: “A demanda interna segue forte, mas muito baseada em consumo e com a aceleração dos gastos do governo. O mercado de trabalho com baixa taxa de desemprego mantém os salários em alta, trazendo preocupações inflacionárias”.

China pisa no freio

Fatores externos também podem causar algum tipo de impacto sobre a economia brasileira, com destaque para a China. Segundo Gonçalves o modelo econômico da China vem mostrando sinais de fragilidade, iniciada com a crise imobiliária, que atingiu gigantes como a Evergrande, maior incorporadora imobiliária do país e que teve sua falência decretada este ano.

“Com um mercado imobiliário menos aquecido a China aumentou a produção industrial, ampliando suas exportações ao máximo, o que inclui carros elétricos”, afirmou. “A partir de 2025 a tendência é que o país seja alvo de fortes barreiras protecionistas na Europa e, principalmente, nos Estados Unidos. Com isto haverá a desaceleração das exportações chinesas, o que inclui uma menor oferta de carros elétricos, inclusive no Brasil, ainda que o país tenha um bom estoque disponível”.

Motores a diesel devem seguir protagonistas até o fim da década

São Paulo – Fabricantes de motores deixaram claro, em uníssono, acreditar que o diesel seguirá predominante em suas linhas de produção até o fim da década. O plano é, inclusive, concentrar a fabricação e ampliar o portfólio a fim de tornar as unidades brasileiras polo exportador. Em paralelo estão sendo desenvolvidas e expandidas opções de motorização menos poluentes, a exemplo de biogás, biometano, biodiesel e etanol.

Foi o que afirmaram Mariana Pivetta, diretora de vendas e marketing da Cummins, Amauri Parizoto, diretor comercial da FPT Industrial para a América Latina, e Thomas Puschel, diretor de negócios e marketing da MWM, durante o Congresso Perspectivas 2025, realizado por AutoData em 26 e 27 de novembro.

Mariana Pivetta. Foto: Bruna Nishihata.

“A Cummins quer ser líder na transição energética”, disse Pivetta. “Temos, portanto, de trabalhar com alternativas ao diesel. Apresentamos na Fenatran o motor de 6,7 litros a etanol e a plataforma Helm, em que o bloco é comum e apenas o cabeçote é trocado, podendo ser usado hidrogênio, gás e diesel. Isso traz simplificação para que o frotista escolha a melhor solução para a operação.”

A executiva ressaltou, entretanto, que não é possível realizar mudança radical até 2030: “O diesel seguirá predominante, respondendo por 85% a 90% do portfólio da companhia”.

Puschel igualmente reconheceu que o motor a combustão será hegemônico, ao ressaltar que convive com biodiesel, biogás e biometano de forma crescente, uma vez que a companhia tem diversificado portfólio de produtos: “Nossa primeira bioplanta foi estabelecida em Toledo, no Paraná, em parceria com a cooperativa Primato. Estamos instalando biodigestores e fazemos coletas em treze fazendas”.

Thomas Puschel. Foto: Bruna Nishihata.

Para o diretor da MWM é imprescindível que a transição energética seja viável, acessível, gere emprego e renda.

“O que é adotado para um país europeu ou Estados Unidos é diferente do que seria para o Brasil, que tem condições, neste momento, de ser um hub produtor de motores a combustão. Possui indústria de autopeças adequada e forte. Então temos de fomentar, sim, essa questão de trazer cada vez mais motores produzidos fora do País, porque seguiremos fabricando esse produto por muito tempo.”

Parizoto partilhou da opinião e foi além, ao brincar que o diesel corre nas veias e dizer que, além de o diesel híbrido ser viável, é possível que alguma iniciativa neste sentido seja trabalhada pelo investimento de R$ 127 milhões anunciados pela FPT, ao ressaltar que se trata da primeira vez que recebe um aporte deste tamanho da matriz.

Amauri Parizoto. Foto: Bruna Nishihata.

Completou, ainda, que é oportunidade para reforçar as exportações pois “é perfeitamente viável que o Brasil se torne polo exportador de motor a diesel. A FPT possui planta na China, por exemplo, e avaliaremos como ficará a situação, principalmente após a eleição nos Estados Unidos”.

Em paralelo citou que a empresa fabrica motor de 13 litros em Córdoba, Argentina, e que tem notado maior volume de consultas, recentemente, por parte de frotistas. Além disto em outubro foi atingida a produção de 100 mil motores a gás.

Segundo Pivetta a Cummins tem reforçado seu posicionamento quanto às exportações. A empresa era focada nos mercados brasileiro e argentino e a partir de 2023 o plano foi alterado por causa de grande sazonalidade local: “Em torno de 15% da produção é exportada hoje. E isto é importante porque gera caixa e possibilita investimento em novas tecnologias no mercado brasileiro”.

Toyota é a Empresa do Ano do Prêmio AutoData

São Paulo – Em emocionante cerimônia na quarta-feira, 27, durante o Congresso AutoData Perspectivas 2025, a Toyota foi premiada com o troféu Empresa do Ano do Prêmio AutoData. A companhia foi a mais votada pelos cerca de trezentos participantes do evento, por meio de totem colocado no Centro de Convenções durante os dois dias.

Também foi premiado Roberto Cortes, presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com o troféu Personalidade do Ano. O executivo este ano completa 45 anos de companhia e 55 de indústria.

Foto: Bruna Nishihata.

A Toyota foi a vencedora com o case do seu investimento de R$ 11 bilhões nas operações industriais do Estado de São Paulo, que unificará a produção, hoje dividida pelas unidades de Indaiatuba e Sorocaba, na unidade sorocabana. Serão produzidos dois modelos e desenvolvidas tecnologias de biocombustíveis.

Os demais premiados também receberam seus troféus no evento. Confira quem são:

Abraciclo estima para 2026 produção de 2 milhões de motocicletas

São Paulo – O setor de duas rodas projeta retornar às 2 milhões de motocicletas produzidas em 2026. Este patamar foi atingido em 2011 pela última vez, quando a indústria local entregou 2,1 milhões de unidades, de acordo com Marcos Antônio Bento, presidente da Abraciclo, que participou do Congresso AutoData Perspectivas 2025, revelando a importância desta retomada:

“Estamos otimistas para voltar aos 2 milhões de motocicletas produzidas em 2026: se continuarmos crescendo no ritmo médio dos últimos anos isto será possível. É muito importante porque fomenta mais investimentos, mais localização e mais lançamentos no mercado”.

Para o ano que vem o executivo revelou que a produção e as vendas seguirão crescendo, mas não arriscou cravar se será no patamar de 2024, com alta de dois dígitos, ou de um dígito, em torno de 7,5%, que foi a média dos últimos anos da indústria de duas rodas. A expectativa da Abraciclo para esse ano é de produzir 1 milhão 720 mil unidades até dezembro, com alta em torno de 11% na comparação com 2023.

Foto: Bruna Nishihata.

O ponto negativo continua sendo as exportações, uma vez que as motocicletas nacionais atendem o nível 5 de emissões do Promot, Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos, mas os países da América Latina não exigem esse nível, recebendo motocicletas mais baratas que atendem apenas o nível 2 ou 3, ou até o nível 0 em alguns casos:

“Esta falta de harmonia regulatória dos países da região reduz a competitividade dos nossos produtos, pois conseguimos exportar para Estados Unidos e Canadá mas não conseguimos avançar nos mercados vizinhos pelo custo maior na comparação com produtos vindos de países asiáticos”.

Segundo Bento as exportações deveriam ser até quatro vezes maiores do que o volume atual. Se este cenário fosse realidade a indústria nacional chegaria aos 2 milhões de unidades produzidas antes de 2026.

GWM projeta crescer até 15% em 2025

São Paulo – A GWM está em plena transição. A partir do fim do primeiro semestre de 2025 a empresa, com origem na China, inicia a produção em Iracemápolis, SP, o que deverá reforçar sua presença no País e fomentar seu crescimento esperado de 10% a 15%, segundo Diego Fernandes, seu COO, que participou do Congresso AutoData Perspectivas 2025, em São Paulo.

O processo de contratações segue acelerado: para este ano a meta é selecionar cem colaboradores e chegar a setecentos funcionários antes do início da produção. Segundo Fernandes o processo produtivo não será exatamente CKD mas o que chamou de “peças sobre peças”, com itens nacionais, dentre eles pneus, rodas, vidros, bancos e alguns componentes elétricos. O inédito sistema híbrido flex que equipará os carros está sendo desenvolvido localmente pela Bosch, mas não estreia junto com a fábrica. O processo de pintura será 100% nacional.

Em contrapartida existirão fornecedores chineses caso o componente não tenha similar nacional: “Nosso foco é a localização”.

Em dezembro a GWM deverá se reunir com o Sindipeças para levar aos fabricantes de autopeças mais informações do seu projeto nacional e buscar reforços. Até 2026 a montadora tem a ousada meta de atingir 60% de índice de nacionalização, importante para inserir a marca nos planos de exportação para a América Latina.

Foto: Bruna Nishihata.

A antecipação da alíquota de importação para 35% e uma possível retomada dos 35% sobre peças CKD, pleiteados pela Anfavea, preocupam a GWM: “Como investir se não temos previsibilidade? Qualquer mudança gera insegurança no investidor”.

Linha Haval e lojas

O line-up inicial de Iracemápolis já está decidido. A mudança para a linha Haval, após planos iniciais de começar com a picape Poer, se deu pela boa aceitação dos modelos no mercado brasileiro e também pelos benefícios do programa Mover. Da sua linha de produção sairão inicialmente as quatro versões do H6 já vendidas no Brasil: HEV, P19, P34 e GT.

Considerando que os SUVs atualmente importados devem fechar o ano com 24 mil unidades emplacadas a expectativa é de que a fábrica comece com capacidade de 20 mil unidades por ano, podendo chegar a 50 mil em três anos. Há estudos para a produção de outros modelos, mas nada oficial, segundo informou Fernandes.

Hoje a rede possui 88 pontos de venda, 22 deles em shopping centers e outras 66 concessionárias no País. Até o fim do ano a meta é chegar a cem pontos e evoluir para 130 em 2025.

O formato de vendas diretas tem sido um sucesso, segundo o COO, com uma dinâmica de vendas diferente e condição comercial uniforme: as lojas não disputam o mesmo cliente. E os preços são os mesmos, de Norte a Sul.

Chineses são mais acelerados

Com relação à cultura organizacional chinesa o executivo, que já teve passagem pela Honda, contou que um dos diferenciais é a velocidade das decisões e a flexibilidade para mudanças. Ele citou o conceito “Pense grande, planeje bem, aja e corrija com a maior velocidade”.

Ao mesmo tempo ele admite que mudanças mais rápidas nos produtos, principalmente em design, não são tão bem aceitas no mercado brasileiro, algo para o que a marca precisa se adequar: “Temos que achar o equilíbrio”.

A GWM também terá para 2025 a chegada de duas novas marcas do grupo, a Tank com o modelo 300, SUV premium, e Wey, com o luxuoso 07, de seis lugares. Elas se juntam aos elétricos da marca Ora. 

Mesmo sem definições do Mover fornecedores apostam em crescimento

São Paulo – Três fornecedores da indústria automotiva prevêem crescimento nos negócios em 2025, mesmo sem todas as definições do Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, que ainda carece de regulamentação. As estimativas foram dadas durante o Congresso AutoData Perspectivas 2025, promovido pela AutoData Editora, em São Paulo.

O Grupo ABG, que reúne empresas como a Neo Rodas, Neo Steel e Neo Parts, dentre outras, projeta crescimento na casa dos 20% graças a novos projetos e nomeações que estão em andamento. Já a ZF prevê crescimento em torno de 7% com a oferta de produtos de alto valor agregado. Por fim a fabricante de pneus Bridgestone espera um crescimento na ordem de um dígito porcentual, ainda que não tenha especificado um número.

As três empresas ainda se encontram em estágio inicial nas conversas com o governo federal visando aos benefícios do Mover. A ZF espera entrar no programa a partir de projetos de pesquisa  e desenvolvimento de novos produtos, que podem contar com incentivos fiscais. Já a Bridgestone planeja as primeiras conversas para incluir a indústria pneumática na ação. Por fim o Grupo ABG afirma que analisa várias oportunidades, mas que ainda está na fase de estudos.

Carlos Delich. Foto: Bruna Nishihata.

“Para além do Mover estamos trabalhando fortemente na nacionalização de produtos”, afirmou Carlos Delich, presidente da ZF no Brasil. “Dentre eles estão o controle eletrônico de estabilidade e as câmaras de freio.” 

Já Alexandre Abage, CEO do Grupo ABG, declarou que nacionalizará produtos que, atualmente, são importados do México e Europa. O processo ocorrerá a partir do segundo semestre de 2025, nas fábricas da empresa em São Paulo.

Alexandre Abage. Foto: Bruna Nishihata.

Um consenso: a queixa contra a concorrência chinesa.

A entrada de empresas com origem na China no mercado automotivo brasileiro uniu as três empresas nas queixas contra a concorrência, que seus executivos veem como injusta. Segundo Abage “o Brasil é o segundo maior mercado para carros chineses e todas as empresas são bem-vindas, desde que as condições de produção e venda sejam iguais”. 

A afirmação é corroborada por Delich, da ZF: “Nós fornecemos peças para duas montadoras chinesas, mas sabemos que elas trazem outros parceiros do mesmo país e que competem no nosso mercado em condições melhores do que as empresas locais. Isso prejudica todo o nosso ecossistema”.

Damian Seltzer. Foto: Bruna Nishihata.

Damian Seltzer, country manager da Bridgestone Brasil, disse que Estados Unidos e Europa adotaram barreiras tarifárias para impedir o avanço chinês e que o governo brasileiro poderia fazer mais para proteger o mercado nacional e tornar a concorrência justa: “Com o início do governo Trump é possível que medidas protecionistas afetem não apenas a China mas, por tabela, também o Brasil”.

Ano será desafiador para o mercado de pesados, avalia Roberto Cortes

São Paulo – Para Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, 2025 será desafiador para o segmento de veículos pesados, a exemplo de 2024, ainda que as vendas tenham sido crescentes. Ele participou do Congresso AutoData Perspectivas 2025, promovido pela AutoData Editora, em São Paulo, e estimou novo crescimento nas vendas, mas optou por não estimar um número.

Foto: Bruna Nishihata.

Segundo Cortes fatores macroeconômicos, como a continuidade da queda do PIB do agronegócio brasileiro, o elevado índice de inadimplência, a restrição de crédito e a tendência de aumento da taxa de juros são desafios para o segmento. O executivo ainda listou condições geopolíticas internacionais que podem refletir sobre os negócios, como dificuldades com a cadeia de suprimentos por causa de guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio bem como a política externa do novo governo dos Estados Unidos.

Mesmo diante dos desafios Cortes declarou que a estimativa da VW Caminhões e Ônibus é a de que o PIB brasileira cresça em 2025, o que gera boas expectativas:

“O que vende caminhões e ônibus é o PIB. O agro e a construção civil continuam comprando caminhões e os programas sociais federais também ajudam nas vendas. No entanto as incertezas econômicas vindas do governo não nos permite projetar um número de crescimento para nossa empresa. O que eu posso dizer é que o próximo ano será de recuperação para a VW Caminhões e Ônibus e nossa estimativa é de crescimento. Mesmo assim estamos longe de atingir os altos níveis de vendas da década passada”.

Necessidades do setor

Roberto Cortes declarou que as necessidades do setor passam por ações governamentais, principalmente para fomentar o uso de veículos descarbonizados: “Pedimos ao governo federal a criação de políticas públicas de incentivos à venda de produtos que reduzam as emissões de carbono, como caminhões e ônibus elétricos e a utilização de biocombustíveis. Bons exemplos são as ações de desoneração às empresas do setor como ocorre na Europa e Estados Unidos”.

Dentre outras ações que beneficiariam o setor de veículos pesados o executivo listou incentivos públicos em infraestrutura para mobilidade elétrica, continuidade do programa Caminho da Escola e a adoção de um programa perene de renovação de frotas de caminhões e ônibus.

Nissan almeja 4% de participação em 2025

São Paulo – Com duas novidades programadas para o Brasil nos próximos anos, fruto do ciclo de investimentos de R$ 2,8 bilhões, a Nissan mantém a cautela: a projeção para 2024 é a de vendas de 2 milhões 450 mil veículos leves, mesmo com o mercado já tendo superado o volume do ano passado. O presidente Gonzalo Ibarzábal disse, durante o Congresso AutoData Perspectivas 2025, que a expectativa é de crescimento de 6% no ano que vem, alcançando 2,6 milhões de veículos leves.

Segundo ele a fábrica de Resende, RJ, está cerca de 90% pronta após as mudanças  para a preparação da produção dos dois novos SUVs e do novo motor 1.0 turbo. O objetivo é fazer dela um hub de exportação: “Um dos SUVs será exportado para mais de vinte países.”

Resende opera em dois turnos e, mais do que aumentar capacidade, é preciso ter tecnologia e oferecer treinamento, segundo o presidente. Cerca de 130 funcionários foram ao Japão para poder ter capacitação para fazer, segundo ele, carros de alto nível.

Um dos SUVs já é conhecido: o novo Kicks, fabricado e lançado no México. A preparação da fábrica para que ele seja produzido será finalizada até março: “Temos muita expectativa para atender às novas exigências do consumidor em tecnologia e segurança”.

Foto: Bruna Nishihata.

Já os pormenores do outro SUV ainda são guardados sob sete chaves. O presidente somente antecipou que será um modelo com produção apenas em Resende e com exportação para vários mercados, incluindo o México.

Novos fornecedores para aumentar a competitividade

Em pleno ano de transição a Nissan tem muito a comemorar: seu crescimento nas vendas alcançou 35,2% em 2023 e 27% em 2024. Ibarzábal estimou chegar a 4% de market share em 2025, índice até realista pois a marca alcançou, até outubro, 3,7% de participação.

O atual Kicks, que será mantido em produção, é detentor dos méritos. No acumulado até outubro é o quarto SUV mais vendido do País. Hoje ele tem 70% de índice de nacionalização e a meta é aumentar o número de fornecedores com a chegada dos novos modelos. Trazer a cadeia de suprimentos para próximo da fábrica equaciona gargalos logísticos e aumenta a competitividade, garantiu Ibarzábal.