Proposta de fusão mira a integração na Aliança

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São Paulo – Ao entregar ao Conselho de Administração da Renault a carta com sua proposta de fusão, a FCA, Fiat Chrysler Automobiles, buscou convencer, também, os outros integrantes da Aliança Renault Nissan Mitsubishi, idealizada e, até o fim do ano passado, liderada pelo brasileiro Carlos Ghosn. A consolidação das montadoras em um grande grupo automotivo, aliás, era um dos objetivos do executivo, que está em processo de esclarecimento com a Justiça do Japão após ser preso no ano passado em Tóquio e, portanto, sem conexão direta com essa proposta.

 

A FCA olhou mais especificamente para a Nissan, a integrante da Aliança mais arredia a fusões – sempre se opôs à fundir-se com seus parceiros franceses. Na proposta que está nas mãos do Conselho da Renault, a FCA deu aos japoneses uma cadeira no conselho da nova empresa além de estimar, no mínimo, em € 1 bilhão anuais as sinergias adicionais da fusão à Nissan e à Mitsubishi “puramente por serem membros da Aliança”.

 

Oficialmente Nissan e Mitsubishi não se pronunciaram a respeito da proposta de fusão com a sua parceira, que, por meio de nota, afirmou que estudará “com interesse a oportunidade de uma aproximação, para fortalecer a presença industrial do Grupo Renault e gerar valor adicional para a Aliança”.

 

Segundo o documento entregue pela FCA à Renault estão descartados fechamentos de fábricas: os benefícios viriam por meio de investimentos mais eficiente em plataformas, tecnologias, arquiteturas e powertrains comuns. Somadas as duas montadoras contam com mais de 140 fábricas espalhadas pelo mundo – e grande parte das unidades FCA operam bem abaixo da capacidade instalada.

 

As sinergias estimadas com a fusão viriam das áreas de compras, pesquisa e desenvolvimento e eficiências em manufatura e ferramental, bem como no compartilhamento de plataformas e de famílias de motores. No total a FCA calcula economizar € 5 bilhões por ano com a fusão a partir do sexto ano, com os primeiros resultados sendo apurados a partir do segundo ano.

 

A nova companhia idealizada pela FCA criaria, nas suas contas, a terceira maior montadora global, com vendas combinadas na casa das 8,7 milhões de unidades de Alfa Romeu, Fiat, Lancia, Maserati, Chrysler, Dodge, Jeep, RAM, Renault, Alpine, Dacia, Samsung e Lada, além de Abarth e Mopar.

 

Os portfólios se complementam desde modelos de baixo custo, como os Dacia e Lada, aos de luxo Maserati e Alfa Romeo, recordou o comunicado: “Seria uma líder mundial em tecnologia de elétricos, marcas premium, SUVs, picapes e veículos comerciais leves, com uma presença global mais ampla e equilibrada do que cada uma das empresas separadamente”.

 

Por região – Os cálculos da FCA colocam a FCA Renault como a número quatro da América do Norte, número dois da Europa, África e Oriente Médio e número um na América Latina. A Renault tem presença forte na Europa, Rússia, África e Oriente Médio e a FCA lidera as vendas latino-americanas e possui boa posição na América do Norte.

 

Ambas, porém, ainda carecem de maior penetração no mercado chinês.

 

No Brasil a FCA já é a empresa fabricante número um em vendas e a integração com a Renault só ampliaria essa distância sobre a segunda colocada. Até abril os modelos Fiat e Jeep registraram 148,4 mil licenciamentos de acordo com o Renavam e os Renault somaram 70,5 mil.

 

A FCA possui dois complexos industriais – Betim, MG, e Goiana, PE – no Brasil que produzem veículos e componentes e uma fábrica de motores em Campo Largo, PR. A Renault produz veículos, motores e componentes em São José dos Pinhais, PR.

 

Na Argentina as operações industriais das duas empresas estão localizadas em Córdoba.

 

A empresa resultado da fusão teria ações listadas nas bolsas de Milão, Paris e Nova York. Na tarde de segunda-feira, 27, as ações da FCA subiam 8%, enquanto as da Renault apresentavam alta de 12%.

 

Foto: Divulgação.