Negociação da Ford Taboão nos seus momentos decisivos

Imagem ilustrativa da notícia: Negociação da Ford Taboão nos seus momentos decisivos
Foto Jornalista  André BarrosFoto Jornalista Bruno de Oliveira

Por André Barros

e Bruno de Oliveira

CompartilhePensata
31/05/2019

São Paulo – Ford, governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Bernardo do Campo e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC esperam resolver, até o fim de junho, o futuro da fábrica do Taboão, no ABCD Paulista. O potencial comprador da fábrica – segundo o governador do Estado, João Doria, restam dois investidores interessados – também. Este é o único ponto convergente de todos os envolvidos na história: a vontade de colocar um ponto final no assunto. A reportagem de AutoData apurou que são diferentes, porém, os interesses colocados à mesa.

 

De toda forma o prazo é justamente este, o fim de junho. O fim da produção do Fiesta está programado para antes disso, em torno de duas semanas. Já há casos de funcionários dispensados em alguns setores da linha de automóveis e a Ford está cumprindo o acordo negociado com o sindicato.

 

Pelo PDI, Programa de Demissão Incentivada, acertado, os trabalhadores que não tiverem interesse em seguir trabalhando na fábrica sob administração do futuro comprador receberão dois salários por ano trabalhado. Os que se candidatarem, um salário e meio por ano de casa – e não há garantia de que serão contratados: precisarão passar por processo seletivo. Caso a venda não se concretize o pacote maior será concedido a todos.

 

O mesmo valerá para os mensalistas: 0,75 salário por ano trabalhado para quem ficar, um salário para quem sair. A Ford, porém, manterá alguns mensalistas na área administrativa – eles têm garantia de emprego até março de 2020.

 

E quais os interesses? – Com o acordo fechado e o sindicato satisfeito os principais interessados na rápida conclusão do negócio são o governador João Doria e o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando. O fechamento de 2 mil postos de trabalho seria um ônus político para ambos, filiados ao PSDB. Doria não disfarça seu objetivo de chegar ao Palácio do Planalto e Morando pretende disputar a reeleição.

 

O governador se apoia na indústria automotiva para fazer propaganda do seu governo. Em cinco meses já esteve presente em anúncios de investimentos de General Motors e Scania, na inauguração da fábrica da Honda em Itirapina, SP, e na apresentação do Toyota Corolla híbrido flex. Criou o IncentivAuto para seduzir novos investidores e ajudar a manter aqueles que já estão no Estado. E se vestiu de corretor imobiliário para arrumar um comprador para a fábrica do Taboão, postergando a decisão da Ford de fechar as portas.

 

O sindicato, embora tenha fechado os acordos, lutou para manter a fábrica operando e tem interesse em manter nas linhas a parcela dos metalúrgicos que aceitar trabalhar para o novo administrador. Os dirigentes agem com cautela e têm evitado falar com a imprensa.

 

Dos diretamente envolvidos a Ford é a que tem menor preocupação. Já havia contingenciado, em balanço financeiro, o valor das indenizações dos trabalhadores, concessionários e fornecedores. Está deixando a operação de qualquer maneira, mas não tem interesse em prolongar as discussões. Produzindo o que tem programado sai do negócio acertando ou não a venda da fábrica.

 

Existem também os potenciais compradores. Grupo Caoa e Foton manifestaram interesse, mas as negociações estão mais adiantadas com o primeiro, segundo apurou a reportagem. O empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade reuniu-se na semana passada com Doria e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Busca ajuda das duas partes: de São Paulo quer ter acesso aos benefícios previstos no IncentivAuto, e do governo federal ambiciona linhas de crédito do BNDES. Enquanto isso traça a sua estratégia comercial – e, embora tenha afirmado que deseja produzir carros em São Bernardo, caminha para manter uma operação de caminhões Hyundai no local.

 

Todos os fatores indicam que a história aproxima-se de um final feliz para as partes. Até o fim do mês saberemos se a fábrica, que foi comprada da Willys Overland pela Ford em 1967, fechará as portas ou terá seu terceiro dono.

 

Foto: Divulgação.