Escalada do dólar acende alerta no setor

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28/05/2018

São Paulo – A alta no preço do dólar, que no começo do ano estava em R$ 3,35 e na segunda-feira, 28, voltou a superar a casa dos R$ 3,70, ligou o sinal amarelo nas montadoras, importadoras e fabricantes de autopeças. Embora ainda não tenha afetado diretamente os negócios, executivos ouvidos pela Agência AutoData admitem preocupação com a escalada da moeda estadunidense.

 

Antônio Megale, presidente da Anfavea, disse que o aumento do preço da moeda ainda não afetou os negócios do setor, mas admitiu que está acima da taxa esperada pela indústria – em torno de R$ 3,40. Ele procurou ressaltar, porém, o lado positivo: a alta das exportações, que equilibra um pouco o aumento do custo com importações de autopeças, uma vez que considerável parte dos componentes usados nos veículos é atualmente importada, especialmente componentes eletrônicos.

 

“Se continuar subindo pode haver, sim, um impacto no custo”, ele admitiu. E citou o principal problema da situação cambial: “Mais do que a valorização, o que nos preocupa mais é a volatilidade.”

 

Para Helder Boavida, presidente da BMW, a escalada do dólar afeta a rentabilidade da empresa, que importa muitos componentes e peças e que certamente terá impacto no custo:

 

“Sofreremos um pouco mais para produzir localmente, mas no curto prazo não pretendemos repassar esse custo para nossos clientes. Analisamos periodicamente essa questão do preço e, a princípio, não haverá aumento”.

 

Para Besaliel Botelho, presidente da Bosch, o problema do dólar está além do Brasil. “Não é interno, é global. Tem muita gente comprando a moeda”.

 

O executivo lembrou que fato semelhante ocorreu no ano passado, quando a moeda estadunidense alcançou um pico e logo se acomodou: “Os bancos estão projetando acomodação, e o Brasil tem munição para fazer essa gestão”.

 

Há algumas semanas, o assunto foi um dos temas da reunião do presidente da Volkswagen, Pablo Di Si, com o ministro da Fazenda. Em nota o executivo ponderou que a volatilidade cambial tem merecido bastante atenção no momento.

 

A Fiat informou, em nota, que está observando as flutuações cambiais que ocorrem no Brasil e em outros países para melhor avaliar o impacto sobre as correntes internacionais do mercado.

 

No caso das empresas importadoras de veículos o custo da moeda já ligou o sinal de alerta. José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil e da Abeifa, entidade que representa as importadoras, o preço do carro importado subirá nos próximos meses:

 

“O plano de negócios da maioria das associadas para o ano foi feito com o dólar na casa dos R$ 3,30, R$ 3,35. Mas agora, com a alta para mais de R$ 3,60, e a necessidade de fechar as próximas importações, teremos custos maiores e será necessário repassar para os clientes”.

 

Gandini disse que a expectativa é a de que o Banco Central controle essa alta do dólar e que a cotação volte a R$ 3,30 a R$ 3,35 até dezembro.

 

Setor de duas rodas – As fabricantes de motocicletas no Brasil também estão acompanhando de perto a alta do dólar. Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, a produção do setor pode sentir o impacto nos preços dos componentes importados, além de possivelmente elevar o preço das motos importadas ao consumidor.

 

“Algumas motos têm baixo índice de nacionalização. Com isso o custo para produção desses modelos poderá ser maior. O mesmo vale para motos importadas, que podem ficar mais caras nos próximos meses”.

 

Com relação às exportações o presidente da Abraciclo disse que essas vendas ainda não foram afetadas, mas com a queda do mercado argentino e a alta do dólar o volume de embarques pode diminuir no médio prazo.

 

Para Augusto Cury, diretor comercial da Honda Motos, no curto prazo a produção não será afetada pela alta do dólar, mas no médio prazo, caso essa moeda não recue, os preços poderão subir. Ele disse acreditar, porém, que a situação não chegará a esse ponto.

 

Colaborou André Barros

 

Foto: Fernanda Carvalho/Fotos Públicas.