Exportações são a pedra no sapato da indústria

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CompartilheBalanço da Anfavea
08/01/2019

São Paulo – A Anfavea divulgou na terça-feira, 8, suas projeções para produção, vendas e exportações de veículos e máquinas agrícolas e rodoviárias para 2019. Com exceção das vendas externas, prejudicadas pelo atual momento da economia argentina, principal cliente dos veículos brasileiros, todas as estimativas da associação são positivas.

 

Para as vendas domésticas o prognóstico é similar ao divulgado pela Fenabrave, que representa o setor de distribuição: crescimento de 11,4% sobre o ano passado, com 2 milhões 860 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus comercializados. Este aumento seria superior no segmento de pesados – 15,3% mais vendas de caminhões e ônibus, para 88 mil e 17 mil unidades, respectivamente – do que no de leves, que, nas contas da entidade, subirá 11,3%, para 2 milhões 755 mil unidades.

 

A produção deverá crescer em ritmo abaixo dos dois dígitos. Segundo as estimativas da Anfavea, sairão das linhas de montagem 3 milhões 140 mil veículos em 2019, 9% a mais do que em 2018. Mais uma vez o segmento de pesados, com 11,9% de aceleração, tem prognóstico superior ao de leves, cuja alta deverá ficar em 8,9%.

 

O mesmo ocorre com as exportações em volume: o bom desempenho de mercados como África do Sul e Rússia deverão elevar em 3,7% as vendas externas de caminhões e ônibus, ao passo que os embarques de veículos leves deverão cair 6,8%. No total, o volume exportado pela indústria somará 590 mil unidades nas contas da entidade, um recuo de 6,2% com relação a 2018.

 

Em valores, a estimativa da Anfavea é de recuo de 3,9% nas receitas, rendendo US$ 13,9 bilhões aos cofres da indústria – com um dólar oscilando de R$ 3,70 a R$ 3,90.

 

“O PIB da Argentina deverá cair em torno de 2% e o mercado ficará abaixo das 700 mil unidades”, disse Antonio Megale, presidente da Anfavea. “Como 70% das nossas exportações são para o país vizinho, nossa expectativa é de nova queda nas vendas externas”.

 

Segundo o executivo todos os indicadores do mercado doméstico são positivos. As projeções da Anfavea foram feitas com base em um aumento de 2,5% a 3% do PIB, com inflação na casa dos 4% e taxa Selic podendo chegar a, no máximo, 7% ao ano. “O aumento da confiança e as reformas prometidas pelo novo governo sustentam a nossa visão positiva, assim como a retomada dos investimentos em infraestrutura”.

 

Máquinas – As vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias crescerão 10,9% de acordo com os cálculos da entidade, para 53 mil unidades. As exportações ficarão 2,5% superiores, com 13 mil máquinas, gerando uma produção de 66 mil unidades, em linha com o resultado de 2018.

 

Foto: Ivan Bueno/APPA