Cenário preocupa e Anfavea trata a queda das exportações como o tema mais desafiador para a indústria nacional
São Paulo – As exportações de veículos registraram o pior resultado mensal desde 2021, com 27,4 mil veículos embarcados, de acordo com os dados divulgados pela Anfavea, na sexta-feira, 6: os embarques em setembro caíram 3,9% na comparação com igual mês do ano passado e 20,6% quando comparados aos de agosto.
No acumulado do ano foram exportadas 322,9 mil unidades, retração de 11,2% na comparação com iguais meses de 2022. Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea, disse que as exportações seguem como o maior desafio da indústria em 2023, pois não foi possível manter o ritmo do ano passado, o que teria ajudado bastante na produção de 2023:
O executivo ressaltou a necessidade de avançar com acordos bilaterais com os países da América Latina pois em alguns casos existem restrições de cota, como é com a Colômbia, que mantém acordo com outros países sem limitação.
Lima Leite apresentou outros pontos que dificultam o avanço das exportações na região, como o custo Brasil, que faz com que a indústria acabe exportando, junto com o carro, impostos, pois não há abatimento da carga de tributação na cadeia. Outra questão é a falta de harmonização regulatória na região pois, em em muitos casos, os veículos produzidos no Brasil não atendem a normas de outros mercados, demandando adaptações e um novo processo de homologação, mais um entrave para o crescimento.
Outros problemas pontuais também aparecem, como a atual dificuldade de exportar para a Argentina, tradicional parceiro e principal destino de veículos nacionais durante anos. O governo do país vizinho não está liberando a entrada de veículos importados, que ficam estacionados nos portos.
Segundo a Anfavea os veículos embarcados para o mercado argentino ficaram parados nos portos e acumularam 20 mil unidades ao fim de agosto. Atualmente, calcula a entidade, 10 mil ainda aguardam a documentação necessária para entrar no país.
Diante desse problema na Argentina os embarques de veículos brasileiros caíram 16% de janeiro a setembro na comparação com igual período de 2022, mesmo com o crescimento das vendas internas no mercado argentino. Chile e Colômbia, que registraram grandes quedas no acumulado do ano, também afetaram diretamente as exportações nacionais, com os embarques para esses países caindo 29% e 32%, respectivamente.
Em valores as exportações somaram US$ 760 milhões em setembro, queda de 1% com relação a setembro do ano passado e recuo de 22,2% na comparação com agosto. O acumulado do ano ainda é positivo em 11,7%, com US$ 8,5 bilhões exportados.
Após o resultado de janeiro a setembro a Anfavea revisou sua projeção de exportação para 2023, retrocedendo de 467 mil veículos para 420 mil até dezembro, volume que representará uma queda de 12,7% na comparação com 2022.