Setor busca opções para a demora nas reformas

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Foto Jornalista  André BarrosFoto Jornalista Bruno de Oliveira

Por André Barros

e Bruno de Oliveira

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12/06/2019

São Paulo – Executivos da indústria automotiva brasileira trabalham na busca por alternativas para desatar o nó que atrapalha o crescimento da produção de veículos. Embora o mercado brasileiro mantenha sua trajetória ascendente e apresente, mês a mês, índices de avanço de dois dígitos, boa parte desta alta é sustentada pelas vendas a frotistas, com margens mais apertadas e sem impacto positivo significativo nos balanços financeiros das empresas.

 

Ao cenário doméstico se soma a situação econômica da Argentina, que sofre com mais uma crise e reduz as encomendas das fábricas brasileiras. O resultado reflete na produção de veículos – que, até maio, apresentou crescimento mas corre riscos se o estado atual das coisas não for alterado.

 

O apoio dos executivos às reformas, primeiro a da Previdência e depois a tributária, se mantém, mas já não é visto como ponto fundamental. Cinco meses já se passaram desde a posse do novo governo e o cenário é de PIB em queda e o índice de desemprego elevado. O País segue estagnado e é preciso atacar algumas ineficiências.

 

“Entendemos a situação fiscal do Brasil, mas não podemos ficar esperando a aprovação das reformas”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante o Fórum Estadão Exportar para Gerar Riquezas e Emprego, na quarta-feira, 12, em São Paulo, no qual apresentou proposta de aumento do Reintegra de 0,1% para 10% -- o que, nas suas contas, permitirá exportar 1 milhão de veículos e criar 120 mil empregos em toda a cadeia.

 

Antonio Filosa, presidente da FCA na América Latina, disse que a companhia tem visão otimista acerca da agenda econômica do atual governo, mas “falta capacidade de execução e, principalmente, timing. Isso começa a se tornar um fator sensível. O importante para a nossa indústria é o tempo com que as coisas estão caminhando. O reflexo das reformas, uma vez aprovadas, demoram até dois anos para ser percebido. Precisamos de algo mais rápido”.

 

A vontade da indústria, porém, pode esbarrar no ritmo do governo. Segundo o secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles – que traz em sua opinião a experiência de anos trabalhando no governo federal –, os pleitos da indústria só poderão ser discutidos após a equalização do déficit fiscal do País: “Isso só será possível com as reformas. Só depois que o governo terá condições para discutir uma nova alíquota”.

 

Foi pensando nisso que o presidente da General Motors, Carlos Zarlenga, sugeriu algo inusitado para compensar essa perda de arrecadação com o Reintegra: aumento de impostos. Segundo ele há a possibilidade de elevar o IPI, por exemplo, para que o governo eleve o Reintegra.

 

“IPI ou ICMS, por exemplo, são tributos que conseguimos articular com as vendas no mercado interno. O que não podemos fazer é exportar imposto, ou melhor, fazer com que o brasileiro pague o imposto que um chileno, que vive em um mercado aberto, não paga, pois é isso o que está acontecendo atualmente”.

 

Foto: Divulgação.