Os elétricos estão chegando. Mas... e a transição?

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São Paulo – Os corredores do Salão de Frankfurt 2019 deram clara indicação de qual será o rumo da indústria automotiva europeia nos anos a seguir: eletrificação. Desafiadas por metas agressivas de redução de emissões as montadoras não tiveram alternativa senão esconder os motores a diesel e a gasolina e valorizar o futuro da propulsão elétrico – embora ninguém saiba dizer, ao certo, se o consumidor desejará pagar a conta.

 

No Brasil, desconfiamos: ele não quer pagar. O que se ouve é que o consumidor duvida da estrutura, tanto de rede elétrica, embora as concessionárias de energia garantam que não haverá problemas, quanto da oferta de pontos de recarga no País. É consenso que ainda demorará um tempo para que os elétricos vinguem por aqui, mas eles chegarão.

 

De todo modo, aos poucos a tecnologia vem sendo lançada por aqui, ainda que a preços exorbitantes. O mais barato, oferecido pela chinesa Jac Motors, sairá por R$ 120 mil – um modelo compacto, iEV20. O Nissan Leaf é encontrado por R$ 195 mil, o Renault Zoe não sai por menos de R$ 150 mil e o Chevrolet Bolt chegará em outubro por R$ 175 mil.

 

Somados aos híbridos elétricos representaram 0,2% do total comercializado de janeiro a agosto deste ano, ou 4,2 mil unidades. Parece pouco, mas é o dobro da porcentagem registrada no mesmo período do ano passado – e, se analisarmos os dados de agosto isoladamente, sobe para 0,4% do mercado.

 

Porcentual que tem potencial de crescer com o primeiro lançamento de volume com a tecnologia: o Corolla híbrido flex produzido em Indaiatuba, SP. A Toyota projeta vendas de 1 mil unidades/mês – meta que, se alcançada, quase dobra o volume registrado até agosto. É, por enquanto, a única em apostar em híbridos no mercado brasileiro:

 

“Faz todo o sentido porque o Brasil tem o etanol”, justificou Masahiro Inoue, CEO e chairman da Toyota América Latina. “Apostamos que a tecnologia híbrida será bastante difundida por aqui e ainda demorará para chegar a elétrica”.

 

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A opinião é compartilhada por muitos executivos da indústria, mas só a Toyota fez o movimento. Os planos de veículos híbridos flex das concorrentes estão guardados dentro da gaveta, já aberta e com a mão do executivo por cima: basta que o Corolla caia no gosto do brasileiro para que este puxe o papel para a mesa de reunião.

 

Mas nem todos. Renault e Nissan há anos têm o discurso único de eletrificação. Carlos Zarlenga, presidente da General Motors América do Sul, segue a mesma linha: “No longo prazo a América do Sul terá 100% de propulsão elétrica, como em todo o mundo. A transição é impossível de prever, dependerá de muitas coisas, mas a GM só terá elétrico, não lançaremos híbridos”.

 

Segundo Zarlenga o tempo de transição pode, inclusive, ser mais curto do que o esperado. Ele cita como exemplo os SUVs, que demoraram bem menos tempo para cair no gosto do consumidor brasileiro do que a média lá fora: “Tem um fator aí que é o tempo de desenvolvimento. Quando o brasileiro começou a pedir SUV a tecnologia desses modelos já estava pronta. O mesmo acontecerá com o elétrico: não precisará de novo desenvolvimento, eles já estarão disponíveis”.

 

Sergio Habib, presidente do Grupo SHC, que representa a Jac Motors no Brasil, acredita no caminho único: o motor elétrico. “Hoje o preço das baterias é o principal entrave. Quando esse custo cair os veículos elétricos dominarão o mercado."

 

Ele alega que as vendas de híbridos caíram no ano passado e no primeiro semestre deste ano – la fora –, o que demonstraria o fim do seu ciclo: “O segmento híbrido perderá espaço antes mesmo de ter o volume esperado. Esse tipo de veículo não reduz os problemas de emissões como um 100% elétrico”.

 

Foto: Divulgação.