Carro único do Mercosul está mais perto da realidade

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27/08/2018

São Paulo – O tão aguardado carro único do Mercosul deixou de ser apenas um sonho para se tornar algo palpável após a assinatura, na sexta-feira, 24, do memorando de entendimento para unificar as especificações técnicas na produção de veículos no Brasil e na Argentina. A ideia – e antigo anseio da indústria – é que o carro que saia de uma fábrica brasileira ou argentina possa ser vendido em ambos mercados sem grandes alterações – o que, na prática, significa redução do custo operacional das montadoras.

 

Os dois governos decidiram iniciar o trabalho conjunto a partir dos itens de segurança e há, aparentemente, boa vontade dos dois lados em convergir – no ano passado, por exemplo, a Argentina postergou para 2020 a obrigatoriedade do ESP, sistema de controle de estabilidade, para novos modelos, antes prevista para 2018. À época o presidente da Adefa, entidade que na Argentina corresponde à Anfavea, Luis Fernando Pelaéz Gamboa, afirmou ao Autoblog, uma publicação local, que a razão desse adiamento foi alinhar as datas com a indústria brasileira.

 

Do ponto de vista de custo operacional há dois fatores que reduziriam os gastos com o desenvolvimento do carro único. Um deles é a calibração do motor, que é diferente nos dois países em função dos tipos de combustíveis utilizados – no Brasil há porção maior de etanol na gasolina, o que demanda ajuste no veículo que é exportado ao mercado vizinho.

 

Outro ponto está relacionado às normas técnicas: um modelo que é produzido na Argentina passa por homologação seguindo critérios estabelecidos lá. Quando este mesmo veículo é exportado ao Brasil a emporesa fabricante tem de realizar novos testes, agora seguindo as normas brasileiras. Com a padronização sinalizada pelo memorando de intenções, um veículo homologado na Argentina seria aceito no Brasil e isso eliminaria uma etapa do processo como é feito atualmente.

 

O constante sobe e desce dos mercados argentino e brasileiro explicam a intenção das fabricantes em unificar as especificações. Nos últimos anos as vendas de veículos no Brasil estavam em queda e, na Argentina, a trajetória era oposta. Agora o cenário foi invertido nos dois lados: cresce no Brasil e começa a recuar na Argentina, que passa por crise econômica.

 

Segundo o Sindipeças as exportações brasileiras de peças e componentes para a Argentina recuaram 15,3%, em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Poder orientar a direção para um lado ou outro sem precisar mexer constantemente na programação das fábricas ajuda no planejamento e, por consequência, a reduzir os custos.

 

Os grupos técnicos dos dois países começarão a trabalhar nos próximos dias. Em 180 dias espera-se que saiam os resultados de segurança veicular. Segundo o MDIC, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a estimativa é a de que todo o processo de convergência de normas demore em torno de dois anos.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

Foto: Divulgação.