Ford e Caoa: desfecho incerto.

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São Paulo – Ford e Grupo Caoa assinaram, sim, um contrato referente à negociação para a aquisição da fábrica do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP. Mas o negócio ainda não foi fechado: fontes confirmaram a AutoData que o contrato assinado foi o de confidencialidade. Até por isto é natural que nenhuma das partes comente, oficialmente, temas discutidos dentro das salas de negociação – discussão que deverá passar por outras etapas até um futuro e ainda incerto desfecho.

 

A reportagem apurou que o Grupo Caoa trabalha em três frentes para bater o martelo. A primeira tem como ponto focal o terreno e as edificações instaladas – segundo fonte ouvida pela reportagem a empresa quer saber, antes de tudo, quanto realmente vale o ativo da Ford no ABCD, e a montadora não estipulou o preço venal dos imóveis.

 

Uma vez com o valor em mãos o grupo dará início ao processo de due dilligence, diligência prévia, para entender se a transação seguirá seu caminho -- ou seja: se o valor é digerível. E, então, passar para o segundo tópico das negociações, que diz respeito aos eventuais incentivos fiscais do governo paulista.

 

Neste ponto, salienta a fonte, o estabelecimento do processo de due dilligence não garante à Caoa a prioridade no negócio e outros interessados, assim, poderiam se manter no páreo. Representantes do governo paulista ressaltam que são três propostas na mesa.

 

Para produzir em São Paulo o Grupo Caoa está de olho no desconto de ICMS previsto no IncentivAuto, programa criado para atrair investimentos da indústria automotiva no Estado. Na tarde de segunda-feira, 8, diretores da companhia se reuniram com representantes da Secretaria da Fazenda para entender se haveria alguma forma de se enquadrar no programa.

 

Da equipe dirigida por Henrique Meirelles, o secretário da Fazenda estadual, a Caoa recebeu como resposta que, sem investimentos, não há, a princípio, como se enquadrar. Será necessário investir ao menos R$ 1 bilhão em novos produtos para que a empresa tenha acesso aos benefícios fiscais oferecidos pelo programa.

 

Aqui surge o terceiro ponto do foco da Caoa. De acordo com a fonte ouvida pela reportagem a empresa quer iniciar os trabalhos montando kits CKDs de modelos de veículos comerciais importados da Ásia. Nesse sentido a empresa busca exercer em Brasília, DF, junto com outras montadoras, influência sobre o governo para que o imposto de importação de caminhões seja reduzido dos atuais 35% para 15%.

 

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A produção CKD seria uma forma adicional de ocupar a fábrica onde a Ford produziu durante décadas seus veículos comerciais, uma vez que a Caoa confirmou o interesse de assumir a produção de caminhões Ford caso venha a concluir o negócio.

 

Antes do fim deste processo não há possibilidade de fechar acordo – fontes indicam que havia a expectativa de anunciar o negócio até a sexta-feira, 12, mas o governador João Dória afirmou, em entrevista à rádio CBN, que novidades sobre o tema ficarão para depois da páscoa.

 

Isso porque seria preciso tempo hábil para que empresas interessadas no IncentivAuto possam se inscrever no programa. Por meio de nota oficial enviada à reportagem na terça-feira, 9, a Secretaria de Fazenda e Planejamento informou que emitirá uma resolução dando as condições de enquadramento dos novos investimentos dentro do programa. As montadoras deverão apresentar a proposta de investimento, que serão analisadas  pela Secretaria.

 

Procuradas pela reportagem Ford e Caoa informaram, naturalmente, que não se manifestarão sobre o assunto.

 

Foto: Divulgação.