Resultados globais da FCA ficam abaixo do esperado

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São Paulo – Quis o destino que, poucas horas após o falecimento de Sergio Marchionne, o responsável pela transformação da FCA de uma empresa quase condenada à bancarrota a um gigante protagonista da indústria automotiva, o novo CEO da companhia, Michael Manley, anunciasse a investidores e jornalistas os resultados do grupo no segundo trimestre, o último com direta e intensa participação do antigo CEO. Após breve discurso sucedido por pedido de minuto de silêncio, Manley reafirmou o compromisso de fechar o ano com € 5 bilhões de lucro, mas revisou para baixo a expectativa de faturamento anual.

 

A causa dessa revisão é o mau desempenho da empresa no mercado chinês de veículos – o que já aponta como um grande desafio para o CEO nomeado no sábado, 22, uma vez que a Ásia tem papel fundamental no planejamento da FCA para os próximos cinco anos.

 

De abril a junho a FCA comercializou 1,3 milhão de veículos em todo o mundo, crescimento de 6% sobre o volume de igual período de 2017. A receita cresceu 4%, somando € 29 bilhões, mas os resultados de EBIT ajustado alcançaram € 1 bilhão 650 milhões, retração de 11%.

 

Os resultados abaixo da expectativa somados ao falecimento do seu ex-CEO derrubaram as ações da companhia na quarta-feira, 25. A queda dos papeis da FCA na bolsa de Milão superou os 15%, segundo a agência italiana Ansa – as negociações chegaram a ser interrompidas após a baixa superar os 10%. Assim Manley precisa recuperar a confiança dos investidores e provar que a meta de dobrar a lucratividade em cinco anos, anunciada por Marchionne no começo do junho, é factível.

 

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Da América Latina os dados foram positivos, com a venda de 150 mil unidades no segundo trimestre, alta de 14%, gerando crescimento de 5% na receita, que somou € 2,1 bilhões. Em nota a FCA afirmou que “o bom resultado decorre do bom desempenho e vendas dos modelos Fiat Argo e Cronos e dos três modelos produzidos em Pernambuco, Jeep Renegade e Compass e Fiat Toro”.

 

Os ganhos poderiam ser maiores não fossem a greve dos caminhoneiros em maio, que prejudicou as linhas de produção, e a desvalorização do real.

 

Em todas as fábricas do grupo no Brasil foram respeitados 10 minutos de silêncio, informou a FCA. Neste período a produção foi interrompida.

 

Foto: Divulgação.