Igor Calvet é o novo diretor executivo da Anfavea

São Paulo – A Anfavea contratou Igor Calvet para ocupar a sua diretoria executiva. Durante doze meses ele, que já trabalhou no MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e na ABDI, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, fará a transição com Aurélio Santana.

Calvet, graduado em relações internacionais pela Universidade de Brasília e mestre e doutorando em ciências políticas pela mesma instituição, ficou mais próximo da indústria automotiva ao ocupar a secretaria especial adjunta do Ministério da Economia, no governo Bolsonaro, e a secretaria de desenvolvimento e competitividade do MDIC, no governo Temer, tendo trabalhado diretamente na primeira fase do Rota 2030. Até outubro presidiu a ABDI.

Santana ingressou na Anfavea em 1981 e é o diretor executivo desde 2013. Sua intenção, após a conclusão da transição, é compor o Conselho da associação, na condição de conselheiro, deixando as funções operacionais e passando a ter uma atuação mais estratégica. Economista pela PUC SP, possui pós-graduação em administração econômico-financeira pelo Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano do Sul.

Aurélio Santana

Indústria registra o pior mês de exportação desde 2021

São Paulo – As exportações de veículos registraram o pior resultado mensal desde 2021, com 27,4 mil veículos embarcados, de acordo com os dados divulgados pela Anfavea, na sexta-feira, 6: os embarques em setembro caíram 3,9% na comparação com igual mês do ano passado e 20,6% quando comparados aos de agosto.

No acumulado do ano foram exportadas 322,9 mil unidades, retração de 11,2% na comparação com iguais meses de 2022. Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea, disse que as exportações seguem como o maior desafio da indústria em 2023, pois não foi possível manter o ritmo do ano passado, o que teria ajudado bastante na produção de 2023:

“Já mostramos em outras ocasiões que o Brasil está perdendo espaço na América Latina para produtos produzidos em outras regiões, sendo que aqui é o nosso principal foco de exportação”.

O executivo ressaltou a necessidade de avançar com acordos bilaterais com os países da América Latina pois em alguns casos existem restrições de cota, como é com a Colômbia, que mantém acordo com outros países sem limitação.

Lima Leite apresentou outros pontos que dificultam o avanço das exportações na região, como o custo Brasil, que faz com que a indústria acabe exportando, junto com o carro, impostos, pois não há abatimento da carga de tributação na cadeia. Outra questão é a falta de harmonização regulatória na região pois, em em muitos casos, os veículos produzidos no Brasil não atendem a normas de outros mercados, demandando adaptações e um novo processo de homologação, mais um entrave para o crescimento. 

Outros problemas pontuais também aparecem, como a atual dificuldade de exportar para a Argentina, tradicional parceiro e principal destino de veículos nacionais durante anos. O governo do país vizinho não está liberando a entrada de veículos importados, que ficam estacionados nos portos.

Segundo a Anfavea os veículos embarcados para o mercado argentino ficaram parados nos portos e acumularam 20 mil unidades ao fim de agosto. Atualmente, calcula a entidade, 10 mil ainda aguardam a documentação necessária para entrar no país.

Diante desse problema na Argentina os embarques de veículos brasileiros caíram 16% de janeiro a setembro na comparação com igual período de 2022, mesmo com o crescimento das vendas internas no mercado argentino. Chile e Colômbia, que registraram grandes quedas no acumulado do ano, também afetaram diretamente as exportações nacionais, com os embarques para esses países caindo 29% e 32%, respectivamente. 

Em valores as exportações somaram US$ 760 milhões em setembro, queda de 1% com relação a setembro do ano passado e recuo de 22,2% na comparação com agosto. O acumulado do ano ainda é positivo em 11,7%, com US$ 8,5 bilhões exportados. 

Após o resultado de janeiro a setembro a Anfavea revisou sua projeção de exportação para 2023, retrocedendo de 467 mil veículos para 420 mil até dezembro, volume que representará uma queda de 12,7% na comparação com 2022.

Bom desempenho de setembro foi puxado por vendas a locadoras

São Paulo – As vendas diretas, segundo a Anfavea, representaram 52% do total para automóveis e comerciais leves em setembro, que somaram 187,5 mil unidades. Segundo o presidente Márcio de Lima Leite existe ainda demanda reprimida das locadoras que, no ano passado, com a crise dos semicondutores, compraram menos e precisavam atualizar a frota já envelhecida da época da pandemia.

“De toda forma precisamos crescer no varejo. Este é o nosso grande desafio.”

Historicamente as vendas no varejo sempre foram superiores aos emplacamentos diretos, que são feitos por meio de faturamento da montadora para o consumidor final – e aí entram, também, produtores rurais, frotistas e vendas PcD. O varejo teve bom desempenho em julho, quando as medidas do governo de desconto nos veículos provocou aumento na demanda, mas agora voltou a se acomodar e as locadoras seguem com suas compras.

No total, somados os pesados, foram licenciados 197,7 mil veículos no mês passado, alta de 1,9% sobre setembro de 2022 e recuo de 4,8% comparado com agosto, que teve três dias úteis a mais. Lima Leite destacou: “Na média diária as vendas subiram de 9 mil em agosto para 9,9 mil em setembro”.

No acumulado do ano o setor registrou 1,6 milhão de unidades vendidas, alta de 8,5% sobre os mesmos meses do ano passado. O segundo semestre, segundo Lima Leite, segue com tendência de demanda mais forte do que o primeiro.

Os estoques, porém, preocupam: ao fim de setembro os pátios das montadoras e das concessionárias reuniam 265,8 mil veículos, volume que corresponde a quarenta dias de vendas: “Precisamos acompanhar de perto os estoques e evitar que sejam feitas novas interrupções na produção”.

Anfavea revisa projeções: produção para baixo, vendas para cima.

São Paulo – A três meses do fim do ano a Anfavea divulgou na sexta-feira, 6, novas projeções para produção, vendas e exportações para 2023. Com relação à anterior, divulgada em janeiro, mudanças positivas para o mercado doméstico, com expectativa de maior crescimento, e negativas para produção, que empata com a do ano passado em vez do aumento esperado, e exportações, com queda mais acentuada.

Para o mercado doméstico a estimativa dobrou: de 3% para 6% de aumento, somando 2 milhões 230 mil veículos, acréscimo de 62 mil unidades à projeção anterior. Puxado pelo segmento leve, em alta de 7,2% em vez de 4,1%, somando 2,1 milhão de veículos, pois para caminhões e ônibus a Anfavea manteve sua projeção de queda de 11,1%, para 128 mil unidades.

A projeção está mais próxima do sentimento do presidente Márcio de Lima Leite, que no ano passado, durante o Congresso Perspectivas 2023, citou crescimento mínimo de 5%. Em janeiro, porém, a entidade adotou postura mais cautelosa, mas o desempenho do ano surpreendeu.

Também nesta semana, na terça-feira, 3, a Fenabrave divulgou novos números, também com expectativas mais positivas para o mercado interno. A diferença da Anfavea para a entidade dos distribuidores é de 8 mil unidades.

Na produção, porém, revisão para baixo: no lugar do 2,2% de crescimento a Anfavea crê em ligeira alta de 0,1%, com 2 milhões 372 mil unidades fabricadas. São 49 mil veículos a menos do que o projetado em janeiro, e também com maior impacto em caminhões e ônibus, com recuo de 34,2%, superior à queda de 20,4% estimada em janeiro.

As exportações trazem o cenário mais delicado, com revisão para 12,7% de queda em vez dos 2,9% esperados em janeiro. São 47 mil unidades exportadas a menos do que o projetado.

Sinal amarelo para importações

O presidente Lima Leite ponderou, no entanto, que o crescimento no mercado doméstico se dará mais por importações do que por veículos fabricados no País: “Dois terços do aumento na demanda estão sendo incorporados por veículos importados”.

Das 62 mil unidades a mais, de acordo com a Anfavea, 42 mil serão importadas e 20 mil nacionais. A entidade projeta 323 mil importações em 2023, em torno de 15% das vendas totais. E, deste volume, em torno de 12 mil entrarão com o imposto de importação zerado, por serem carros 100% elétricos.

Salão do Veículo Elétrico Latino-Americano espera receber 3 mil visitantes

São Paulo, SP – O Salão do Veículo Elétrico Latino-Americano e o C-Move, Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos, começaram na quinta-feira, 5, e seguem até sábado, 7, com a expectativa de receber 3 mil visitantes no Expo Center Norte, em São Paulo. Com mais de trinta empresas participantes, como GWM, BorgWarner e Moura, junta a indústria montadora e fornecedora de componentes com a de soluções para carregamento.

Ricardo Bastos, presidente da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, revisou para cima, pela terceira vez, as expectativas para as vendas de veículos eletrificados em 2023: de 75 mil unidades para 80 mil, volume do qual um terço é produzido no Brasil:

“Temos novidades também para o setor de infraestrutura, que fará parte do PAC de mobilidade do governo federal e os investimentos realizados pelas empresas terão toda a segurança jurídica necessária para sua operação. Esse setor não entrará no Mobilidade Verde porque não envolve produção de veículos ou componentes, segundo informações que recebemos do MDIC”.

Ricardo Guggisberg, presidente do IBMS, Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável, disse estar entusiasmado com o avanço do mercado eletrificado brasileiro e que modelos elétricos e híbridos chegaram para somar à frota nacional sem competir diretamente com outros tipos de motorização que já estão consolidadas: “A eletrificação do mercado nacional também nos coloca na rota do avanço automotivo mundial”.

Celso Gonçalves Barbosa, secretário de Mobilidade e Trânsito da cidade de São Paulo, falou do trabalho dos governantes locais para conseguir avançar com um transporte público livre de emissões para a população. Até dezembro a cidade receberá mais seiscentos ônibus elétricos, sendo que recebeu, recentemente, cinquenta unidades: “Até o fim de 2024 queremos contar com 2,4 mil ônibus elétricos rodando na cidade”.

GWM planeja começar a exportar para a América Latina a partir de 2025

São Paulo – Embora nem tenha iniciado a produção de veículos em Iracemápolis, SP, prevista para 1o de maio de 2024, a GWM começa a traçar seus planos para exportar seus veículos para países da América Latina. Durante o Veículo Elétrico Latino-Americano, que ocorre de 5 a 7 de outubro no Expo Center Norte, em São Paulo, James Yang, CEO da GWM para a região, disse que em algum momento de 2025 o primeiro carro será enviado a outro país, com Argentina, Colômbia e Uruguai como fortes favoritos.

“Considerando todos os processos de homologação e testes este deve ser o prazo”, disse o executivo, sem adiantar também qual será o veículo: todos os produzidos em Iracemápolis poderão ser exportados, portanto deverá começar com a picape Poer ou o SUV inédito.

Sobre o desempenho de vendas no mercado brasileiro até setembro, o CEO disse que a demanda está dentro do esperado mas que não dispõe de projeção para o fechamento do ano porque está adequando seu volume de importação e vendas de acordo com o mercado.

“Os consumidores aceitaram muito bem o nosso SUV e estão demandando por novas soluções de motorização. Esperamos que a procura continue aquecida até o fim do ano”.

Para atender à crescente demanda a GWM está avançando com sua rede de revendas no País, com 31 concessionárias tradicionais e mais 34 lojas em shoppings que complementam o negócio. A ideia inicial era fechar as lojas em shoppings após o avanço da rede tradicional porém, com os bons resultados atingidos, a companhia decidiu manter essas unidades abertas, entendendo que elas captam clientes diferentes dos que procuram um veículo GWM na concessionária.

Greve das Big Three completa 21 dias sem acordo

São Paulo – A greve nas três maiores fabricantes de veículos dos Estados Unidos, as Big Three, as Três Grandes ou as Três de Detroit, que são Ford, General Motors e Stellantis, iniciada em 15 de setembro, entrou em seu vigésimo-primeiro dia sem acordo. É a primeira vez na história que essas companhias são paralisadas ao mesmo tempo.

A ação dirigida pelo UAW, United Auto Workers, sindicato que representa os cerca de 150 mil metalúrgicos dessas empresas, busca reajustes salariais de dois dígitos de forma escalonada, redução da jornada de trabalho, elevação dos pisos do chão de fábrica, diminuição do volume de contratos temporários e a recuperação de benefícios perdidos ao longo dos últimos quinze anos, desde a crise econômica internacional.

Além de realizar paradas em fábricas destas três montadoras sem aviso prévio, a fim de dificultar a conclusão da montagem dos veículos, a iniciativa tem abarcado também funcionários de fornecedores da cadeia automotiva, a exemplo da ZF. Além disso o UAW tem apoiado paralisações em outros setores da economia, a exemplo de profissionais da saúde.

Quanto às fabricantes de veículos a última vez que o presidente do UAW, Shawn Fain, manifestou-se dirigindo-se a uma delas foi no fim de setembro, em declaração como resposta a aviso da Ford sobre pausar a construção de sua fábrica de baterias Marshal EV.    

Fain disse que se trata de “ameaça vergonhosa e mal velada da Ford de cortar empregos”. E ele continuou lembrando que nas duas últimas décadas as Big Three fecharam 65 fábricas e que agora querem ameaçar o sindicato com o encerramento de unidades que sequer foram abertas:

“Estamos simplesmente pedindo transição justa para a eletrificação e a Ford está, em vez disso, duplicando sua corrida para o fundo do poço.”

No início da greve a empresa colocou seiscentos funcionários em layoff em uma fábrica de Michigan.

Dentre os pleitos do UAW estão o aumento de 40% ao longo dos próximos quatro anos sobre o valor da hora, que varia de US$ 18 a US$ 32, a redução da jornada de trabalho de 40 horas para 32 horas semanais e, ainda, que as montadoras voltem a oferecer subsídio que proteja os empregados da inflação ao auxiliar no enfrentamento do custo de vida, pensões tradicionais que reforcem a aposentadoria e cobertura de saúde dos aposentados.

O aviso de greve foi emitido no fim de agosto, quando o sindicato ainda tentava negociar com as Três Grandes de Detroit, sem sucesso.

Produção de veículos na Argentina acumula 465 mil unidades até setembro

São Paulo – Em setembro a indústria automotiva argentina produziu 56,7 mil veículos, volume que, embora tenha ficado 10,6% aquém de agosto, que teve um dia útil a mais, superou em 8,7% o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano saíram das linhas 465,2 mil unidades, alta de 18,1% em comparação aos nove primeiros meses de 2022. Os dados foram divulgados pela Adefa, entidade que representa as fabricantes locais.

As exportações alcançaram 35,5 mil veículos, 23,2% acima do resultado de agosto e 0,5% a mais do que no nono mês de 2022. De janeiro a setembro as 245,1 mil unidades enviadas a outros países representaram incremento de 6,2% com relação ao acumulado no mesmo período do ano passado.

O presidente da Adefa, Martín Galdeano, avaliou que estes números e índices refletem “o grande esforço do setor em meio a contexto desafiador de maior restrição às importações, elevação de impostos, inclusive a peças fabricadas no Brasil, inflação descontrolada e período eleitoral”.

Galdeano assinalou que a fim de “manter a tendência do nível de atividade é fundamental continuar a trabalhar em conjunto com a cadeia de valor e o governo em busca de medidas focadas na sustentação da produção e das exportações”.

Em meio à crise as vendas recuaram 15,6% ante agosto, para 33,3 mil unidades, volume 4,3% inferior a setembro de 2022, segundo dados da Acara, que representa os concessionários. No acumulado do ano, entretanto, as 352,7 mil unidades estão 9,5% acima de igual período de 2022.

Nova geração do Kangoo E-Tech chega à rede Renault por R$ 260 mil

São Paulo – Chegou às concessionárias Renault a nova geração do utilitário Kangoo E-Tech, com motorização 100% elétrica. Pioneiro dentre os comerciais leves elétricos o modelo acumula mais de seiscentas unidades vendidas desde seu lançamento no Brasil, em 2013.

Produzido em Maubeuge, França, o modelo é equipado com motor de 90kW, equivalente a 120 cv, e com bateria de íons de lítio de 45kWh, formada por oito módulos independentes e reparáveis. A autonomia, segundo o Inmetro, é de 329 quilômetros no ciclo urbano e de 300 quilômetros no combinado.

Disponível em versão única, e em duas cores – branco e cinza –, o Kangoo E-Tech chega ao mercado por R$ 259 mil 990.

Eaton nomeia Márcio Seleghin gerente de estratégia de produto

São Paulo – Com o objetivo de integrar a operação sul-americana à Eaton Power Connections e de trabalhar em conjunto com profissionais de engenharia, estratégia de produto e liderança de unidades de negócios em todo o mundo, o executivo Márcio Seleghin foi escolhido para ocupar o cargo de gerente de estratégia de produto da Eaton e conduzir a área de integração para terminais e conectores no Grupo Mobility América do Sul.

Formado em engenharia mecânica pela FEI e mestre em gestão industrial, Seleghin, que está há 25 anos na Eaton, trabalhou no desenvolvimento do negócio de emissão de combustível para atender a legislação de emissões evaporativas, cujo resultado foi a nacionalização das válvulas ORVR, que acabou de atingir a marca de 1 milhão de unidades em dois anos de operação em Valinhos, SP.