Estoque na rede é o último suspiro da Ford Caminhões

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20/02/2019

São Paulo – A rede de concessionárias Ford Caminhões descarta receber novos modelos além dos que já estão em estoque nos pátios das lojas. A Agência AutoData apurou que não houve sinalização concreta por parte da montadora sobre o procedimento a ser adotado após o anúncio do encerramento da operação de caminhões –  nem a concessionários, nem a fornecedores – afora a manutenção de demandas pós-vendas até o fim da garantia.

 

O anúncio à rede foi feito em videoconferência na quarta-feira, 20. Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, um diretor da Ford apenas leu o mesmo texto divulgado pela empresa ao mercado na terça-feira, 19, informando o fim da operação de caminhões e o fechamento da fábrica do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP. A reunião virtual durou três minutos e não foram dados apontamentos à rede.

 

O encerramento da produção de caminhões provocou, de acordo com a fonte, cancelamento das vendas fechadas recentemente: “Os telefones começaram a tocar depois do anúncio feito com clientes pedindo para cancelar a vendas das unidades compradas nos últimos dias”. Há ainda a expectativa de que haja queda brusca no preço das unidades remanescente no showroom.

 

Da mesma forma, fornecedores ouvidos pela reportagem continuam avaliando a situação. A produção para atender as encomendas da Ford Caminhões segue normalmente, embora ninguém saiba, ao certo, se novos caminhões sairão das linhas do Taboão. Os 2,8 mil trabalhadores estão em greve ao menos até a próxima terça-feira, 26, quando uma assembleia está marcada no pátio da montadora.

 

Uma reunião com o presidente da Ford foi convocada pelo governador João Dória para a manhã de quinta-feira, 21. O prefeito de São Bernardo do Campo, SP, Orlando Morando, e diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo devem participar. Os governantes e metalúrgicos querem demover a Ford da ideia de fechar a fábrica, mas a indicação dada pelo presidente Lyle Watters é de que a decisão não tem volta.

 

“O negócio precisaria de um volume expressivo de investimentos para atender às necessidades do mercado, incluindo novas tecnologias e aumento de ações regulatórias, sem um caminho viável para a lucratividade”, afirmou em vídeo divulgado a funcionários, referindo-se às tecnologias Euro 6 que se tornarão obrigatórias a partir de 2023.

 

A Ford acumula cinco anos de prejuízo na operação sul-americana que, somados, supera US$ 4,5 bilhões. Watters disse que a empresa buscou parcerias para manter a fábrica, sem sucesso. No vídeo, ele afirma que a companhia precisa de “um negócio mais compacto, eficiente e ágil” para voltar à lucratividade na região.

 

As ações da Ford na Bolsa de Nova York fecharam a quarta-feira, 20, em alta de 1,25%, a US$ 8,94.

 

Colaborou André Barros

 

Foto: Divulgação.