Montadoras consomem mais energia elétrica

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São Paulo – O consumo de energia elétrica pelas empresas do setor automotivo cresceu no primeiro semestre na comparação com os seis primeiros meses do ano passado, possível pelo aumento da atividade industrial no período: até junho 13,6% a mais do que no ano passado, cenário que elevou a aplicação média de energia.

 

De acordo com dados da CCEE, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, até junho foram consumidos pelo setor automotivo 759 megawatts/hora médios, volume que representa crescimento de 6,2% no consumo de energia frente o volume consumido em janeiro-junho de 2017.

 

O pico do consumo da indústria foi em abril, quando se consumiu 16% mais energia do que em abril do ano passado. No mês as fábricas produziram 40,4% mais veículos que no mesmo mês em 2017. A queda do consumo veio em maio, menos 4,7%, ocorrida em função da greve dos caminhoneiros que parou a produção de todas as fabricantes.

 

Se o consumo de energia serve de termômetro da atividade das linhas de produção instaladas no País, o que se deve esperar para 2019 é um cenário de produção similar ao que existe este ano. Isso porque as empresas compram energia no mercado livre, ambiente onde é possível às grandes empresas adquirir das geradoras ou vender lotes de eletricidade de forma antecipada.

 

Segundo Marcelo Ávila, vice-presidente de operações da Comerc Energia, empresa que opera transações no mercado livre, praticamente todas as grandes companhias do setor automotivo já reservaram energia para garantir o abastecimento no longo prazo:

 

“As empresas geralmente têm uma postura conservadora e contrataram energia com base no ritmo de produção atual. Se percebem na frente a possibilidade de alta da demanda, contratam mais. Como a maioria já contratou para os próximos anos, um panorama que se pode traçar é o de produção estável, ao nível de 2018”.

 

A indústria projeta aumento da produção de 11,9% este ano, apontam dados da  Anfavea, sinal que a retomada que vem desde o ano passado deve diminuir o ritmo por causa de volumes menores de exportação e o próprio desempenho do segundo semestre do ano passado, que foi mais forte do que o primeiro. Este quadro, somado às incertezas geradas pelas eleições de outubro, ajudou as empresas a manter postura pragmática a respeito da produção de veículos nos próximos anos, o que configura contratar energia sem arriscar demais.

 

Antecipar a compra de energia no mercado livre, afora garantir o abastecimento futuro, é uma forma que a indústria encontrou para não se submeter às oscilações do preço da energia no mercado cativo, que atende às cidades: “Se as empresas usassem energia da rede, como as residências, a situação de estiagem nos reservatórios tornaria a produção muito cara”.

 

Apesar da proteção do mercado livre, no entanto, a companhia que experimentar um eventual pico de produção nos próximos meses se deparará com preços mais altos. A compra de energia complementar aos volume contratados é mais cara: “O preço spot, hoje, encontra-se elevado por causa dos reservatórios mais baixos. Um erro de cálculo no volume que se deve contratar resulta em operações mais onerosas”.

 

Produzir mais veículos, segundo Ávila, não significa necessariamente consumir mais energia: se as fábricas possuem alto nível de eficiência energética, há redução no consumo. Ele disse também que é cada vez maior o número de empresas que produzem a própria energia, o sistema de cogeração, e isso tem reduzido o consumo e, por consequência, o custo para manter a produção.

 

Até junho, informam os números da CCEE, a fábrica da FCA instalada em Goiana, PE, foi a que consumiu mais energia dentre as companias do setor. Mahle, SP, thyssenkrupp, SP, Volkswagen Anchieta, SP,  e FCA Betim, MG, formam o grupo dos cinco maiores volumes de eletricidade consumidos no semestre.

 

Na sequência vêm Honda Manaus, AM, a fundição WHB, de Curitiba, PR, Ford Camaçari, BA, General Motors São Caetano do Sul, SP,  e Renault de São José dos Pinhais, PR.

 

Foto: Divulgação.