Indústria direciona esforços para o estabelecimento de teto do Imposto Seletivo

São Paulo – Prevista para a quarta-feira, 24, a votação da segunda parte da regulamentação da reforma tributária foi adiada para, inicialmente, a terça-feira, 30, muito por causa do lobby feito pela Anfavea para que seja adicionado um teto de 5% para o Imposto Seletivo para veículos leves. Uma emenda foi apresentada pelo senador Carlos Viana, do Podemos, MG, que prometeu fazer um destaque em plenário a seu favor.

Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, disse acreditar em boa possibilidade de haver aprovação no plenário do Senado. “Depois vai para a Câmara. Aí é uma batalha diferente”, afirmou na sexta-feira, 26, em conversa com jornalistas no Summit Futuro da Mobilidade, organizado por AutoEsporte e Valor Econômico.

O presidente da Anfavea disse ter percorrido o gabinete de mais de quarenta senadores em dois dias para mostrar a visão da indústria sobre o imposto. Ele teme que os veículos tenham alíquotas elevadas após a aprovação da reforma tributária: “A informação que chegou a nós é a de um imposto seletivo base de 10%, ao qual seriam aplicados os bônus e malus. Nossa proposta é 5% de teto”.

Como adiantou Uallace Moreira Lima, secretário de desenvolvimento industrial, inovação, comércio e serviços do MDIC, em entrevista a AutoData, o IPI Verde seria a base do Imposto Seletivo. Assim, ao veículo leve seria aplicado os IBS e CBS, dois novos impostos criados com a reforma, na faixa dos 28%, a tarifa-base de 10% do IS e mais os bonus e malus que foram estabelecidos com o IPI verde. Um veículo a diesel poderia ter mais de 50% de imposto, por exemplo.

Presidentes criticam inclusão dos veículos

Santiago Chamorro, presidente da General Motors América do Sul, que participou do evento, afirmou que a inclusão de veículos no chamado imposto do pecado coloca a indústria “ao lado de outros setores que geram grandes problemas”.

“Estamos investindo mais de uma centena de bilhões de reais no Brasil e ganhando um imposto de presente? Meu número ideal para esta alíquota é zero!”

Segundo Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul, a cobrança de mais impostos nos veículos reduziria a acessibilidade da população e inibiria a entrada de carros novos no parque circulante: “Os carros novos têm mais tecnologia e menos emissão. Cobrar mais impostos incentiva os carros poluentes e segue direção contrária do que pretende o Mover [Programa Mobilidade Verde e Inovação]”.

Cappellano disse que “uma alíquota próxima de zero” seria o ideal. 

O presidente e diretor geral da Renault do Brasil, Ariel Montenegro, acrescentou que a cobrança de impostos elevados prejudicaria o mercado brasileiro de veículos e a própria indústria local: “As vendas ainda não recuperaram os patamares do passado. Ainda temos a taxa de juros em nível elevado. A adição de um imposto é um sinal negativo e uma ameaça a novos investimentos por aqui”.

Toyota considera importar motores para retomar a produção de veículos

São Paulo – Passado o susto com as fortes chuvas que destruíram parte da fábrica de motores em Porto Feliz, SP, na segunda-feira, 22, e após a constatação de que a produção deverá ficar suspensa até o início do ano que vem, a Toyota afirmou considerar a possibilidade de importar motores.

“Em uma primeira análise a retomada da fábrica de motores deverá levar meses e, considerando esta situação, a empresa está buscando alternativas de fornecimento de motores junto a unidades da Toyota em outros países, com o objetivo de retomar a produção de veículos nas plantas de Sorocaba e Indaiatuba [SP]”, informou a montadora, em nota. 

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba, Leandro Soares, afirmou que, dentro desta intenção da companhia de encontrar maneiras de minimizar esta parada, é considerado, por exemplo, trazer motores da Tailândia: “O que dificulta um pouco o processo é que o único motor híbrido flex que a Toyota produz no mundo está no Brasil. Então não é algo tão simples, requer modificação e adaptação de outra unidade para produzir esses motores, mas a empresa está estudando as possibilidades”.

Outra opção, cogitou Manoel Neres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Itu e Região, que abrange Porto Feliz, seria tentar recuperar uma linha de montagem e aproveitar a cadeia de fornecedores que poderia dar conta das atividades de usinagem e fundição.

“Estamos discutindo esta situação com os sistemistas que trabalham com a Toyota. Será estudada a possibilidade com clientes que reúnam as condições de fundirem o cabeçote de motor e fazer o serviço de usinagem para agilizar a retomada de uma linha de montagem.”

Enquanto isto os trabalhadores das três unidades, Porto Feliz, Sorocaba e Indaiatuba, estão em casa com desconto no banco de horas. A partir de 1º de outubro eles entrarão em férias coletivas de vinte dias e, posteriormente, terão layoff que se estenderá de sessenta a 150 dias, ou seja, de dois a cinco meses.

Em assembleia virtual realizada na sexta-feira, 26, foi aprovada a ampliação de benefício durante o período de layoff. Anteriormente só receberia 100% do vencimento quem tivesse salário de até R$ 4,5 mil. Agora a montadora aprovou esta condição para quem recebe até R$ 10 mil, informou Soares.

A Toyota tem ainda outra questão para solucionar, além da importação de motores, que é o redirecionamento da produção que tem como destino mercados externos atendidos pelo Brasil, responsável por abastecer toda a América Latina e os Estados Unidos.

De acordo com a montadora levantamento de danos prossegue com bastante cuidado em Porto Feliz, a fim de permitir o desenvolvimento dos respectivos planos de reparo, mantendo a segurança das pessoas como a maior prioridade: “Mesmo diante deste cenário desafiador a Toyota do Brasil segue confiante na superação de todos os obstáculos para uma rápida recuperação de suas atividades de produção de motores e veículos no País.”

Como a reportagem da Agência AutoData noticiou na terça-feira, 23, o lançamento do Yaris Cross, previsto para outubro, foi adiado, ainda sem uma nova data

Trabalhadores da Scania aprovam reajuste salarial por dois anos

São Paulo – Após diversas rodadas de negociações e paralisação de duas horas na linha de produção de São Bernardo do Campo, SP, na última semana, a Scania ofereceu proposta salarial aprovada em assembleia com os trabalhadores realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Válido por dois anos o acordo prevê reajuste de 4% nos salários e correção de 30% no vale-alimentação retroativos a 1º de setembro, data-base da categoria. 

O sindicato pleiteava 5,05% da reposição do INPC, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, mais aumento real que alcançasse, no mínimo, 6,4% de correção para este ano. No entanto a contraproposta ofereceu reajuste maior no benefício e também assegurou o aumento de 2026. 

Para setembro do ano que vem está garantida a reposição da inflação mais 1% de aumento real. A correção do vale-alimentação seguirá a mesma fórmula. Também foram aprovados os valores da PLR, participação nos lucros e resultados, para os dois anos, a serem pagos em duas parcelas, e as cláusulas sociais foram mantidas. 

O coordenador da representação sindical na Scania, Francisco Souza dos Santos, conhecido como Maicon, relatou as dificuldades enfrentadas na mesa dadas as condições de mercado em queda frente ao cenário econômico com juros na casa dos 15% ao ano e maior dificuldade de acesso ao crédito:

“Foram realizadas dezessete reuniões para chegarmos a esta proposta”, contou Maicon. “Mas a mobilização dos trabalhadores e o entendimento de todos foram fundamentais para avançarmos.”

Trabalham hoje na Scania em São Bernardo do Campo em torno de 5 mil profissionais.

Mercado europeu teve em agosto o pior resultado do ano

São Paulo – As vendas de automóveis e comerciais leves, na Europa, registraram o pior resultado do ano em agosto, com 677,8 mil unidades. De toda forma o resultado ainda foi 5,3% maior do que o de igual período do ano passado. Na comparação com julho houve queda de 25,9%, de acordo com dados divulgados pela Acea, entidade que representa o setor automotivo na União Europeia.

Com este resultado o acumulado do ano chegou a 7 milhões 78 mil unidades comercializadas, contra 7 milhões 178 mil de janeiro a agosto de 2024, registrando queda de 1,4%.

A participação dos veículos eletrificados continua avançando, saindo de 58,9% até julho para 59,3% até agosto. No período os híbridos convencionais, HEV, representaram 34,7% das vendas, seguidos pelos 100% elétricos, BEV, com 15,8% de participação nas vendas, e os híbridos plug-in, PHEV, representaram 8,8%.

Já os modelos com motor apenas a combustão interna conquistaram participação de 37,5% nas vendas, sendo 28,1% para modelos movidos apenas a gasolina e 9,4% para os modelos que rodam com diesel. Até julho a participação desses veículos era de 41,1%.

Volvo CE trabalha em demolição só com máquinas elétricas na Europa

São Paulo – A Volvo CE está trabalhando na primeira demolição realizada apenas por máquinas 100% elétricas, com duas escavadeiras, duas carregadeiras e um manipulador de materiais, todos produzidos pela companhia na Europa. A operação é feita na Alemanha, em Erlangen, no campus de tecnologia da Siemens. 

Dois caminhões elétricos da Volvo também estão trabalhando no suporte à operação, que já derrubou três prédios e processou 12,8 mil toneladas de resíduos. 96% desse volume foram totalmente reciclados e serão usados como matéria-prima em outras construções, gerando economia circular.

Frasle investe R$ 45 milhões para modernizar fábrica em Caxias do Sul

São Paulo – A Frasle Mobility finalizou em 2025 investimento superior a R$ 45 milhões na sua fábrica instalada em Caxias do Sul, RS, para atualizações tecnológicas e ampliação da capacidade fabril. A empresa comprou novos equipamentos e adotou novas tecnologias, com foco em automação, em uma das suas principais linhas de produção de pastilhas de freio para veículos comerciais.

Na linha de produção que foi atualizada a Frasle já produz as pastilhas Ehnergy, feitas com materiais ultra resistentes que garantem maior durabilidade. Elas foram lançadas recentemente no mercado com formulação específica para uma nova condição de temperatura dos veículos elétricos, especialmente em frenagens abruptas quando as pastilhas estão frias.

Marcelo Santiago é o novo diretor de experiência e atendimento ao cliente da Nissan 

São Paulo – A Nissan anunciou Marcelo Santiago como seu diretor de experiência e atendimento ao cliente para a América Latina. O executivo, que ingressou na companhia em 2019, já ocupava o cargo de diretor de experiência do cliente para a região desde 2024, e agora terá seu escopo ampliado.

Ele continuará em São Paulo e se reportando a Gerardo Fernández Aguilar, vice-presidente de marketing e vendas da Nissan América Latina. 

Graduado em propaganda e marketing pela Unip, Universidade Paulista, e em arquitetura e urbanismo pela Universidade Anhembi Morumbi, o executivo também tem MBA pela Ibmec e acumula 25 anos de trajetória em transformação digital, gestão de dados e experiência do cliente em grandes corporações, como General Motors, Danone e Grupo Boticário. 

Besaliel Botelho retorna aos negócios como representante da Airlife no Brasil

São Paulo – Depois de mais de duas décadas à frente da Bosch na América Latina Besaliel Botelho está de volta aos negócios do setor automotivo, agora em um novo campo de atuação: a tecnologia de purificação e higienização do ar em veículos. O executivo assumiu a representação no Brasil da Airlife, empresa chilena especializada neste tipo de tecnologia para o segmento de transporte e que já opera há três décadas em diversos países da América Latina, além da Espanha e da América do Norte.

O carro-chefe da companhia é a tecnologia Oxion, que promete purificar o ar e as superfícies internas de veículos em apenas 20 minutos, sem o uso de agentes químicos ou insumos adicionais.

“Antes de iniciar a atividade no Brasil fiz questão de testar o produto nos laboratórios da Unicamp, que comprovaram eficácia de mais de 99%”, disse Botelho em entrevista ao programa Linha de Montagem AutoData.

O plano inicial da Airlife prevê atuação em parceria com concessionárias, locadoras e frotistas, oferecendo o serviço como diferencial durante revisões periódicas e na gestão de frotas. A apresentação oficial ao mercado brasileiro ocorreu durante o último congresso da Fenabrave, realizado em São Paulo.

Botelho acredita que o modelo de negócio, baseado na cessão dos equipamentos em comodato aos parceiros, pode facilitar a adoção da tecnologia: “É um verdadeiro ganha-ganha: o concessionário não precisa investir praticamente nada e pode oferecer um serviço de alto valor agregado ao cliente”.

Setor automotivo em transformação

Na entrevista o executivo também avaliou o atual momento da indústria automotiva. Para ele a eletrificação é um caminho sem volta e exigirá investimentos robustos para que o Brasil consiga ganhar escala de produção.

“Estamos concorrendo com países que já têm escala e que, por isto, conseguem ser muito mais competitivos. Precisaremos buscar este volume para que possamos sobreviver como indústria no futuro.”

Botelho acredita na ampliação das exportações como plano essencial para esta sobrevivência da indústria no País: “As montadoras se adaptam mais rápido, mas para a cadeia de autopeças a realidade é mais complicada. De agora em diante a competitividade estará cada vez mais ligada aos volumes”.

Ao voltar ao mercado com a Airlife Botelho une a experiência acumulada em décadas no comando de uma das maiores fornecedoras globais de tecnologia automotiva a uma aposta em inovação voltada à saúde e ao bem-estar nos veículos e marca sua reentrada nos negócios trazendo ao Brasil uma solução inédita.

VW Caminhões e Ônibus e Ecorodovias unem forças para testar diesel B100 em operações reais

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus e a Ecorodovias se uniram para testar o rendimento e a confiabilidade do B100, biodiesel 100% renovável de origem vegetal, nas operações de atendimento rodoviário da concessionária Ecovias Noroeste, no Interior do Estado de São Paulo.

A frota que rodará com B100 é formada por quatro veículos: um Meteor 29.530 e dois Delivery 11.180 que operam como guincho e mais um Constellation 17.190 usado como caminhão pipa. O abastecimento dos veículos será feito em uma base de atendimento ao usuário em Araraquara, SP, com o B100 produzido e fornecido pela Brejeiro, que produz biodiesel de soja.

A intenção dos testes é entender a eficiência do B100 em operações diárias da concessionária, avaliando seu consumo, efeitos na manutenção dos veículos e confiabilidade em situações reais de trabalho.

Stellantis avança nos serviços conectados para frotistas e motoristas

São Paulo – A Peugeot foi a mais recente marca da Stellantis a receber um sistema de serviços conectados dedicado a frotistas, o My Peugeot Pro. Juntou-se à Fiat, com o Connect Me, e a Citroën, com o Connect Fleet, que já os ofereciam em seus comerciais leves. Quem lidera toda esta evolução da área local de software é Gisele Tonello, vice-presidente de gestão de negócios de software para a América do Sul. Engenheira eletricista formada pelo Instituto Mauá, de São Paulo, fez carreira na indústria automotiva, na qual ocupou diversas funções na General Motors.

Chegou com a missão de expandir a área e criar um hub de software na região – algo que está em curso, já com equipe na Argentina, que compõe os 250 funcionários na América do Sul.

“Temos mais de 350 mil veículos conectados em circulação”, disse em conversa com o Agência AD Entrevista, em que abordou os pormenores de seus produtos e da operação, que trabalha integrada com as outras divisões da Stellantis.

Acompanhe os principais momentos da conversa:

Por que a Stellantis optou por desenvolver soluções próprias de software para frotas, uma vez que existem diversas opções no mercado?

Os serviços conectados estão sempre evoluindo. Existe uma gama de arquiteturas elétricas nos nossos veículos e toda vez que buscamos uma solução olhamos primeiro para para dentro de casa, para buscar fazer com que a plataforma seja totalmente integrada aos nossos ecossistemas. Isto também garante um controle maior sobre os dados. Então, obviamente, quando falamos de carro conectado, conseguimos ter mais rapidez, mais fluidez na adição de novas funcionalidades e fazer a atualização de produtos de uma forma mais contínua, que é o que o mercado espera quando falamos de tecnologia, além de trazer soluções mais customizadas.

Como funciona o My Peugeot Pro e o que traz de vantagens para o frotista?

O MyPeugeot Pro é uma das soluções que a gente tem aqui. Oferecemos serviços de conectividade para clientes frotistas em três marcas do grupo: Peugeot, Fiat e Citroën. E todas elas customizadas para este segmento de clientes. O primeiro deles é justamente focado no TCO, que é o total cost of ownership, fundamental para esse segmento. Temos uma plataforma, tanto via aplicativo quanto via web, na qual é possível fazer a gestão da frota: é possível ver por veículo, quilometragem rodada, receber alertas de localização, ignição ligada ou desligada, criar cercas eletrônicas para poder acompanhar melhor o trajeto e customizar relatórios, receber informações de velocidade, comportamento de direção, tudo aquilo que é fundamental para a gestão de frotas. Outra funcionalidade importante para nossa região é a de localização e rastreamento: no caso de um roubo ou furto é possível fazer a recuperação do veículo. Ela está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana.

Como estão os primeiros meses de operação? Já houve retornos de clientes, positivos ou negativos?

Lançamos o primeiro em outubro de 2023, então é relativamente recente né? Acompanhamos o retorno da nossa equipe comercial e também direto dos clientes. Ele é muito bom, traz muito valor e acredito ser muito tangível. Aí vamos usando estas opiniões para fazer melhoria do produto. E o fato de ser um produto conectado facilita a evolução sem necessariamente trocar tudo.

O serviço da Peugeot, de início, está com doze meses de gratuidade. Qual é o planejamento para cobrança? Será em pacotes?

Colocamos este período de experimentação justamente para os clientes que nunca tiveram contato com esta solução técnica poderem experimentar na prática. A partir deste teste e dos retornos dos clientes definiremos os pacotes que passarão a ser cobrados em determinado momento. A tendência é oferecer um pacote completo e outros mais reduzidos, para atender à necessidade de cada um.

Existe algo similar ao My Peugeot Pro em outra operação da Stellantis no mundo ou é um desenvolvimento 100% brasileiro?

Nós dispomos de equipe de desenvolvimento local, específico para a nossa região. Esta solução foi desenvolvida aqui, mas temos também soluções globais, para atender outras regiões, como Europa e Estados Unidos. E existe muita troca com eles. Aqui na região, além desta solução focada em frotistas, oferecemos também nas marcas para o cliente B2C: tem o Fiat Connect Me, Jeep, Adventure Intelligence e RAM Connect. E recentemente lançamos o MyPeugeot.

Qual a diferença dos produtos pensados para pessoa física?

Eles são mais focados na saúde do veículo. O cliente pode receber notificações, como alerta de manutenção, e pode fazer o agendamento online, comandos remotos, como abrir e fechar portas, ligar e desligar o veículo, ligar o ar-condicionado para deixar o carro climatizado antes dele chegar… essa parte do aplicativo é muito focada em conforto e conveniência aos clientes. Em paralelo, tanto o aplicativo como dois botões posicionados no veículo, dão acesso à nossa central de atendimento 24 horas. Nossa equipe consegue dar assistência ao cliente, tirando dúvidas de produtos, vendendo pacotes e serviços de segurança e emergência. E tem também a função de recuperação do veículo, que já comentei nos comerciais. E, no caso de um acidente com disparo de airbag, o veículo automaticamente se comunica com a central, sem qualquer necessidade de ação, com um canal de voz e consegue conversar com quem está no veículo e pode entrar em contato com serviços de emergência.

Como está estruturada a divisão de software da Stellantis? Quantas pessoas trabalham nela, há planos de expansão?

Trabalhando em software direcionado para serviços conectados em torno de 250 pessoas na região. Existe sinergia com o global, obviamente, não só em solução técnica mas com troca de informações com equipes da Europa, Estados Unidos. Deste grupo, uma parte está focada no que chamamos de on board, no desenvolvimento da solução técnica que está embarcada no veículo e toda a integração com os módulos da arquitetura. A outra parte é o off-board, que inclui o aplicativo, a interface com o cliente na versão web, o que roda na nuvem. É onde a mágica acontece, né? E tem a integração de ecossistemas. Sob a minha responsabilidade são em torno de sessenta pessoas, responsáveis pela operação de negócios de software: a gestão do sistema, comercial, parcerias.

Oferecer soluções em software pode ser uma nova fonte de receita para a Stellantis?

Temos fontes de receita já, como a inscrição dos serviços, as mensalidades após o período de gratuidade. E as parcerias que mencionei: sempre respeitando a LGPD oferecemos os dados que coletamos. Com eles conseguimos gerar muita informação valiosa para nossos parceiros, que além de trazer monetização para nós pode reverter em benefício para o cliente, como no desconto do seguro.