Grupo Traton quer ter o tamanho do mundo

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São Paulo – O Grupo Traton, a nova empresa de veículos pesados da Volkswagen criada em julho, foi a alternativa encontrada para tornar viáveis investimentos futuros nas controladas MAN, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Scania em mercados considerados chave, como a América do Sul. As companhias, que agora são tratadas internamente como marcas especialistas em determinados veículos e componentes, passam a ter mais musculatura para iniciar processo de expansão global e melhor poder de negociação com fornecedores, passo importante, no âmbito regional, para sustentar a retomada no mercado de caminhões.

 

Esta é a visão do grupo acerca do negócio caminhão trazida por Roberto Cortes, presidente global da VWCO, de dentro do conselho de administração da Traton, do qual passou a fazer parte junto com os CEOs das demais empresas que formam o grupo. A formação de subsidiárias também integra a RIO, empresa de logística que será apresentada na feira IAA, o Salão de Hannover, de veículos comerciais, em setembro.

 

Cortes contou que o planejamento estratégico das empresas, que já atuavam sob o guarda-chuva do Grupo Volkswagen, só daria certo se houvesse, de fato, união das forças, algo almejado e não executado dentro da companhia antes da criação da Traton: “Sinergia é o nome do jogo e tamanho é documento neste mundo. Quanto mais volume tivermos, mais se tem economia de escala e mais rápido se paga um investimento. Essa é grande vantagem de estar em um grupo deste tamanho”.

 

Na prática, disse Cortes, isto significa que a gestão do grupo aproveitará o que considera melhor em cada marca. Tanto que, internamente, a Suécia, casa da Scania, representaria o centro de desenvolvimento tecnológico do grupo, ao passo que a Alemanha seria o centro de manufatura por concentrar as principais fábricas VW: “A cabine, que cada um cuide da sua. No powertrain, que pesa 60% no caminhão, haverá integração como já havia em alguns casos envolvendo veículos VW e MAN, por exemplo”.

 

O modelo é parecido, embora em cirscunstâncias distintas, ao adotado pela Autolatina, nos anos 1980, quando Ford e Volkswagen uniram suas operações na região e passaram a produzir veículos construídos sobre plataformas comuns. Roberto Cortes era funcionário da Ford quando houve a integração. No momento em que cada empresa foi para seu lado, já nos anos 1990, Cortes aceitou o convite feito pela Volkswagen, onde viria a ser, segundo suas palavras, o “cara do financeiro”.

 

O gigante criado pela VW desta vez, no entanto, caminhará com as próprias pernas a partir da abertura do seu capital na Alemanha e, segundo o chefão maior, Andreas Renschler, não serão vistos pelas estradas caminhões Traton. O que, sim, será visto, é um gigante com forte participação na América do Sul e na Europa. No Brasil, somadas as fatias que VWCO, MAN e Scania detêm, o Grupo Traton controla 40% do mercado de caminhões. Na Europa, pontuou Cortes, a fatia é de 30%: “O desempenho das marcas, o volume de veículos produzidos e vendidos, possibilitam acordos comerciais melhores que asseguram o futuro”.

 

São trinta e uma fábricas em dezessete países, com uma força de trabalho de 81 mil funcionários. O tamanho – e presença global – pode ser ainda maior se forem consideradas as participações que a Traton possuiu em outras fabricantes de caminhões: são 16% de fatia da Navistar, nos Estados Unidos, e 25% da Sinotruck, na China.

 

“São parceiros estratégicos que nos dão visão de expansão global. Estamos expandindo a presença global com bases muito solidas na América Latina e na Europa”.

 

Foto: Divulgação.