Greve deixa setor sem Rota e sem produção

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São Paulo - O setor automotivo brasileiro recebeu dois duros golpes nos últimos dias. No começo da semana os executivos esperavam com ansiedade a aprovação da nova política industrial, o Rota 2030, evento que acabou sendo relegado da pauta do governo por causa da greve dos caminhoneiros. Afora a postergação, a produção de veículos foi interrompida em ao menos dezenove fábricas de automóveis do País, na quinta-feira, 24. No segmento de caminhões, a produção parou em cinco unidades.

 

Segundo apurou AutoData com sindicatos regionais e as fabricantes, as linhas permanecerão paradas até a segunda-feira, 28. Seguem em operação a fábrica da BMW em Araquari, SC, a Hyundai instalada em Piracicaba, SP, onde são produzidos os modelos HB20 e Creta, e a fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, SP, que voltou a produzir na quinta-feira após greve que durou nove dias.

 

O setor ainda não consegue dimensionar quantos veículos deixou de produzir na semana em função da greve, já que as linhas foram parando gradativamente até o quarto dia de protestos. Em abril, quando foram produzidos no País 266 mil 111 unidades, a média de produção semanal foi de 12,6 mil veículos em 21 dias úteis, a mesma quantidade de dias úteis de maio.

 

A situação desacelera a produção que vinha em ritmo crescente para abastecer as demandas do mercado interno e das exportações e pode afetar as projeções de produção traçada pelo setor em janeiro. A Anfavea estimou produção de 3 mil 55 veículos para o ano, o que representaria um volume 13,2% maior que o visto em 2017. No quadrimestre foram produzidos 965 mil 865 veículos, um crescimento de 20,7% na comparação com igual período ano passado.

 

Os danos à produção, no entanto, podem se estender para a próxima semana, pois a retomada não seria imediata após a resolução da crise que afetou a economia nacional os últimos dias. Segundo fonte do setor automotivo ouvida pela reportagem, são necessários em torno de dois dias, a partir de um eventual fim da greve, para que a produção nas linhas das fabricantes sejam normalizadas.

 

Há também outro agravante enfrentado pelas fabricantes no momento, afora o abastecimento interno. A paralisação dos caminhoneiros prejudicou também o escoamento de componentes produzidos por autopeças brasileiras para as unidades instaladas na Argentina, disse a fonte ouvida por AutoData.

 

As negociações do governo com os caminhoneiros seguiram durante toda quinta-feira, 24, sem resolução até o início da noite.

 

Foto: Marcelo Pinto/APlateia.
Arte: Romeu Bassi Neto.