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Argentina cria imposto sobre exportações

São Paulo – O presidente da Argentina, Mauricio Macri anunciou na segunda-feira, 3, uma medida que atinge em cheio as montadoras de veículos: será criado um imposto sobre exportações. Em pronunciamento em cadeia oficial pela televisão, Macri informou que serão cobrados três pesos para cada dólar exportado em veículos, autopeças e outros produtos – apenas no caso de produtos primários a taxa ficará quatro pesos por dólar.

 

Foi mais um baque para os exportadores argentinos, que há duas semanas perderam parte do reembolso tributário para o Mercosul, uma espécie de Reintegra local – em vez de 6,5% dos impostos, apenas 2% serão restituídos pelo governo para veículos, autopeças e outros produtos. Em uma indústria automotiva brasileira e argentina cada vez mais integrada, os efeitos devem agravar a redução no comércio dos dois países, que já vem em ritmo de queda – ao menos nas exportações do Brasil para lá.

 

“Fomos pegos de surpresa por este anúncio. Na prática, no que diz respeito ao negócio da Scania, torna a operação mais onerosa. A medida penaliza as empresas que têm boas práticas”, afirmou Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America.

 

Os números ainda não foram fechados, mas o comércio automotivo do Brasil para a Argentina foi novamente reduzido em agosto. De acordo com Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, até junho o volume exportado estava de acordo com a projeção da Argentina de produzir 900 mil unidades este ano. Mas a crise obrigou os argentinos a reduzirem a produção e, por consequência, o número de pedidos – e, para ele, a situação deve continuar nos próximos meses:

 

“Como a Argentina é o nosso principal mercado o impacto é grande. Mas esperamos que o governo tome as medidas necessárias para que o setor volte a crescer o quanto antes”.

 

Segundo a Adefa, em julho foram exportados 25,3 mil veículos, um aumento de 74,7% sobre o mesmo mês do ano passado. Mais de 70% do volume teve como destino o mercado brasileiro.

 

Na semana passada o peso argentino perdeu 25% do seu valor com relação ao dólar, consequência do agravamento da crise econômica que há alguns meses afeta o país vizinho. Na terça-feira, 4, o ministro da Fazenda da Argentina viajará a Washington, Estados Unidos, para negociar a revisão do acordo que fechou recentemente com o FMI, Fundo Monetário Internacional.

 

Este cenário de menor envios de produtos brasileiros para a Argentina e aumento de compras de veículos e componentes automotivos argentinos pelo Brasil vinha equilibrando o flex do acordo comercial, que prevê exportação de US$ 1,50 do Brasil para cada US$ 1 que a Argentina exportar. O índice estava desequilibrado nos últimos anos, com a queda nas vendas no Brasil.

 

“Com a mudança de cenário nos dois mercados é possível que a questão do acordo flex se acerte sem grandes problemas. Nos próximos meses as circunstâncias devem mudar bastante, com o Brasil importando mais do que exportando”, disse Ioschpe. “As exportações de caminhões à Argentina caíram no segundo semestre, o que reduz, pelo acordo automotivo, a cota de importação de componentes”, completou Podgorski.

 

Colaborou Bruno de Oliveira e com informações da Agência Brasil

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