Governo tira transportadoras da reoneração da folha

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São Paulo – O acordo firmado pelo governo com as entidades que representam os caminhoneiros tirou o setor de transporte rodoviário de carga da lista dos que deixarão de ter a desoneração na folha de pagamento. No domingo, 27, o presidente da República fez um pronunciamento anunciando as medidas, que incluiu desconto de R$ 0,46 no preço do litro do óleo diesel nas bombas dos postos de combustível, congelamento do preço por sessenta dias, eliminação da cobrança do pedágio de eixos suspensos e a criação de um valor mínimo para o frete.

 

Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o custo do desconto no diesel é da ordem de R$ 10 bilhões. Técnicos do governo analisariam durante a segunda-feira, 28, quais setores seriam incluídos na lista de reoneração da folha de pagamento, que precisam reduzir em R$ 3,8 bilhões os gastos. A expectativa é que o Senado Federal aprove a medida na terça-feira, 29.

 

A lista que passará por votação no Senado inclui o setor de autopeças e materiais plásticos, dentre outros. A reportagem apurou com uma fonte do setor que o Sindipeças se mexe nos bastidores para retirar o setor da lista dos reonerados.

 

Apesar do pronunciamento do presidente, na segunda-feira (28) ainda havia entre 20% e 30% de caminhoneiros mobilizados. Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria, CNI, pediu o desbloqueio das vias. “O Brasil está parado. Precisamos retornar à normalidade. O movimento dos caminhoneiros foi atendido nas suas demandas. É hora de deixar trabalhar quem quer trabalhar”.

 

A Associação de Comércio Exterior do Brasil, AEB, estima que o País deixou de exportar ao menos US$ 1 bilhão com a paralisação. À Agência Brasil, o presidente José Augusto de Castro disse que o setor de manufaturados perdeu aproximadamente 5% do valor mensal de embarques. “Você deixa de entregar no prazo efetivo e acaba tendo que cancelar a operação. Você teria ali, pelo menos, mais US$ 500 milhões de perdas”.

 

No começo da noite, o presidente da República afirmou ter “absoluta convicção” de que a paralisação dos caminhoneiros se encerra na terça-feira, 29.

 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil