Cai exportação de veículos e de componentes

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CompartilheComércio Exterior
04/06/2018

O volume de veículos e autopeças exportados pelas fabricantes brasileiras sofreu queda em maio na comparação com igual mês no ano passado, interrompendo crescimento histórico que deu sustentação à retomada do mercado brasileiro. Em abril o mercado bateu recorde de unidades embarcadas, mas em maio houve retração de 17,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, no caso de automóveis, e de 13,5% em componentes, segundo dados do MDIC. Assim, as receitas com exportações de veículos e de componentes caíram para US$ 491 milhões e para US$ 161 milhões, respectivamente.

 

A retração já era esperada pela indústria para o período. O dólar valorizado na Argentina, desde o começo do mês, sugeriu prognóstico de números menores do que os vistos no período janeiro-abril. A greve deflagrada pelos caminhoneiros, na última semana do mês, agravou ainda mais um quadro que já se pintava negativo.

 

De acordo com Dante Sica, diretor da consultoria argentina Abeceb, os fatos recentes produziram reflexos sobretudo na balança comercial envolvendo Brasil e Argentina, os principais sócios no setor automotivo regional: “A valorização do câmbio por si só tinha força para diminuir o ritmo da corrente comercial entre os países no âmbito das vendas de veículos. A greve atingiu a produção, e os fatores em conjunto diminuiram um ritmo que era positivo nos dois lados”.

 

O especialista apontou que o dólar mais caro retraiu os pedidos por veículos no mês, ainda que considere a queda pequena com possível acentuação ao longo do ano caso a Argentina não consiga contornar internamente os reflexos negativos da valorização cambial: “O governo reagiu a uma situação emergencial e isso fez com que o consumo se retraísse. À princípio houve queda de um dígito, e precisamos aguardar a evolução da política econômica adotada para projetar maiores quedas nos próximos meses”.

 

Os dados do MDIC mostram que o Brasil importou da Argentina, em maio, 5,2% a menos em bens em função do volume menor de veículos e de autopeças que desembarcaram nos portos do País, no período, por causa da alta do dólar.

 

No começo do mês a Argentina elevou a taxa de juros como forma de se proteger do câmbio volátil. A manobra, por exemplo, faz com que empréstimos se tornem mais caros e isso, segundo Sica, afugentou o consumidor argentino que até então se mostrava inclinado a comprar veículos.

 

Balanço da Adefa, entidade que na Argentina equivale à Anfavea, apontou que até abril foram vendidas pela rede 290 mil 495 unidades, 13,8% a mais do que o período de janeiro a abril do ano passado. Do total vendido 28% foram de veículos produzidos na Argentina, e a fatia restante de veículos importados – a maioria do Brasil.

 

A entidade que representa as fabricantes argentinas ainda não divulgou os dados de vendas referentes ao desempenho do mercado interno em maio.

 

Foto: Divulgação.