Schiemer: o Brasil precisa cuidar de quem investe.

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São Bernardo do Campo, SP – O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer, garantiu ter cumprido com a parte que lhe coube na missão de tornar a sua operação local de caminhões mais competitiva e pronta para disputar, de igual para igual, ou até com mais vantagens, contratos de exportação com outros mercados. Segundo ele a questão da fábrica está resolvida, restando ao governo atacar os problemas do portão para fora.

 

Schiemer espera ações do governo que estão longe de incentivos fiscais para movimentar o mercado, como houve no passado. Para ele a reforma da Previdência – que ainda nem começou a correr no Congresso – é parte de um pacote muito maior, que envolve simplificação tributária, redução de burocracias e melhoria na infraestrutura.

 

“Precisamos fazer uma reforma tributária e desburocratizar processos, para reduzir custos e, assim, ficarmos competitivos internacionalmente. A hora de tomar decisões importantes é agora, para melhorar a competitividade e atrair novos investimentos. Não aguentamos mais postergações. O Brasil precisa cuidar de quem investe aqui.”

 

O executivo disse que o crescimento do PIB de 1,1% em 2018, divulgado pelo IBGE na quinta-feira, 28, “é quase nada” e que para o País voltar a crescer as reformas precisam avançar. Segundo ele há um estudo, feito pela Anfavea, que aponta uma desvantagem competitiva de 20% diante do México: “Isso a gente não consegue recuperar. Infraestrutura, impostos, encargos sociais, tudo isso entra na conta. Sem isso poderíamos oferecer produtos para muito mais mercados do mundo, sem dúvidas”.

 

Schiemer inaugurou na quinta-feira, 28, a nova linha de montagem de cabines Mercedes-Benz com conceitos de Indústria 4.0 em São Bernardo do Campo, SP, replicando o que havia executado no ano passado com a linha de montagem de caminhões em outro prédio da mesma unidade fabril. Desde janeiro as chapas soldadas em Juiz de Fora, MG, são montadas com um novo conceito produtivo, que, nas contas do presidente, trará ganhos de 15% em eficiência e 20% em logística.

 

Para essa linha a companhia investiu R$ 100 milhões, que fazem parte do pacote de R$ 2,4 bilhões que aplica no Brasil de 2018 a 2022. Segundo Schiemer as tecnologias chegarão, também, às linhas de produção de agregados e chassis de ônibus.

 

Schiemer falou sobre o trabalho que teve para convencer a matriz a investir na unidade, que voltou a operar com segundo turno de produção apenas em janeiro – e mesmo assim tem, nas suas contas, 50% de ociosidade. De toda forma o valor foi aprovado e a fábrica modernizada, com conceitos que não estão presentes em nenhuma outra unidade Daimler do mundo.

 

“Nossa fábrica está pronta, fizemos a nossa parte. Agora esperamos que o Brasil faça a sua.”

 

Foto: Divulgação.