A receita da economia no campo

Marca pertencente ao grupo AGCO, com mais de 175 anos de experiência global na produção para a indústria agrícola, a Massey Ferguson é a maior exportadora de máquinas agrícolas da América Latina. Referência no mercado brasileiro há seis décadas com seus tratores, colheitadeiras, plantadeiras, implementos, pulverizadores, enfardadoras e produtos e serviços de agricultura de precisão, a empresa exporta seus produtos para mais de 80 países. Possui três plantas industriais no Rio Grande do Sul, uma em São Paulo e uma na Argentina, com uma extensa e estabelecida rede de concessionárias no Brasil, com mais de 200 lojas.

Esse posicionamento tão substantivo no segmento do agronegócio advém de uma vocação histórica para empreender novas tecnologias à serviço do campo. Na busca por aumentar a produtividade e reduzir os custos dos clientes finais, os avanços tecnológicos apresentados pela Massey Ferguson têm se mostrado grandes aliados dos agricultores e são essenciais para a produção de alimentos e garantia de segurança alimentar global. Lucas Zanetti, Gerente de Marketing Produto Massey Ferguson, destaca cinco tecnologias presentes nas máquinas agrícolas que auxiliam na eficiência da produção e reduzem custos para os agricultores.

  • Piloto Automático – a utilização do piloto automático é fundamental para otimização das operações agrícolas. Além de reduzir o tempo dedicado às tarefas, minimiza falhas humanas e fadiga do operador, economizando combustível e proporcionando uma distribuição mais uniforme, permitindo que ele se concentre no monitoramento da qualidade da operação.
  • Taxa Variável – essa tecnologia evita desperdícios ao aplicar insumos na quantidade exata e no local adequado. Baseada em análises detalhadas do solo, a ferramenta permite correção personalizada, garantindo utilização mais precisa e eficiente dos insumos.
  • Corte de seção – contribui para a redução de custos no plantio, evitando sobreposições e otimizando o uso de sementes. A tecnologia promove o desligamento da seção no local onde já houve o depósito da semente, evitando o replantio principalmente em cabeceiras e arremate. Na pulverização, além de economizar produtos, minimiza o risco de contaminação fitossanitária, garantindo uma aplicação mais eficaz e segura. A tecnologia permite que ocorra o desligamento automático do bico pulverizador quando a máquina passa por um ponto onde o produto já foi aplicado.
  • Telemetria – o MF Connect da Massey Ferguson oferece acesso remoto a dados importantes das máquinas. Informações sobre consumo de combustível, localização geográfica e manutenção são disponibilizadas em tempo real, permitindo tomadas de decisão embasadas em dados precisos, tanto para operadores quanto para gerentes, em qualquer local.
  • Automação – há diferentes níveis de automação nas máquinas agrícolas, como piloto automático e ajustes de velocidades do percurso a operações em que a máquina é capaz de seguir a trajetória e velocidade definida e executar manobras sem a necessidade de intervenção humana. Essas diferentes etapas mostram não apenas a evolução tecnológica, mas também a diversidade de cenários em que as máquinas agrícolas podem operar de forma mais eficiente e autônoma, reduzindo custos.

Segundo o especialista, a perspectiva de máquinas agrícolas utilizarem inteligência artificial e responder a comandos por voz não está distante. “Assim como vemos a automação nas residências, a inteligência artificial pode ser amplamente adotada na agricultura. O desafio é a conectividade, visto que apenas 40% das áreas rurais têm acesso à internet. A expansão da internet no campo é fundamental para impulsionar a automação das operações e otimizar ainda mais os recursos, impulsionando a produtividade de forma sustentável”, conclui.

Jomed instala ponto de abastecimento de biometano em sua sede

Guarulhos, SP – Uma das pioneiras na adoção de caminhões a gás da Scania, tendo comprado uma das primeiras unidades no Brasil, a Jomed Transportes saiu na frente também para resolver um problema encontrado durante a operação: instalou em sua unidade de Guarulhos um ponto de abastecimento de biometano. A intenção, segundo Carlos Ferreira, seu gerente de sustentabilidade, é garantir abastecimento com o combustível que menos emite CO2, o biometano.

As rotas mais curtas, especialmente pela Grande São Paulo, serão totalmente atendidas com o combustível que reduz em até 90% as emissões dos gases do efeito estufa quando comparado com o diesel: “Nas rotas mais longas abasteceremos aqui com o biometano e depois faremos um mix com o GNV, que encontramos mais facilmente nas estradas”.

Quem fez toda a instalação do ponto e fornecerá o combustível à transportadora é a Ultragaz. O biometano será produzido em Caieiras, SP, e transportado pela empresa até a garagem da Jomed. Em 14 minutos um caminhão será totalmente reabastecido, tempo bem abaixo do abastecimento tradicional de um modelo a gás.

“Pedimos aos motoristas que tentem retornar à garagem com pouco combustível, para que possamos utilizar ao máximo o biometano”, disse Ferreira, que concedeu entrevista, durante a inauguração do ponto de abastecimento em Guarulhos na sexta-feira, 17, ao Agência AD Entrevista.

Carlos Ferreira, gerente de sustentabilidade da Jomed

Por que a Jomed decidiu criar um sistema de abastecimento de biometano na sua sede? 

Foi necessidade que a empresa enxergou no mercado. Falta infraestrutura, não temos disponibilidade de gás nas rodovias nas rotas que a Jomed atende. Então entendemos que precisávamos dar um passo mais alinhado com as nossas metas de descarbonização e surgiu a oportunidade de termos essa estrutura oferecida pela Ultragaz. Demos início ao projeto, fizemos a análise de viabilidade e entendemos que era justificável criar um ponto de abastecimento interno para ganhar em produtividade e reduzir as emissões, para alcançarmos as nossas metas globais junto ao Pacto Global da ONU, ao Movimento Ambição NetZero e à nossa cadeia de clientes.

Como funciona esse ponto de abastecimento? Quanto tempo demora para abastecer um caminhão? 

Em um posto de combustível comum para abastecer com gás o tempo de parada gira em torno de 45 a 50 minutos. Dentro de casa, agora, conseguimos reduzir para 14 minutos, com biometano, graças à tecnologia Ultragaz. Nosso ponto tem um bico de alta vazão, padrão europeu, que faz a gente ganhar muito tempo e acaba com aquele problema de não conseguir atender as janelas de entrega dos nossos clientes.

De onde vem o biometano? 

O biometano é gerado por meio do processamento da biodegradação de materiais. Esta versão exclusiva que estamos consumindo vem de Caieiras, a Ultragaz a traz até nosso ponto de abastecimento. Cada carreta injeta em torno de 5,5 mil a 6 mil m3 de biometano no sistema.

É possível seguir abastecendo com o combustível renovável durante a operação ou será feito um mix? 

Para longas distâncias, infelizmente, não conseguimos abastecer 100% com biometano. Mas para as rotas de curtas distâncias, como na Capital e na Grande São Paulo, já estamos atendendo com 100% de biometano, reduzindo em mais de 90% as emissões. 

É suficiente para atender toda a frota de caminhões GNV da Jomed? 

Sim. Quando fizemos a parceria com a Ultragaz garantimos uma capacidade a mais de moléculas de biometano, já contando com o aumento de nossa frota a gás.

Qual é o tamanho da frota de caminhão GNV da Jomed hoje? Tem plano de aumentar? 

Temos cinquenta veículos movidos a gás. Dentro de doze meses teremos mais 31 novos veículos movidos a gás na nossa frota. Esta é a estimativa da Jomed. 

E quanto representa na frota? 

Isso representará em torno de 15% da nossa frota. 

Manter uma frota movida a GNV ou biometano é sustentável ecologicamente. E economicamente? 

Todo projeto relativo à sustentabilidade tem que ter o equilíbrio em três áreas: social, ambiental e econômica. Quando fizemos a análise da viabilidade [do ponto de carregamento de biometano] constatamos que conseguiríamos ter um preço atrativo junto ao fornecedor. Hoje o metro cúbico de gás é 14,5% mais barato do que o diesel.

Quais outras iniciativas sustentáveis que a Jomed tem na operação?

Dentro do contexto que chamamos de transporte sustentável, não só a questão dos veículos rodando com combustível a gás, mas toda a agenda ESG implementada dentro da organização, temos projetos sociais, auxílio junto a ONGs e toda a parte de gerenciamento de resíduos. Hoje 100% dos resíduos gerados em nossas operações são destinados de forma ambientalmente correta. A Jomed tem uma grande participação na economia circular com as embalagens, a água usada para a lavagem dos veículos na nossa matriz, em Guarulhos, e temos um ponto de lavagem na unidade de Cariacica [ES] que tem 100% do sistema de tratamento e reuso de água, captação de água de chuva e água de poço. 

A Jomed foi pioneira no biometano e no GNV, um dos primeiros clientes da Scania. Têm estudo para eletrificação da frota?

Nós estudamos todos os cenários possíveis porque a ideia realmente é alcançar a descarbonização. Mas não pensamos em eletrificação a curto prazo. Até pela falta de infraestrutura não sabemos como será essa questão. E devido ao fato de as entregas hoje serem todas urgentes, quando falamos principalmente na questão de e-commerce, não dá pra você ficar com o veículo tanto tempo parado, sem produzir, porque o cliente precisa ser atendido do outro lado. E enxergamos o biometano como o combustível do presente e do futuro a longo prazo.

Brasil passa ao largo da reestruturação mundial

Cortar custos fixos e variáveis, reduzir o tamanho da operação: “É voltar para o básico”, disse Christian Meunier, chairman da Nissan Américas, sobre o plano de reestruturação Re:Nissan, anunciado semanas antes de sua viagem ao Brasil, onde participou do lançamento do Novo Kicks, em meados de junho.

Divulgado no fim de maio, após a Nissan reportar prejuízo de R$ 4,5 bilhões no último ano fiscal terminado em março, o Re:Nissan prevê o fechamento de sete fábricas e o corte de 20 mil postos de trabalho ao redor do mundo. Na divisão comandada por Meunier, a Américas, o objetivo é reduzir em US$ 1 bilhão os custos fixos e em outro R$ 1 bilhão os custos variáveis no atual ano fiscal.

O encerramento da operação fabril na Argentina, em fábrica que dividia com a Renault em Córdoba, com a transferência para o México da produção da picape Frontier, e o fechamento do escritório no Rio de Janeiro, RJ, são dois exemplos de cortes de custos fixos na América do Sul. Meunier não entrou em pormenores mas as ações mais robustas deverão ocorrer na América do Norte, onde a operação é maior e existe gordura para ser queimada.

Porque no Brasil, segundo o próprio chairman, a situação é diferente. O investimento de R$ 2,8 bilhões previsto até o fim do atual ano fiscal está confirmado, bem como a produção de dois novos SUVs na fábrica de Resende, RJ – o primeiro deles o Novo Kicks.

“Eu acho que o Brasil terá um papel muito importante e estamos comprometidos com a operação de Resende. O desempenho aqui está bom, no México estamos indo bem e na América do Norte estamos em recuperação.”

PRINCIPAL DIVISÃO DA NISSAN

Esta reportagem foi publicada na edição 423 da revista AutoData, de Julho de 2025. Para ler ela completa clique aqui.

Foto: Divulgação/Nissan

Toyota entra na reta final das obras da nova fábrica de Sorocaba

Sorocaba, SP – Chegaram à fase final as obras de construção da nova fábrica da Toyota, ao lado de sua atual, em Sorocaba. Ocupará 160 mil m² de terreno de 400 mil m², ampliando a capacidade do complexo produtivo de 100 mil para 260 mil unidades anuais. A inauguração está prevista para o segundo semestre do ano que vem.

Ela substituirá a unidade de Indaiatuba, também no Interior de São Paulo, que será desativada. A reportagem da Agência AutoData visitou as obras na segunda-feira, 18. O projeto contempla três pavilhões: funilaria, pintura e montagem final, todos equipados com tecnologias de ponta.

A funilaria será 95% automatizada, com até 250 robôs em operação. A pintura, que também contará com o trabalho de mais vinte robôs, terá um sistema inovador sem consumo de água, com filtragem por papelão reciclável, que possibilitará o reaproveitamento de praticamente 100% do material utilizado. A montagem final será realizada por meio de AGVs, Auto Guided Vehicles, que dispensam o uso de esteiras tradicionais.

Fotos: Márcio Stéfani.

Com a geração de 2 mil empregos diretos, dos quais metade destinados a mulheres, a fábrica será um dos principais vetores de desenvolvimento da região, segundo Rafael Chang, CEO da Toyota para América Latina e Caribe. “Estamos operando hoje em três turnos, tanto no Brasil como na Argentina, e queremos ver nossa participação continuar crescendo em todos os países da América Latina onde atuamos”.

Segundo ele a expectativa é comercializar cerca de 500 mil veículos neste ano na América Latina, dos quais 400 mil fabricados nas fábricas do Brasil e da Argentina. Chang afirmou que a montadora precisa oferecer todas as opções tecnológicas aos clientes. Por isso, além do Yaris Cross, programado para novembro, e de um novo modelo híbrido flex que será produzido no Brasil e apresentado em breve, a Toyota também iniciará a importação de um modelo elétrico para a região no início de 2026.

A nova fábrica em Sorocaba terá papel estratégico na transição tecnológica da Toyota no Brasil e será inicialmente dedicada à produção do Corolla e do novo modelo híbrido flex. Já a fábrica atual seguirá com a produção do Corolla Cross e do Yaris Cross, ambos também com versões híbridas.

Engenharia em grande escala

A obra, realizada por três construtoras, exigiu uma das maiores operações de terraplanagem da região. Foram movimentados 2 milhões de m3 de terra, cerca de 2 mil caminhões por dia ao longo de seis meses. Segundo Márcio Piazzi, gerente de logística da fábrica de Sorocaba e responsável pela obra, o terreno foi integralmente nivelado com recursos do próprio local.

Morro usado para a terraplenagem. Sua altura era três vezes maior. Fotos: Márcio Stéfani.

Toda a obra civil será concluída até dezembro. Em seguida terão início a instalação dos equipamentos e o treinamento das equipes, preparando o complexo para o início das operações no segundo semestre de 2026.

Motores

A Toyota também reforçou a importância da produção de motores no Brasil dentro de seus planos regional e global. A companhia mantém hoje capacidade instalada superior a 200 mil unidades por ano no Brasil, com exportações crescentes para diversos mercados. Somente para os Estados Unidos a expectativa é embarcar cerca de 27 mil motores até dezembro

Segundo Rafael Chang o desempenho não foi afetado pelas recentes medidas tarifárias: “Temos esta capacidade para produzir mais de 200 mil motores por ano no Brasil, dos quais 27 mil deverão ir para os Estados Unidos até o fim do ano. Mesmo com o tarifaço estamos mantendo nossas exportações em linha com o planejado.

Tradicional versão XTR retorna com os Citroën C3 e C3 Aircross

São Paulo – A Citroën anunciou que a próxima versão especial dos hatch C3 e do SUV C3 Aircross se chamará XTR, voltando a usar este nome para edições especiais dos seus modelos, como fazia nos anos 2000.

As novidades deverão ser apresentadas nas próximas semanas.

De janeiro a julho o Citroën C3 somou 7,4 mil vendas e o C3 Aircross 3,4 mil.

GWM investe em centro de P&D em Iracemápolis

Iracemápolis, SP – A primeira fase de investimentos para a GWM se tornar uma fabricante nacional é de R$ 4 bilhões, que teve início em 2022 e irá até o ano que vem. Neste cronograma estava previsto o lançamento da marca no País, a compra da fábrica de Iracemápolis, SP, e todas as adaptações para começar a produção lá. Outra destas iniciativas foi apresentada na inauguração da fábrica: um centro de pesquisa e desenvolvimento, o primeiro da GWM na América do Sul.

A estrutura será construída ao lado da fábrica e ocupará 15 mil m2, sendo 4 mil m2 de prédios para os laboratórios. O presidente internacional da GWM, Parker Shi, contou durante entrevista a jornalistas a importância deste centro de pesquisa:

“Nosso objetivo é oferecer veículos cada vez mais sustentáveis e tecnologicamente avançados. Por isto este novo centro contará com uma estrutura técnica de ponta, com laboratórios de última geração, para desenvolvimento de sistemas híbridos e elétricos, combustíveis de nova geração e inteligência artificial. Daremos prioridade à eficiência energética, descarbonização e sobretudo para atender às demandas dos usuários brasileiros”.

Parker Shi, presidente da GWM Internacional

A tecnologia híbrida flex é uma das prioridades dos sessenta técnicos e engenheiros do centro de P&D, mas a tropicalização de veículos importados para as condições e preferências do consumidor brasileiro também estão dentre suas tarefas primordiais, segundo a GWM.

Além da GWM Brasil ter se inscrito ao programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, que concede incentivos fiscais para montadoras que investem em produção nacional e pesquisa e desenvolvimento, a empresa estabelece parcerias tecnológicas com institutos de pesquisa e coopera com universidades brasileiras não apenas para o desenvolvimento de novas tecnologias mas, sobretudo, para a formação de profissionais de nível técnico e até de doutores para o setor automotivo.

Parker Shi disse que o plano maior da GWM é produzir de 250 mil a 300 mil veículos no Brasil e que é necessário dispor de produtos de volume a preços que atinjam uma maior parcela de consumidores: “A maior parte do mercado brasileiro está posicionado em um tíquete de R$ 150 mil. E isto é muito importante. Estamos pensando em um produto que atenda a este segmento”.

Neste momento a GWM faz estudo de viabilidade para conhecer qual a demanda e quais são esses produtos do mercado brasileiro. O centro de P&D naturalmente será parte importante dessa nova fase no País.

O investimento total planejado da GWM no Brasil chegará a R$ 10 bilhões em dez anos. De 2027 e 2032 a empresa investirá mais R$ 6 bilhões na criação de empregos, na nacionalização de peças e no desenvolvimento de novos produtos.

Volkswagen The One reconhece os melhores fornecedores

Rio de Janeiro, RJ – Em ambiente de boas notícias, e também algumas cobranças, a Volkswagen reconheceu os seus melhores fornecedores em doze categorias do prêmio The One deste ano. 

Os premiados foram avaliados com base no desempenho de qualidade, entrega e relação comercial durante 2024. 

Veja abaixo os vendedores:

> Segurança de Fornecimento: Aisin
> Desenvolvimento Técnico e Inovação: Ecarx
> Social e Diversidade: JSL
> Qualidade: Hutchinson
> Pós-Vendas: Powercoat
> Químico Interno: Adient
> Químico Externo: Goodyear
> Metálico: Usiminas
> Conectividade: Moura
> Powertrain: Mahle
> Serviços & Investimentos: NGC
> Volkswagen Argentina: Mirgor

Marcopolo inicia a entrega de 444 unidades no Distrito Federal

São Paulo – A Marcopolo deu início à entrega dos 444 ônibus do modelo Torino adquiridos pela Viação Pioneira, operadora do Distrito Federal, para atender à Bacia 2, que abrange as regiões do Gama, Itapoã, Jardim Botânico, Paranoá, Santa Maria e São Sebastião. Ao longo deste mês serão 117 unidades e, até o fim do ano, 207. As 237 unidades restantes estão previstas para o ano que vem.

As vendas foram intermediadas pela Topline Bus Comércio e Representações, que representa a fabricante no Centro-Oeste. Segundo a Marcopolo o expressivo volume de veículos compõe das maiores aquisições do setor nos últimos anos. A Viação Pioneira tem frota de mais de setecentos veículos.

Volkswagen comemora bom resultado com fornecedores e pede 5%

Rio de Janeiro, RJ – O tamanho da festa que um fabricante de veículos faz aos seus fornecedores sempre denota o contentamento da empresa com os resultados e a eficiência da cadeia de suprimentos. No caso da Volkswagen a festa foi grande, deixando clara a satisfação da empresa com seu desempenho e dos parceiros na edição deste ano do The One, nome do evento de premiação dos melhores fornecedores de componentes e serviços no Brasil e na Argentina.

Com bons resultados e fornecedores felizes pelo aumento dos pedidos – devido ao crescimento das vendas as compras da Volkswagen este ano devem superar os R$ 32 bilhões, em expansão de 15% sobre os R$ 28,1 bilhões de 2024 –, a fabricante entregou doze troféus às empresas da cadeia de suprimentos que tiveram os melhores desempenhos no ano passado, em um grande jantar com shows de música e dança realizado na casa de espetáculos Roxy Dinner Show, na Capital fluminense, na noite da quinta-feira, 14.

Quem pagou a conta da festa foi o departamento dirigido pelo vice-presidente de suprimentos da Volkswagen América do Sul, Luiz Alvarez, que fez um resumo do cenário: “Não foi um ano fácil. Nossa análise de riscos identificou 34 ocorrências que tiveram impacto direto nos nossos negócios. Foram enchentes no Rio Grande do Sul, guerras no Exterior e a chegada de newcomers que não compram um parafuso sequer no País. Mas superamos os problemas e hoje nossas fábricas no Brasil operam em dois turnos em capacidade máxima. Deveremos produzir mais de 600 mil veículos na região este ano. É mais volume de negócios e efeito escala para vocês [fornecedores]”.

E como não há festa de graça Alvarez deixou claro o que pretende dos fornecedores: “A tentação de importar é forte, mas somos o fabricante com o maior índice de localização na região [85% no Brasil e 50% na Argentina], acreditamos que esta é uma de nossas fortalezas. Vamos investir alguns bons bilhões em novos produtos, o que significa mais pedidos, aumento de escala e redução de custos nas peças fornecidas. Portanto eu peço que vocês abram a mão”.

Alvarez e o pedido de desconto de 5% na mão do Cristo Redentor: “Abram a mão”. (Foto: Alzira Rodrigues/Autoindústria.)

Assim o executivo pediu desconto médio aos fornecedores de 5%, com este porcentual estampado na mão esquerda da imagem do Cristo Redentor projetada no enorme telão atrás dele. “Abram a mão”, ele repetiu.

Bons resultados

Com ou sem descontos dos fornecedores o desempenho da Volkswagen na América do Sul vem melhorando ano a ano, deixando a matriz confortável o suficiente para dar autonomia à subsidiária na alocação do atual programa de investimento na região que soma R$ 20 bilhões e dezessete lançamentos de 2024 a 2028.

O Brasil, sozinho ou junto com a Argentina, voltou este ano à posição terceiro maior mercado da Volkswagen no mundo, atrás de China e Alemanha, o que não acontecia desde 2012 e 2013. No primeiro semestre as vendas na América Latina [menos México] cresceram 21% e foram responsáveis por 11% do faturamento global da marca.

No mercado brasileiro os resultados são ainda melhores: de janeiro a julho as vendas da Volkswagen somaram 227 mil veículos, o maior volume desde 2014, que significou avanço de 11% sobre o mesmo período de 2024, quase três vezes mais do que a média geral de 4,4%, conquistando aumento de participação de 1 ponto porcentual, que fechou os sete meses em 16,7%.

“Eu já fico bastante contente com esta participação, pois crescemos e não perdemos terreno para os chineses que estão avançando rápido no mercado”, afirmou Alexander Seitz, chairman executivo da empresa na América Latina, em conversa com um pequeno grupo de jornalistas pouco antes da premiação do The One. “Nosso crescimento é sustentável. Deveremos manter este mesmo ritmo até o fim do ano e crescer de 12% a 15% na região.”

Alexander Seitz fala aos fornecedores do ciclo de investimentos e dos lançamentos da Volkswagen: crescimento das compras. (Foto: Pedro Kutney.)

A expansão das exportações também ajudou a manter a produtividade das fábricas no Brasil: cresceram 45% de janeiro a julho, com o embarque de pouco mais de 90 mil veículos ao Exterior, 60 mil para a Argentina e 30 mil para o México, os dois maiores mercados externos. A previsão é exportar 120 mil unidades em 2025.

Mas Seitz pondera que o ambiente não está livre de intempéries: “Nossa importância é alta para o grupo e estamos felizes na América Latina, mas não ficamos loucos como algumas pessoas quando os resultados são bons, de pensar que não há dificuldades. Vamos continuar focados. Lançamos produtos de sucesso este ano em que a grande estrela é o Tera. No segundo semestre temos mais lançamentos e vamos investir forte em híbridos e picapes”. O executivo adiantou, até, que a nova picape Amarok produzida na Argentina, a ser lançada em 2027, terá versões híbridas com tecnologia compartilhada com o sócia chinesa SAIC.

Falando aos fornecedores Seitz admitiu que o caminho no horizonte à frente “não será fácil”. Ele justificou: “O mercado continua volátil, muda de direção sem dar seta. A economia está pior do que novelas com muitos capítulos e atores ruins. O que temos de fazer diante deste cenário é continuar a reforçar nosso portfólio de produtos. Para fazer isto precisamos da parceria de vocês”.

Segundo Seitz no momento não há gargalos produtivos nos fornecedores, inclusive para novos projetos, com a maior parte dos componentes comprados no Brasil: “Estamos bem em componentes metálicos e plásticos. Mas para eletrônicos ainda estamos muito dependentes de importações”. As compras, ele disse, deverão avançar na mesma proporção dos lançamentos previstos e do crescimento das vendas internas e externas.

Jogando no ataque

Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, admitiu aos fornecedores que existem pressões negativas de fatores como a economia com juros altos, guerra tarifária, custos de eletrificação, logística e competidores agressivos, mas demonstrou confiança na continuação do bom desempenho da Volkswagen no País: “Acreditem porque estamos crescendo acima do mercado a cada ano e em 2026, 2027 e 2028 cresceremos também. Escolhemos jogar no ataque e vamos investir muito em híbridos e picapes. Essas são nossas respostas de produto e engenharia aos desafios que enfrentamos”.

Ciro Possobom fala dos resultados históricos da Volkswagen e promete mais crescimento aos fornecedores: “Preparem suas fábricas porque venderemos mais”. (Foto: Pedro Kutney.)

O executivo destacou os lançamentos da Volkswagen este ano como principal fator de sustentação dos bons resultados: “Temos a força de uma marca que representa 25% dos 100 milhões de veículos já produzidos no País e continuamos a lançar produtos desejados. Lideramos o segmento de SUVs com o T-Cross, as vendas do Polo Track cresceram 101% com o programa Carro Sustentável, recebemos 12 mil pedidos em 50 minutos na abertura de vendas do Tera, que é nossa grande estrela do ano com 80% de peças localizadas por 230 fornecedores. Enfim, preparem suas fábricas porque venderemos mais”.

Fernanda Giacon assume cargo global na ZF

São Paulo – Aos 42 anos Fernanda Giacon, responsável pelo marketing da ZF na América do Sul, prepara-se para para enfrentar um novo desafio em sua carreira: a partir de 1º de setembro assume a posição de chefe global de marketplace em Barcelona, Espanha. Lá está um dos principais centros de digitalização da companhia e caberá a ela estruturar, do zero, escritório dedicado ao desenvolvimento do marketplace B2B na Europa.

Nascida em Limeira, SP, Giacon é graduada em propaganda e publicidade pelo Instituto Superior de Ciências Aplicadas, pós-graduada em gestão empresarial pela FGV e tem cursos de digitalização e comércio digital. Para conquistar a oportunidade participou de processo seletivo por mais de um ano. Eram considerados à vaga, inicialmente, apenas profissionais de comércio digital, prioritariamente europeus: mas ela, única concorrente da América do Sul, obteve o posto após concorrer com outros três finalistas, todos homens.

É resultado de trabalho desenvolvido a partir da integração de TRW e ZF, em 2016. Há 23 anos na empresa Giacon ingressou na TRW como estagiária de marketing. Quando tornou-se responsável pelo marketing da ZF seu primeiro desafio foi comunicar a união das duas grandes empresas:

“As linhas de produtos eram diferentes. Eu tinha mais experiência com a linha leve, mas acabei aprendendo muito com a linha pesada. A integração começou pela América do Sul porque a ZF entendeu que seria uma boa ter região piloto, menor e com menos risco, ao processo. Fomos a cobaia. Era uma página em branco, não tínhamos receita de bolo”.

Naquela época falava-se que o mecânico não tinha acesso a computador na oficina, nem à internet. Mas, em pesquisa encabeçada pelo marketing, descobriram que era o contrário: os profissionais tinham no YouTube fonte de conhecimento.

“Foi quando lançamos nosso trabalho online por meio do Amigo Bom de Peça, em abril de 2017, em que oferecíamos treinamento técnico de todas as marcas das empresas. Deu tão certo que vimos os números de cadastros crescer muito rápido, e a América do Sul tornou-se polo de digitalização da ZF.”

Giacon atribui o movimento ao fato de que no Brasil, diante de maior carência de informações, as pessoas aprendem o ofício com o pai e a “correr atrás”, enquanto que na Europa é tudo tão organizado que, a exemplo da Alemanha, o mecânico não abre oficina sem um curso preparatório: “Aqui a relação de confiança é mais forte. É um mix de necessidade, curiosidade, proximidade e conexão. Temos coragem para fazer as coisas. Entendemos o desafio, erramos e acertamos e seguimos”.

Foi este espírito que fomentou a expansão do programa, hoje rebatizado de ZF Pro Amigo, e com 9 milhões de visualizações, 200 mil certificados emitidos, 40 mil profissionais registrados na plataforma e 150 vídeos – material que Giacon optou que fossem gravados sem ninguém aparecendo, a fim de não relacioná-lo a alguma cultura. Eles são legendados para países como Argentina, Chile e Colômbia. 

O passo seguinte foi ampliar a família: foi então que surgiu o ZF Pro Tech, para auxiliar o dono da oficina na parte de gestão e marketing. Um aplicativo de uso gratuito de agendamento de serviços, que conta com 10,3 mil estabelecimentos, foi criado para isto. A solução foi apresentada na Automechanika, na Alemanha, do ano passado para ter alcance global.

O mais recente lançamento, que data de dois anos, foi o marketplace ZF Pro Parts, em que o mecânico, ao receber a demanda da manutenção e fazer o check list dos reparos, tem acesso ao estoque de distribuidores e varejistas para facilitar sua busca pelas peças. Hoje a plataforma reúne 600 mil ofertas com mais de 400 mil part numbers diferentes. E é feita a ponte entre quatrocentas oficinas e noventa varejistas e distribuidores, sendo que existem cerca de 100 mil oficinas e 30 mil varejistas e distribuidores:

“Ou seja, o potencial é enorme. Trata-se de processo de digitalização que imprime mudança de cultura, requer integração de sistemas com dados de estoque e preços online, sem contar a parte de logística”.

Por enquanto a iniciativa opera somente no País mas o plano é ampliar para outras regiões: “Quando chegar a Barcelona começarei a fazer os planos de negócios. Olhando o perfil do Brasil o mais próximo ao nosso é o México.”

A executiva está de mudança com sua família, seus filhos Mariana, 11, e Gustavo, 18, que faz faculdade de Ciência do Esporte e transferiu o curso para a cidade. Seu marido, que aqui trabalha no ramo imobiliário, continuará gerindo os negócios à distância e, quem sabe, os expandirá para a Catalunha.