Deboche de ministro fura campanha da S10

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São Paulo, SP - Tudo bem. O marketing das empresas fabricantes de veículos sempre foi muito criativo em suas campanhas, algumas marcantes no imaginário do brasileiro. Você que nos lê agora deve ter a sua inesquecível. Mas dessa vez a Chevrolet, em sua mais recente campanha da picape S10, chamou a atenção mesmo sem que fosse lançada oficialmente, por abordar, em tom de deboche, alguns temas importantes -- não só para o País mas, também, para o resto do mundo.

 

Foi o que ocorreu no sábado, 29, no twitter. Para surpresa da própria General Motors, de acordo com Hermann Mahnke, seu diretor de marketing Chevrolet, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, postou a pérola que estampa esta reportagem. Imediatamente uma onda tomou conta da rede, com ataques e comentários de defesa tanto pela atitude do ministro de Estado quanto pelo conteúdo da peça publicitária. Até o fechamento desta reportagem o post no twitter Ricardo Salles MMA com o vídeo da campanha da S10 contava 26,5 mil curtidas, 6 mil compartilhamentos e 3,5 mil comentários. É de se imaginar a exponencial repercussão deste conteúdo nas redes. Mahnke disse que “a primeira exibição da nova campanha da S10 estava programada para a TV, no campeonato brasileiro de futebol, no domingo. A postagem do ministro foi uma surpresa”.

 

Mais do que tudo o que se extrai dessa verdadeira batalha nas mídias sociais que envolveu a fabricante de veículos foi o tom de deboche atribuído inicialmente à peça, cujo texto ministerial que acompanha o vídeo contribuiu bastante.

 

Será que vende picape debochar da opinião de muitos brasileiros, e da ciência, sobre os riscos no uso de transgênicos na agricultura, debochar da necessidade imperativa da proteção do meio ambiente, e dos próprios consumidores, na medida em que são eles que reclamam de tudo isso, segundo o locutor da peça publicitária?

 

Essa foi a pergunta de muitos e muitos, pois ficou evidente que o ministro do meio ambiente, reconhecidamente um defensor de grupo de ruralistas que quer explorar as riquezas naturais do Brasil sem avaliar as consequências para o próprio País e para o planeta, exagerou no deboche, jogando a picape da Chevrolet, e a própria marca, nessa discussão.

 

No entanto, não está sendo surpresa para a Chevrolet a repercussão da campanha. Disse o diretor da GM que “esta não é a primeira campanha com temas relevantes para a audiência. Faz parte de uma linha que adotamos no marketing desde 2017”. Com 50% das vendas da S10 destinadas ao público relacionado de alguma forma ao agronegócio o objetivo da GM é fazer conexão com essa audiência, posicionando sua picape como um “produto com opinião”.

 

Foram feitos testes com o público do agro comprovando que a mensagem teria adesão. Inclusive foi uma das campanhas que a equipe de marketing da GM mais gostou justamente porque ilustra bem a imagem dessa audiência com a qual a marca Chevrolet quer estabelecer uma relação. Ou estreitá-la.  

 

Do outro lado, o da repercussão no fim de semana, suscita uma análise mais profunda. Mesmo com a avaliação de 87% de “positividade” da campanha da S10 medido pela GM no sábado e no domingo, segundo Mahnke, o posicionamento com relação ao meio ambiente tem sido cada vez mais relevante na tomada de decisão do cliente. Em todos os setores, não apenas no automotivo. O uso do plástico descartável, das milhares de embalagens que entopem lixões mundo afora, da segurança alimentar - e o uso de agrotóxicos comprovadamente nocivos ao ser humano e outros animais -, o aquecimento global, no qual o setor automotivo tem grande participação apesar de nunca admitir claramente - tudo isso está dentro do rol de prioridades do consumidor.

 

Assim, para não parecer ecochato e continuar enumerando uma lista interminável de temas correlatos a estes que deveriam ser importantes para as empresas do setor automotivo se reinventarem frente a um consumidor cada dia mais consciente, conectado e prático, ficou a dúvida nas redes sociais: a S10 representa o povo insensível e despreocupado com o futuro? E o pior: eles são maioria?