Scania anuncia investimento de R$ 1,4 bilhão

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São Bernardo do Campo, SP – A Scania anunciou na terça-feira, 21, investimento de R$ 1,4 bilhão para o período de 2021 a 2024. O aporte, segundo o presidente Christopher Podgorski, será aplicado na modernização da fábrica de São Bernardo do Campo, SP, unidade que foi alvo de investimento recente em desenvolvimento de nova geração de cabines e novas edificações para pintura e solda.

 

O executivo disse que a matriz articula produção no Brasil de novas tecnologias baseadas em biocombustíveis, o que demandaria novos equipamentos nas linhas de SBC, sobretudo aqueles ligados ao conceito de indústria 4.0: “A nova geração de cabines é uma espécie de base para receber as novas tecnologias, que podem envolver motores, trasmissões e desenvolvimento nacional de produtos”.

 

O novo aporte também significa um novo olhar da matriz para a unidade brasileira, a maior fora da Suécia. Afora o salto tecnológico no campo da matriz energética, a operação passa a ter novas responsabilidades em pesquisa e desenvolvimento – a montadora anunciou também na terça-feira aporte de R$ 75 milhões para construção de um centro de P&D na unidade do ABCD Paulista.

 

A ideia com o empreendimento é concentrar em único espaço os 250 engenheiros que hoje estão espalhados em diversos departamentos pela unidade. Podgorski disse, ainda, que na nova instalação serão feitos alguns testes que antes eram restritos aos laboratórios da montadora na Europa: “Nossa contribuição aumentará de 30% a 35% na gama de testes de caminhões globais”.

 

Ainda que o Brasil represente o maior mercado da Scania, são cada vez mais evidentes os esforços da compannhia em ter ainda mais musculatura para funcionar como plataforma de exportação. O presidente disse que as fábricas europeias da empresa estão trabalhando na capacidade máxima e não conseguem atender à demanda, o que torna a unidade brasileira um espécie de desafogo produtivo para que os pedidos globais não fiquem sem a atenção devida.

 

E isso implicaria, a princípio, em nacionalizar a produção de motores, por exemplo, movidos a combustíveis que são utilizados em outros mercados, como é o caso do biodiesel. Hoje, 65% da produção da fábrica de SBC é destinada a trinta países. A empresa, inclusive, produz motores Euro 6, ainda inéditos dentre os veículos nacionais, para o Exterior.

 

A expectativa da empresa é a de que a balança que rege a produção siga mais pesada para o lado das exportações em função de um quadro de incerteza em torno do mercado interno, sobretudo com as revisões constantes do PIB para baixo promovidas pelo mercado no quadrimestre: “Há demanda por renovação, isso é claro, mas seguimos investindo para manter o ritmo e a qualidade do que é exportado. A movimentação é importante porque estamos buscando novos mercados, o que deverá aumentar os volumes nas linhas”.

 

Incentivos – O R$ 1,4 bilhão anunciado para o próximo ciclo habilita a Scania a se inscrever no IncentivAuto, o programa de incentivos fiscais para o setor automotivo do Estado que concede isenções para empresas que investirem acima de R$ 1 bilhão e gerarem, ao menos, quatrocentas novas vagas de emprego. Embora o valor se enquadre no escopo do programa, ainda não é garantido que a empresa seja homologada.

 

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Sobre o tema, Podgorski disse que a Scania aguarda a divulgação do regulamento do programa, o que ainda não foi feito pelo Governo do Estado. Henrique Meirelles, secretário da Fazenda do Estado, esteve no evento e afirmou que o texto do programa estará pronto em quinze dias: “Ainda restam análises sobre as métricas de concessão do abatimento fiscal, que incide sobre as vendas futuras”.

 

Uma vez definida as regras, a Scania estuda a possibilidade de inserir investimentos anteriores à publicação do decreto que criou o IncentivAuto no programa, o que lhe permitiria acesso a benefícios maiores.

 

Foto: Divulgação.