2040: Todas as motorizações terão seu espaço.

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CompartilheSeminário AutoData
05/03/2018

O Setor automotivo está mudando rapidamente e assim será nos próximos anos. Desta forma será fundamental tentar entender qual será o futuro da indústria, e um estudo da consultoria KPGM, apresentado por seu diretor Ricardo Bacellar no Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo – Os Desafios de 2018 Com ou Sem o Rota 2030, realizado na segunda-feira, 5, em São Paulo, Capital, dá boas pistas:

 

“A opinião dos executivos da indústria mudou nos últimos três anos, aponta a pesquisa. A maior parte dos entrevistados agora aposta na célula de combustível como o carro-chefe do futuro da motorização, 33% e, não mais nos elétricos , 22%.”

 

Na opinião dos entrevistados da pesquisa global o principal entrave para os elétricos será a infraestrutura, questão que é pouco discutida se comparada ao tema dos veículos em si – e que ninguém sabe ao certo como resolver. Na visão dos entrevistados, tanto executivos quanto consumidores, a responsabilidade pela infraestrutura de postos de recarga deve ser das montadoras.

 

Bacellar destaca que o crescimento da confiança nas motorizações de célula de combustível representa ótima oportunidade para o Brasil mostrar que o Etanol pode ser usado no lugar do hidrogênio, com a vantagem do País dominar todo o ciclo de produção da matéria-prima que será usada. “Temos a solução pronta e isso será uma oportunidade de negócios muito boa para nós”.

 

Na sua palestra, ele indicou que “no futuro todas as tecnologias de motorização terão espaço, uma não matará a outra. Não é uma corrida para se apostar em um único cavalo”. Os dados da pesquisa afirmam que até 2040 a frota global será de 140,5 milhões de veículos, sendo 25% movidos a célula de combustível, 26% elétricos, 24% híbridos e 25% a combustão interna.

 

Para o desenvolvimento das novas tecnologias Bacellar afirma que a principal barreira ainda é o investimento necessário. A solução pode ser um grupo de empresas investindo em conjunto, diminuindo o custo individual sem deixar de competir no mercado.

 

A pesquisa também destaca necessidade das empresas criarem novos modelos de negócios para gerar receita sem depender apenas das vendas de veículos. Algumas alternativas já estão sendo discutidas: “Os carros oferecem diversos dados dos consumidores que não são usados pelas montadoras, mas que precisam ser avaliados para os futuros modelos de negócios. Se isso não for feito, outras empresas de fora do setor o farão”.

 

Como exemplo, o diretor destacou as empresas de mobilidade e compartilhamento de veículos, que usam os produtos das montadoras para gerar um novo modelo de negócios que é bastante rentável, assim como o sistema Sem Parar, que foi vendido no ano passado por US$ 4 bilhões. “É necessário que o setor automotivo entenda esse cenário das novas plataformas de negócios a partir de um veículo.”

 

Bacellar também citou empresas de tecnologia como Qualcomm, Nvidia e LG: “No passado ninguém pensava que as montadoras negociariam com essas empresas e, hoje, elas já estão envolvidas no desenvolvimento dos novos negócios, aliando o veículo às tecnologias do futuro. A LG, por exemplo, fornece 60% dos componentes do Chevrolet Bolt”.

 

Foto: Allex Chies