Produção registra o melhor julho desde 2014

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CompartilheBalanço da Anfavea
06/08/2018

São Paulo – A produção brasileira de veículos registrou, em julho, o maior volume para o mês desde 2014, segundo divulgou a Anfavea na segunda-feira, 6. Foram 245,8 mil unidades, 9,3% a mais do que em julho de 2017, mas 4,1% a menos do que em junho.

 

Segundo o presidente Antonio Megale o ritmo mais fraco na comparação com o mês anterior se justifica pelo recuo das exportações, especialmente nas encomendas para os mercados argentino e mexicano. Os dois maiores clientes registram queda nas vendas de veículos este ano.

 

De janeiro a julho foram produzidos 1 milhão 680 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, crescimento de 13% sobre os primeiros sete meses do ano passado. Megale recordou que o ritmo da produção brasileira de veículos está se aproximando da média dos últimos dez anos para o período – que, de janeiro a julho, ficou em 1 milhão 768 mil veículos.

 

Em julho a indústria contratou 546 funcionários, elevando o quadro total para 132 mil trabalhadores – foram gerados 5,2 mil postos de trabalho nos últimos meses. Segundo Megale não há funcionários no PSE, Programa Seguro Emprego, e atualmente 826 trabalhadores estão em layoff.

 

O presidente da Anfavea afirmou que o setor ainda aguarda a publicação do decreto que regulamentará o Rota 2030, programa industrial dedicado ao setor automotivo que foi anunciado no começo de julho. A expectativa é a de que as normas que definirão os cocientes de eficiência energética e as exigências de itens de segurança, dentre outras questões pendentes, sejam publicadas até a semana que vem.

 

“O prazo de trinta dias venceu ontem [domingo, 5], mas não havia punição para um eventual atraso.”

 

Segundo Megale não há pressa: ele prefere que o decreto seja publicado sem a necessidade de alterações, ao contrário de quando houve a publicação do Inovar-Auto, que demandou uma série de ajustes nos meses – e até anos – seguintes: “Nosso desejo é de que o decreto do Rota 2030 saia redondo”.

 

Acordo Argentina – Os governos do Brasil e da Argentina sentaram à mesa para rediscutir o acordo comercial bilateral automotivo, que vigora até 2020. A ideia é estender o sistema flex por mais três anos, postergando – mais uma vez – o livre-comércio dos dois mercados.

 

De acordo com o presidente da Anfavea o atual saldo de exportações brasileiras supera as importações pois o mercado brasileiro, nos últimos anos, estava em baixa, ao contrário da Argentina. Mas, com os recentes investimentos na Argentina e a própria aceleração do mercado brasileiro, que coincide com um recuo do argentino, a tendência é essa balança voltar a se equilibrar.

 

De todo modo a vontade dos argentinos é manter o flex em 1,5 – ou seja, para cada dólar de veículo importado o Brasil pode exportar US$ 1,5. O governo brasileiro acredita, porém, que há espaço para alongar esse índice sem prejudicar o comércio dos dois países, fato que tem provocado divergência nas discussões.

 

Foto: Divulgação.