Há quarenta anos a Fiat começou a produzir o 147 a álcool

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04/07/2019

Betim, MG – As vendas de etanol hidratado, aquele usado como combustível em automóveis e comerciais leves, cresceram 3% em maio com relação a abril, para 1,9 bilhão de litros, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Unica, União da Indústria de Cana-de-Açúcar. A participação do combustível renovável alcançou 30% nos abastecimentos a veículos no Brasil, ganhando terreno frente a gasolina.

 

Parte importante da história do uso do combustível renovável completa 40 anos: em 5 de julho de 1979 entrou em produção o Fiat 147 com motor 1.3 litro a álcool, pioneiro na aplicação da tecnologia em escala de âmbito global, embora ainda esteja limitado ao território nacional. Foi uma resposta da companhia a uma demanda do governo, que buscava soluções alternativas ao petróleo – em cinco anos, de 1973 a 1978, o preço do barril no mercado internacional quadruplicara.

 

“Essa demanda, na verdade, surgiu anos antes”, contou João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios e de compliance da FCA. “Na década de 1920 os governantes já falavam na aplicação do etanol como combustível e em 1930 a mistura do álcool na gasolina se tornou obrigatória.”

 

O Proálcool, programa de incentivo ao uso do etanol hidratado – que, à época, era conhecido simplesmente como álcool – foi iniciado em 1975, anos antes do começo da produção em série do 147. Foi preciso algum tempo para incentivar a produção do combustível, algo acelerado com o surgimento dos primeiros modelos com motor a álcool.

 

O 147 trazia motor 1.3 litro de 62 cv e precisava de carburador e de um sistema de partida a frio. Com o tempo algumas soluções de materiais alternativos precisaram ser desenvolvidas – como o escapamento em aço inox, liga que sofre menos corrosão.

 

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A indústria e a população brasileira abraçaram o Proálcool. Em 1985 quase 96% dos automóveis e comerciais leves zero quilômetro comercializados no País estavam equipados com motor a álcool. A Fiat vendeu, de 1979 a 1987, 120,5 mil 147 a álcool.

 

A aplicação do combustível renovável no Brasil sofreu um baque na década seguinte, mas voltou com tudo a partir de 2003 com a chegada da tecnologia flex fuel. Hoje a indústria vê no etanol a solução perfeita para o alcance de metas de eficiência energética e para a redução da emissão de CO2 para o mercado brasileiro, como medida intermediária – e até paralela – à eletrificação.

 

“Quarenta anos depois o etanol ainda é solução”, disse Medeiros. “Uma solução que deveria ser vendida a outros países em desenvolvimento. O Brasil tem um diamante em mãos que precisa ser melhor lapidado.”

 

O executivo da FCA acredita na combinação do etanol com outras tecnologias, como o híbrido flex – já apresentado pela Toyota por aqui – e a célula de combustível com base no etanol: “Podemos também melhorar muito o motor. Não vamos escapar da eletrificação no longo prazo, mas o etanol ainda tem muito a ser explorado”.

 

Um mês atrás, quando anunciou o desenvolvimento e a produção de novos motores em Betim, a FCA mostrou um protótipo de motor movido a etanol sem dar pormenores. Uma amostra de que o quarentão está na flor da idade.

 

Fotos: Divulgação.