BorgWarner lidera uma verdadeira revolução no desenvolvimento de baterias e coloca o Brasil no mapa de produção mundial do componente
A evolução dos sistemas de baterias redefiniu o papel da eletrificação no transporte, deixando de ser um elemento limitador para se tornar um habilitador estratégico da transição energética. Nos últimos anos, avanços simultâneos em química de células, engenharia de sistemas e infraestrutura de recarga consolidaram as baterias como núcleo tecnológico da mobilidade elétrica. Nesse contexto, a BorgWarner assumiu papel central na aceleração desse movimento, combinando inovação com desenvolvimento industrial em escala.
A transformação começou pela evolução das químicas. A tradicional tecnologia chumbo-ácido foi superada por sistemas mais eficientes, como íons de lítio. Em seguida, surgiram variantes como NMC (níquel-manganês-cobalto) e LFP (fosfato de ferro-lítio), que ampliaram a densidade energética, a autonomia e a segurança operacional dos veículos. Paralelamente, a produção global em escala e a evolução da cadeia de suprimentos reduziram o custo por kWh, tornando a eletrificação acessível também em mercados emergentes, como o Brasil.
Outro divisor de águas foi o avanço no gerenciamento inteligente de energia. Os sistemas BMS (Battery Management System) passaram a monitorar em tempo real parâmetros críticos, como temperatura, tensão, corrente e estado de carga. Essa capacidade assegura o desempenho e a longevidade das baterias, além de ampliar a segurança eletroquímica. Ao mesmo tempo, a expansão das redes de recarga e a padronização de conectores criaram condições reais para a operação de frotas elétricas em rotas urbanas e rodoviárias.
No Brasil, a BorgWarner tem investido em soluções industriais alinhadas às demandas locais de eletrificação. Em Piracicaba (SP), o sistema de bateria 9 AKM é produzido para aplicações comerciais e entrega 98 kWh de densidade energética em um pack modular de aproximadamente 600 kg. Baseado na química NMC, o componente oferece até 4.000 ciclos de recarga no primeiro ciclo de vida (no veículo), podendo ultrapassar oito anos de operação, dependendo do regime de uso. Após seu ciclo automotivo, a bateria pode seguir para aplicações estacionárias e, posteriormente, para reciclagem, reforçando o conceito de economia circular aplicado à eletromobilidade.
O sistema de bateria 9 AKM é montado em Piracicaba (SP) e tem alta eficiência energética. Pesa cerca de 600 kg e entrega 98 kWh.
Além da tecnologia NMC, a BorgWarner ampliou sua atuação global ao firmar, em 2024, uma parceria estratégica com a FinDreams Battery, subsidiária da BYD, para o fornecimento de células blade LFP. A cooperação prevê a produção de packs LFP para veículos comerciais a partir de 2026, com possibilidade de fabricação também no Brasil, dependendo da demanda regional. Os sistemas LFP oferecem maior segurança térmica, menor custo por kWh e até 6.000 ciclos, com recarga de 10% a 80% em cerca de 30 minutos, dependendo da potência do carregador.
“Os avanços promovidos pelo setor automotivo nos sistemas de armazenamento de energia são inegáveis e fundamentais para a mobilidade elétrica. Essa evolução permitiu transcender o transporte e integrar energia e mobilidade em um único ecossistema tecnológico”, afirma Marcelo Rezende, Diretor para Sistemas de Baterias da BorgWarner no Brasil.
A robustez dessa tecnologia ganha ainda mais relevância diante dos desafios do ambiente automotivo. Diferentemente das aplicações estacionárias, as baterias veiculares operam sob vibração constante, variações extremas de temperatura e ciclos irregulares de carga. Por isso, a BorgWarner investe em sistemas de proteção térmica, arquitetura modular de packs e integração eletrônica avançada, com foco em confiabilidade e durabilidade. Os mesmos sistemas começam a atender setores como máquinas agrícolas, data centers, aplicações náuticas e equipamentos industriais, em resposta ao aumento global da demanda por armazenamento de energia.