M-B aplica Indústria 4.0 na montagem de cabines

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01/03/2019

São Bernardo do Campo, SP – Às 3 horas da tarde de 7 de janeiro, uma segunda-feira, o sinal da fábrica da Mercedes-Benz no ABCD Paulista tocou para a troca de turno. Os trabalhadores da manhã saíram e deram lugar a recém-contratados que representavam a retomada da produção vespertina de cabines e caminhões na unidade, há mais de três anos operando apenas durante oito horas.

 

No prédio da montagem de cabines mais novidades: começava a operar uma nova e moderna linha, com conceitos de Indústria 4.0 e adoção de tecnologias inéditas no Grupo Daimler e, em alguns casos, até na indústria automotiva. Resultado de R$ 100 milhões em investimento, trará ganhos de 15% em eficiência e 20% em logística, nas contas da Mercedes-Benz.

 

Tecnologias como realidade aumentada, conectividade com dados em nuvens, robôs colaborativos e exoesqueletos passaram a ser adotadas na montagem das cabines, trazendo ganhos em ergonomia para os funcionários. A reportagem da Agência AutoData visitou a nova linha na noite da quinta-feira, 28, durante o trabalho do segundo turno.

 

Uma das principais mudanças com relação às linhas convencionais é a ausência de uma linha fixa. As cabines são movimentadas sobre os AGVs, sigla em inglês para Veículos Guiados Automaticamente, que são plataformas que se movem no chão, automaticamente, de uma estação para a outra. Vantagem apontada pelo vice-presidente de operações, Carlos Santiago, é a flexibilidade: se a montagem em uma estação atrasar, não é preciso interromper toda a linha. Os AGVs se movem e o tempo pode ser recuperado em outras estações.

 

No total são 53 estações, onde os operários instalam bancos, direção, sistemas elétricos, etc, e fazem os processos de avaliação de qualidade. As cabines chegam soldadas de Juiz de Fora, MG, e ganham os componentes no prédio de SBC.

 

Os AGVs garantem, também, maior ergonomia, pois sua altura pode ser ajustada de uma estação para a outra conforme a necessidade do montador. Em algumas estações essa montagem é auxiliada por robôs colaborativos e exoesqueletos, que auxiliam o operador em movimentos mais difíceis.

 

“A cabine é a parte mais importante do caminhão”, disse Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil. “Em alemão é chamada de fahrerhaus, que significa casa do motorista. Por isso buscamos conforto, segurança e ergonomia na montagem do item que precisa proporcionar ao motorista conforto, segurança e ergonomia.“

 

Toda a montagem pode ser acompanhada pelos gestores da fábrica em tempo real por meio de aplicativo de smartphone. Tal processo torna mais ágil a tomada de decisões, segundo Santiago.

 

Nas linhas são montadas as cabines de Axor, Atego e Accelo, que, de lá, saem para outro prédio onde são incorporadas aos chassis.

 

Fotos: Divulgação.