Mangels: do balde ao Yaris.

Imagem ilustrativa da notícia: Mangels: do balde ao Yaris.

São Paulo – Após quatro anos em recuperação judicial, processo encerrado em março do ano passado, a Mangels trabalha para recuperar a rentabilidade do seu principal negócio, a produção de rodas de alumínio OEM para veículos leves, e seguir seu caminho no setor automotivo. Este ano, quando completa 90 anos de operação no País, onde começou produzindo baldes galvanizados, a empresa executa planejamento para se recuperar no mercado, que envolve redução de custos e modernização dos meios de produção.

 

A esperança é conseguir acompanhar a demanda das montadoras, que é crescente no mercado interno. À exceção da Hyundai, a Mangels é fornecedora de rodas para as demais fabricantes que produzem localmente. Segundo Fabio Mazzini, seu diretor geral, a jornada de trabalho na fábrica de Três Corações, MG, que opera em três turnos, é termômetro de como está aquecida a demanda por rodas:

 

“Dentre as principais ações que envolvem o nosso planejamento de reestruturação do negócio está a modernização da fábrica para que as linhas possam acompanhar o apetite das montadoras. Para isto investimos na aquisição de robôs para aumentar a produtividade: cinco deles já estão em operação. O ideal é que sejam nove”.

 

Mazzini sinalizou que os novos equipamentos e um forno de tratamento térmico devem ser o próximo alvo de investimento. De acordo com ele a Mangels investe R$ 12 milhões por ano na fábrica de Três Corações, que tem capacidade de produzir 2 milhões de rodas por ano.

 

Este planejamento mostra que a companhia quer aproveitar uma onda que não lhe passou à frente no passado recente. Em 2007, quando os números de vendas e produção de automóveis começava a decolar no País, as ações da empresa atingiram o pico histórico de R$ 57,93, indicando um mercado em franca ascensão -- como, de fato, estava: 1,8 milhão de emplacamentos e produção acima das 2,3 milhões de unidades.

 

A saúde financeira da companhia naquele momento, no entanto, interrompeu o processo de crescimento, disse Robert Max Mangels, presidente da empresa fundada pelo seu avô em 1928. A empresa, segundo o executivo, estava alavancada, e foi preciso fechar alguns negócios como o de aços laminados, que tinha produção em fábrica instalada em São Bernardo do Campo SP, e o de rodas para o aftermarket.

 

Acabou recorrendo a pedido de recuperação judicial em 2013, justo no momento em que as vendas de automóveis registravam seu melhor desempenho, com 2,4 milhões licenciamentos e 2,9 milhões de veículos produzidos. O quadro refletiu no valor das ações, à época: R$ 1,35, o menor da sua história. A partir desse momento a empresa, segundo o presidente, passou a cortar custos e renegociar as dívidas. “A situação crítica serviu para unir os gestores para criar uma nova cultura interna”.

 

Se nesse momento de retomada os acionistas se mostraram desanimados, com os papeis da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo flutuando de R$ 2 a R$ 5, os primeiros sinais positivos começaram a surgir.

 

Em março do ano passado a empresa saiu da recuperação judicial e teve sua dívida parcelada. \"Com o aquecimento do mercado interno e das exportações está sendo possível reduzir as perdas mensalmente\", disse Mangels. No ano passado registrou receita de R$ 445,9 milhões ante R$ 427,5 milhões em 2016, segundo balanço divulgado pela B3.

 

Para o futuro a expectativa é de crescimento, sobretudo em função dos lançamentos anunciados pelos seus principais clientes. O Toyota Yaris é exemplo recente de veículo novo equipado com rodas Mangels -- a Toyota é o principal cliente da Mangels no País, onde detém 40% do mercado de rodas de alumínio. Seu segundo maior cliente é a Honda, com a qual a Mangels mantém relacionamento comercial há doze anos.

 

No mercado externo a companhia é fornecedora da Toyota e da PSA na Argentina.

 

Foto: Divulgação.